O toque de Scicluna na Cúria Romana: ele pede uma conversão ao estilo sinodal

Arcebispo Charles Scicluna. (Foto: Reprodução | Arquidiocese de Malta)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Dezembro 2024

  • O Papa não sentiu a necessidade de uma exortação pós-sinodal, mas acredito que isso ocorre porque ele sabe que a sinodalidade trata das relações transformadoras que praticamos no terreno. Inclusive na Cúria Romana.

  • Scicluna percebe que um dos desafios será a conversão da Cúria Romana para esse estilo de liderança, porque nós também devemos ser capazes de nos relacionar com a Cúria Romana, especialmente com os dicastérios, nesse espírito sinodal.

  • Quanto à questão da mulher na Igreja no Documento Final do Sínodo, o arcebispo não esconde certa decepção: "Acredito que poderíamos fazer melhor. O documento é importante. Mas é apenas um documento".

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 04-12-2024.

"Eu adorei a conclusão do Sínodo ao ouvir o Papa Francisco basicamente dizer: 'Está bem, já é suficiente. Basta. Já falamos o suficiente. Já discutimos o suficiente. Já escrevemos o suficiente. Agora vamos sair e fazer.'” Um mês após o encerramento, o arcebispo de Malta, Charles Scicluna, reflete, em entrevista à revista America, sobre esse evento histórico do qual, destaca ele, a Cúria Vaticana também deve tomar nota.

"O Papa não sentiu a necessidade de uma exortação pós-sinodal, mas acredito que isso ocorre porque ele sabe que a sinodalidade, em última análise, trata das relações transformadoras que praticamos no terreno. Inclusive na Cúria Romana, é claro", destaca o arcebispo, de 65 anos, e um dos homens-chave deste Papa na luta contra os abusos na Igreja.

"Sou grato pela sabedoria do Papa. Ele disse: 'Estou aprovando este documento, e não haverá uma exortação pós-sinodal. Isso é tudo'”, ressaltando, assim, que "o trabalho realizado por este último sínodo é também a palavra e o magistério do Santo Padre. Isso é muito positivo. Ele também esteve muito presente. Ele estava lá quando foi lido e estava lá quando foi aprovado".

Scicluna percebe, após essas duas assembleias sinodais em anos consecutivos, que "um dos desafios, é claro, será a conversão da Cúria Romana para esse estilo de liderança, porque nós, bispos, também devemos ser capazes de nos relacionar com a Cúria Romana, especialmente com os dicastérios, nesse espírito sinodal".

"Precisamos incutir uma cultura de transparência e prestação de contas em todos os níveis. Em alguns âmbitos isso melhorou, mas ainda há trabalho a ser feito. A Cúria Romana não pode mais dizer: 'A lei é estabelecida aqui e deve ser obedecida lá fora'. Alguns interpretam a postura das mãos das estátuas de São Pedro e São Paulo em frente à Basílica Vaticana como se dissessem exatamente isso. Minha esperança é que haja uma nova interpretação mais inclusiva".

Sobre as mulheres, "poderia ter sido melhor"

Quanto à questão da mulher na Igreja no Documento Final do Sínodo, o arcebispo maltês não esconde certa decepção: "Acredito que poderíamos fazer melhor. O documento é importante. Mas é apenas um documento. Começaria com a experiência de ter mulheres em nossas mesas e de interagir conosco em um nível de igualdade".

"Essa é uma experiência transformadora muito importante, e, em última análise, é a experiência vivida que transforma as pessoas, não a teoria. Se você quer se relacionar com as mulheres, não se limite a falar ou escrever sobre elas. Relacione-se com elas! Em Malta, já temos mulheres no conselho do arcebispo, em nosso grupo de mídia, no tribunal, etc. Acredito que essa é a direção que devemos seguir".

"O documento está aberto à participação das mulheres em todos os aspectos da vida da Igreja. Mas, no fim das contas, é o que fazemos com ele que realmente transformará a Igreja, não o documento em si".

Leia mais