04 Abril 2025
Uma importante agência católica internacional de ajuda condenou a tomada de grandes áreas da Faixa de Gaza por Israel.
A informação é de Charles Collins, publicada por Crux, 03-04-2025.
Na quarta-feira, Benjamin Netanyahu afirmou que as forças israelenses estavam tomando o território de um antigo assentamento judaico, anteriormente localizado entre as cidades de Rafah e Khan Younis, expandindo as “zonas de segurança” ocupadas pelas tropas israelenses.
A CAFOD – agência internacional de ajuda da Conferência dos Bispos Católicos da Inglaterra e do País de Gales – emitiu um comunicado destacando que as ações de Israel ocorrem um mês após o bloqueio de ajuda humanitária essencial, depois do deslocamento forçado de 140 mil pessoas nas últimas duas semanas e da emissão, ontem, de ordens de evacuação forçada para partes do norte de Gaza.
"Qualquer proposta de tomada de terras e deslocamento forçado de palestinos viola o Direito Humanitário Internacional e é inaceitável", afirmou Elizabeth Funnell, representante do Programa da CAFOD para o Oriente Médio.
"A CAFOD condena veementemente o anúncio de Israel de expandir suas operações militares e tomar grandes áreas de Gaza", disse ela.
A guerra em Gaza começou após um ataque surpresa de militantes do Hamas em 07-10-2023, que deixou 1.200 israelenses mortos e mais de 250 feitos reféns. Dos cerca de 100 reféns que ainda permanecem em Gaza, um terço é considerado morto, segundo as Forças de Defesa de Israel.
Israel lançou imediatamente uma ofensiva retaliatória em Gaza para remover o Hamas do poder, e o conflito subsequente resultou na morte de mais de 40.000 pessoas em Gaza, de acordo com estimativas palestinas.
Um acordo de paz firmado no início deste ano foi rompido, e Israel intensificou seus ataques a Gaza.
"A paz e a segurança só podem ser alcançadas garantindo a responsabilização e o retorno ao diálogo. A retomada dos combates já levou ao deslocamento de um grande número de pessoas, para muitas das quais este será apenas mais um entre vários deslocamentos. Os palestinos devem ter o direito de retornar às suas casas e reconstruir suas vidas. Não pode haver presença permanente de Israel em Gaza sem violação do Direito Internacional", afirmou Funnell.
"Dado o risco de graves violações do Direito Humanitário Internacional, o governo do Reino Unido deve agir com urgência e determinação para suspender a venda de armas e tomar medidas concretas para responsabilizar Israel", acrescentou.
Ela destacou que a parceira da CAFOD na Igreja, a Caritas Jerusalém, continua respondendo às necessidades urgentes em Gaza, incluindo o fornecimento de apoio à saúde mental para crianças diante do imenso impacto psicológico da violência.
"No entanto, até mesmo esse trabalho não está isento de riscos. Hoje, funcionários da Caritas relataram ataques aéreos próximos ao seu ponto médico no campo de refugiados de Jabalia. Dez dias atrás, oito membros do Crescente Vermelho Palestino foram mortos pelas forças israelenses enquanto tentavam alcançar pessoas feridas no sul de Gaza. Trabalhadores humanitários não são alvos", disse Funnell.
Ela afirmou que a crise humanitária em Gaza "é catastrófica".
"No último mês, Israel bloqueou completamente a entrada de ajuda humanitária – o fechamento mais longo desde outubro de 2023. Na terça-feira, o Programa Alimentar Mundial anunciou que esgotou seus estoques de farinha de trigo, o que levou ao fechamento de suas padarias", explicou.
"Centenas de milhares de pessoas estão em risco de fome severa e desnutrição em Gaza. O sistema de saúde está em colapso devido à escassez crítica de suprimentos, e a falta de água continua sendo uma preocupação urgente. O número de mortes em Gaza já ultrapassa 50.000 desde outubro de 2023, sendo 30% delas crianças – a UNICEF relatou que mais de 322 crianças foram mortas desde que Israel lançou uma nova ofensiva em Gaza há duas semanas", afirmou.