01 Junho 2026
Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) também foi o relator da Reforma Trabalhista de 2017 e já afirmou que se Flávio ganhar as eleições de 2026 tema será "revisitado".
A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por Extra Classe, 29-05-2026.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) é o autor da PEC do horário flexível, alternativa dos senadores de oposição ao governo Lula (PT) para enterrar o fim da escala 6×1 no Senado. Marinho é o coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi relator da reforma Trabalhista de 2017, enquanto era deputado federal, e ministro do Desenvolvimento Regional do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele tem sido apontado como o “bombeiro” da pré-campanha do primogênito do ex-presidente desde que explodiu a crise envolvendo Flávio, o banqueiro Daniel Vorcaro e negociações de vultuosas quantias para a produção do filme “Dark Horse”. Cabe a Marinho, mais alinhado ao mercado financeiro que às alas ideológicas do bolsonarismo, tranquilizar o mercado financeiro de que a candidatura de Flávio ainda é viável para desbancar Lula.
Também foi Marinho, que é líder da oposição no Senado, quem solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apure o vazamento de informações envolvendo conversas de Flávio com Vorcaro, que ele classifica no documento enviado à corte como “vazamento seletivo”.
A PEC 12/2026 cria regime flexível baseado em horas trabalhadas, aposta na negociação entre empregador e trabalhador e calculará salários e benefícios como FGTS, férias e 13º salário de forma proporcional à carga horária cumprida. A proposta foi protocolada na última quinta-feira, 28 de maio. No mesmo dia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou o projeto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Tarefa no Senado é sabotar fim da 6×1
O senador Rogério Marinho é quem encabeça a PEC do “horário flexível”, que contou com apoio de outros 39 dos 81 senadores. A tarefa é sabotar o fim da escala 6×1. Enquanto isso, o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, que é senador pelo PL/RJ, se poupa do desgaste de criticar o fim da escala, medida que conta com apoio de mais de 70% da população brasileira.
O senador potiguar também teria sido o responsável por traçar a estratégia do PL em relação ao fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados. Dos 19 votos contrários ao fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados na última quarta, 27 de maio, 11 vieram do PL, outros quatro votos foram do Novo, e mais quatro de parlamentares do União Brasil, PP, MDB e Missão.
Reforma Trabalhista
Marinho, que é economista, foi relator da Reforma Trabalhista de 2017 na Câmara dos Deputados, um dos articuladores da reforma da Previdência de 2019 e afirmou à Folha de São Paulo, em entrevista em 6 de março, que se Flávio ganhar a eleição, irão “revisitar” as reformas da Previdência e Trabalhista.
A PEC 12/2026 retoma pontos centrais da Reforma Trabalhista de 2017 como ampliar a prevalência de acordo individual sobre acordos coletivos negociados por sindicatos. A remuneração seria proporcional à jornada efetivamente trabalhada, o que impacta férias, 13º salário, FGTS e demais direitos, que seriam calculados de acordo com a carga horária ajustada individualmente.
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