No consistório o roteiro do Vaticano para o Jubileu de 2025: "Os tempos estão se esgotando e precisamos nos apressar"

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31 Agosto 2022

 

Os cardeais apenas escutam: o debate aberto e livre entre os cardeais na assembleia foi limitado pelo Papa - O Jubileu de 2025, o tempo que está se esgotando, o caminho espiritual a ser iniciado na Igreja em nível local para preparar a maior peregrinação dos últimos tempos - quase uma prova muscular da verdadeira força do catolicismo na Europa e no mundo - esteve no centro do segundo dia do consistório extraordinário em curso no Vaticano. "Os tempos estão se esgotando e precisamos nos apressar".

 

É a primeira vez desde 2014 que o Papa Francisco convoca todos os cardeais do mundo para uma troca de informações sobre dois temas específicos, a constituição apostólica que acaba de ser aprovada após vários anos e tantas polêmicas, e o Ano Santo de 2025, uma data no horizonte que suscita muitos temores porque os caminhos preparatórios, dentro das conferências episcopais mundiais, estão apenas esboçados, mas ainda não operacionais. Assim como estão causando preocupação os atrasos, desta vez todos estruturais e atribuíveis à realização de uma série de obras relacionadas ao trânsito e decoração urbana, a cargo do Município de Roma, da Região do Lácio e, acima de tudo, do governo italiano.

 

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 30-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Nos últimos meses, com grande sutileza institucional, o Vaticano lançou uma série de mensagens ao Palácio do Governo e à Prefeitura de Roma para lembrar que é preciso agir rapidamente se a cidade de Roma e Itália pretendem chegar preparadas para o evento e para lidar com a dezenas de milhões de peregrinos espalhados ao longo dos doze meses.

 

Uma estimativa que leva em conta o fim da pandemia e outras variáveis internacionais, inclusive a esperança de que a guerra na Ucrânia, para aquele período, seja apenas uma lembrança distante. Mesmo que o debate aberto e livre entre os cardeais na assembleia tenha sido limitado pelo Papa para evitar o risco de contestações ou intervenções críticas sobre outros grandes dossiês dramaticamente abertos - por exemplo, o enorme caso chinês que, inclusive, vê em prisão domiciliar o idoso cardeal Zen, impossibilitado de viajar e se reunir aos outros cardeais no Vaticano para o consistório - os cardeais têm a oportunidade de abordar as temáticas do jubileu e da constituição apostólica limitando-se a círculos linguísticos que se realizam à parte e que reúnem as opiniões dos participantes, depois resumidas em uma apresentação concisa destinada a ser exposta na assembleia. Mas nem mesmo a sombra de debates abertos.

 

A constituição apostólica foi aprovada sem qualquer consulta geral há alguns meses e imediatamente suscitou muitos mal-estares internos. Um dos nós indigestos diz respeito à orientação de liberar muitos cargos curiais em nível alto da ordem sagrada, a fim de estar abertos à chegada dos leigos.

 

O texto foi promulgado no dia de São José - 19 de março - após quase oito anos de revisões e reescritas e é considerado por Francisco um marco de seu pontificado, até porque quando foi eleito em março de 2013, recebeu o mandato explícito de reformar a burocracia vaticana atormentada por escândalos e, segundo muitos eleitores, por mecanismos bizantinos e marcadamente italianos demais. Fica claro que, pela envergadura do texto, não se trata apenas de uma reforma burocrática ou administrativa, mas de uma manobra estratégica mais ampla, destinada a acelerar a transição da Igreja para o espírito missionário, para ir para as periferias culturais e não apenas geográficas, deslocando o peso específico de Roma para o exterior.

 

A apresentação sobre o Jubileu foi confiada a Monsenhor Rino Fisichella, já artífice do Jubileu da Misericórdia e agora coordenador de toda a máquina vaticana para o evento de 2025.

 

Para o Vaticano este Jubileu para Roma, para a Itália, constitui um verdadeiro despertar. A Comissão do Jubileu estudou um percurso de fé a ser estruturado em etapas anuais e está desenvolvendo um aplicativo em várias línguas, uma publicação científica sobre o Vaticano II e um plano de eventos a serem dedicados a diversas categorias: famílias, crianças, jovens, movimentos e associações, idosos, avós, deficientes, esportes, doentes e pessoal da saúde, universidades, mundo do trabalho, coros e corais, irmandades, sacerdotes, pessoas consagradas, católicos orientais, catequistas, pobres, presos.

 

Entre os cardeais presentes na nova sala do Sínodo está também Angelo Becciu, admitido graças ao convite do Papa Francisco e à garantia de que a partir de agora também a ele se aplica o princípio da presunção de inocência. Até a sentença do processo do prédio de Londres, que o vê acusado junto com outros nove - entre funcionários do Vaticano, financistas, sacerdotes e uma especialista em assuntos internacionais ligada aos serviços secretos - Becciu foi de fato integrado novamente nos eventos e atividades do Colégio dos Cardeais. O Papa o havia punido há dois anos sem esperar a sentença, negando-lhe assim a presunção de inocência, quando o obrigou a renunciar ao seu cargo na cúria e a renunciar a todas as prerrogativas ligadas ao cardinalato.

 

O convite feito a Becciu para retomar a atividade cardinalícia, no entanto, abriu um mistério no Vaticano, que no momento permanece sem solução. A lista de cardeais, atualizada pelas estruturas do Vaticano nos últimos dias, ressalva que Becciu ainda é tecnicamente um 'não-eleitor' em caso de um conclave, consequentemente alimentando dúvidas sobre a interpretação papal do princípio da presunção de inocência. Ao ser questionado por vários jornalistas a fornecer uma explicação para essa confusão canônica, o Vaticano não forneceu uma explicação, deixando circular as especulações mais díspares.

 

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