Conflitos internos. Em torno dos restos mortais de Bento XVI, acerto de contas no Vaticano

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05 Janeiro 2023

Ainda antes do funeral do ex-papa, o anúncio da publicação das memórias sulfurosas de seu secretário particular faz alvoroçar a cúria romana. E sugere guerras de sucessão à medida que o fim do pontificado de Francisco se aproxima. -- No Vaticano, a vingança é, sem dúvida, um prato que se come quente. Enquanto os fiéis desfilam diante dos restos mortais do Papa Emérito Bento XVI, expostos na Basílica de São Pedro desde segunda-feira, seu secretário particular Georg Gänswein já está sacudindo os círculos muito fechados da cúria romana.

A reportagem é de Bernadette Sauvaget, publicada por Libération, 04-01-2023.

Em livro a ser publicado em janeiro pela editora italiana Piemme, pertencente ao grupo Mondadori e intitulado Nada além da verdade: minha vida com o Papa Bento XVI, o arcebispo alemão promete revelar "as calúnias óbvias", as "manobras obscuras", os mistérios e os escândalos que dificultaram a ação de Joseph Ratzinger à frente da Igreja Católica.

Nient'altro che la verità. La mia vita al fianco di Benedetto XVI

O caso, rapidamente orquestrado, promete um acerto de contas sagrado. Para anunciar a cor, o fiel Gänswein e seu editor não esperaram, de fato, até que o funeral do papa alemão fosse celebrado – será na manhã de quinta-feira – nem até que os restos mortais de Ratzinger fossem enterrados na cripta onde jaz papas modernos sob a Basílica de São Pedro. Essa pressa é singularmente carente de elegância e até parece deslocada.

Para ocupar o terreno, o secretário particular do saudoso papa, que parece não respeitar ele próprio o tempo do luto, já concedeu uma entrevista à Rai, a televisão pública italiana. Produzido por um nome do jornalismo transalpino, Ezio Mauro, ex-chefe dos dois grandes jornais diários La Stampa e La Reppublica, será transmitido na noite de quinta-feira. Mas trechos já foram publicados na segunda-feira no La Reppublica. Ganswein volta a isso em particular sobre as condições da renúncia de Bento XVI em fevereiro de 2013. O papa o havia informado dessa decisão em setembro de 2012. Seu secretário particular teria, segundo suas palavras, tentado dissuadi-lo de deixar seu escritório.

Coqueluche de uma franja católica ultraconservadora

Se o livro que está por vir preocupa os círculos de poder da Igreja Católica, é porque Georg Gänswein não é qualquer um. O homem de 68 anos é o queridinho de um católico ultraconservador que usou repetidamente a aura de Bento XVI para tentar se opor à autoridade de Francisco. Gänswein trabalhou quase trinta anos ao lado do futuro papa, que conheceu em 1995. Ratzinger fez dele seu secretário particular em 2003, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, guardião do dogma e número três no Vaticano. E se manteve ao seu lado até o fim.

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