"Casais homossexuais, relações com a China. Por isso critico o Papa Francisco". Entrevista com Gerhard Ludwig Müller

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24 Janeiro 2023

“Não sou inimigo do Papa Francisco. Eu sou um teólogo. E o Papa pode ter certeza de que, quando me pede para dizer uma palavra, vou dizer a verdade, não uma argumentação a favor de meus amigos”. O cardeal Gerhard Ludwig Müller, 75 anos, curador da obra completa de Ratzinger, foi prefeito do antigo Santo Ofício de 2012 a 2017, quando Francisco o substituiu, “claro que fiquei desapontado, sou um ser humano, algumas fontes próximas disseram ao Papa que ‘Müller era muito rígido’ mas ele não me disse nada”. O cardeal nunca poupou críticas a Francisco e agora as resumiu em um livro-entrevista escrito com Franca Giansoldati, das restrições à missa em latim até a reforma da Cúria.

A entrevista é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 23-01-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Existe um "círculo mágico" em torno do Papa?

Veja, eu acho que o Papa deveria ter conselheiros competentes. Sua missão exigiria competências teológicas e exegéticas que faltam. Seria importante pedir a ajuda da Cúria Romana, e não apenas dos amigos pessoais. A Cúria é um ente eclesiológico e não um instrumento passivo, como foi reduzida na última reforma. Cada um tem seus amigos, mas também deve ter confiança nos colaboradores. A nomeação de um bispo, por exemplo, deve ser preparada, um candidato deve ser escolhido com base em suas capacidades intelectuais e pastorais, e não porque é amigo do amigo que o recomenda.

Há quem pense que o seu seja um manifesto de oposição a Francisco...

Polêmicas e discordâncias não são a minha perspectiva. A Igreja Católica não é um Estado, não é possível dividi-la em governo e oposição, somos uma colegialidade e fraternidade de bispos sub Petro. O Papa é o sucessor de Pedro, reconheço-o como católico, bispo e cardeal. Mas, por outro lado, não é Deus na Terra. Além disso, deve ser feita uma distinção entre atos relativos à doutrina e as outras opiniões, como aquelas políticas. Não é que não possamos falar a nossa opinião.

Por exemplo?

“A relação com o regime chinês. Agora Pio XII está sendo criticado por sua atitude em relação Mussolini e Hitler, mas temos que aprender algo com o passado, certo? A Igreja deve sempre defender a dignidade humana, não pode ignorar essa brutal ditadura comunista que nega os direitos humanos. Uma coisa é tratar, mas não se pode transigir com o mal."

O senhor acusou o Papa pela "destituição" de alguns bispos.

“A hierarquia não é uma forma de autocracia. O Papa deve respeitar o direito divino dos bispos, que não são os empregados do Papa, mas foram instituídos por Jesus. Pedro não era o ditador dos apóstolos”.

E Francisco?

“Alguns bispos se sentiram maltratados. Fora os casos extremos, se alguém age contra a fé, não se pode destituir um bispo assim, porque não agrada. Os bispos não são executores e não sou eu que o digo, mas o Concílio. Mesmo um bispo, em sua diocese, não pode tratar os sacerdotes como se fossem seus servos”.

Mas então por que vê na Igreja um perigo oposto de "democratização"?

“A Igreja não é uma democracia, onde o povo é o soberano e as decisões são tomadas por maioria. A Igreja é o povo de Deus onde Deus é o soberano. Nem mesmo o Papa e os bispos são os soberanos da Igreja”.

O senhor contesta o que disse o cardeal Martini: a Igreja está duzentos anos atrasada.

Porque é falso. Não se pode ter esse critério. A Igreja é a plenitude da salvação e da verdade que veio de Jesus, não é uma organização humana. Uma coisa é responder aos desafios de hoje, mas o conteúdo e a substância da Revelação não podem ser mudados de acordo com a vontade dos tempos.

É por isso ainda diz que os homossexuais são "contra a natureza"?

Deus criou o homem e a mulher, esta é a base da fé.

Vários cardeais e bispos reconhecem o valor do amor nas uniões entre pessoas do mesmo sexo...

Também houve cardeais e bispos que ensinaram heresias." Bento XVI, no Mosteiro, foi um elemento de equilíbrio, no Vaticano há quem tema que depois de sua morte, a ala hostil a Francisco deixe de se conter... Mas não, é um discurso que não aceito. Não somos uma realidade política onde existem duas alas opostas. No máximo, existem ortodoxos e hereges.

Haverá outros papas eméritos?

Aceitei a decisão pessoal de Bento XVI, mas não consigo entendê-la. Acredito que a renúncia deveria ser normatizada. Jesus instituiu o papado e o episcopado por toda a sua vida, até o martírio".

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