Jubileu, Fisichella: "Um grande sucesso. Roma venceu o desafio diante dos olhos do mundo"

Papa Francisco | Foto: Vatican Media

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06 Janeiro 2026

Entrevista com o representante da Santa Sé para o Ano Santo, que termina hoje: "Em Tor Vergata, 1,2 milhão de jovens deixaram uma lembrança feliz."

Ao final do ano, com a chegada de tantos peregrinos que inundaram a cidade, Roma estará nostálgica. D. Rino Fisichella, diretor do Jubileu no Vaticano, o Ano Santo mais concorrido da história, está convicto disso.

A entrevista é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 06-01-2026.

Eis a entrevista.

Você esperava esses números?

O estudo que nos apresentaram antes do início do Jubileu falava em 30,5 milhões: em termos numéricos, superamos em muito as expectativas, e se o Jubileu fosse avaliado apenas pelos números, certamente teria sido um grande sucesso.

Que outros critérios devem ser levados em consideração?

Os peregrinos tiveram uma profunda experiência espiritual. E devemos também destacar a capacidade de Roma de suportar um evento tão significativo: a cidade demonstrou ser acolhedora e segura aos olhos do mundo inteiro, resultado da excelente cooperação da equipe organizadora.

Roma também se regenerou: isso sempre aconteceu ao longo da história, durante os Anos Santos, com a construção da Ponte Sisto e da Via della Lungara.

É absolutamente verdade que existe uma forte ligação entre a celebração do Jubileu e a cidade de Roma, que, ao se preparar para o evento, pode se beneficiar de obras que permanecerão. Basta pensar, este ano, na beleza da Piazza Pia, na renovação da Piazza San Giovanni in Laterano, da Piazza dei Cinquecento, da Piazza Risorgimento e nas inúmeras obras restauradas em nossas igrejas. Além disso, para a ocasião, Roma pôde renovar sua frota de ônibus e restaurar seus serviços de emergência. Esses são frutos do Jubileu que permanecerão com os romanos.

Os romanos, porém, que por vezes reclamavam quando confrontados com a invasão de peregrinos ...

Eu também já me senti assim algumas vezes diante das multidões de peregrinos... Mas devo dizer também que os romanos sabem que tudo isso é um sinal de amor pela cidade e que este é um ano muito especial, que também será um tanto nostálgico. O Jubileu da Juventude trouxe 1,2 milhão de jovens a Roma, que deixaram para trás memórias de alegria, celebração e entusiasmo, dos quais nós, romanos, provavelmente também precisávamos.

As redes sociais foram parte integrante desse evento.

No Grande Jubileu de 2000, praticamente não existia internet; havia apenas e-mail. Agora, tivemos que, e conseguimos, alcançar milhões de peregrinos por meio do aplicativo. Houve também o Jubileu dos influenciadores, que nem sequer existiam em 2000. Isso demonstra que a Igreja acompanha o desenrolar do tempo e da história.

Houve uma peregrinação de católicos LGBTQ+ e outra de católicos tradicionalistas, incluindo uma missa em latim na Basílica de São Pedro: uma Igreja dividida ou plural?

Essas peregrinações nos mostram que a Igreja não exclui ninguém; a jornada rumo à Porta Santa é o símbolo de um encontro com Cristo que não pode ser negado a ninguém. E demonstram a diversidade dentro do mundo católico em geral, não uma uniformidade monótona que torna todos iguais, mas a beleza da criatividade que conduz qualquer pessoa que deseje a encontrar a mensagem do Evangelho.

Que legado deixa o Jubileu da Esperança num mundo marcado, no início e no fim, pelas guerras?

Assumir a responsabilidade. O mundo não está apenas repleto de violência e desigualdade, mas também de muitos sinais positivos de paz, bondade e união. O Papa Leão XIII reiterou que a paz começa com uma mudança de coração. Se todos se sentirem envolvidos, tornam-se pacificadores. A paz nas famílias, na sociedade, nas comunidades torna-se contagiosa... Por que não sonhar com a paz em todo o mundo? Todos podem deixar sinais concretos de esperança?

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