Patriarcado de Moscou critica o Papa Francisco: usa tons errados

Mais Lidos

  • “A destruição das florestas não se deve apenas ao que comemos, mas também ao que vestimos”. Entrevista com Rubens Carvalho

    LER MAIS
  • Povos Indígenas em debate no IHU. Do extermínio à resistência!

    LER MAIS
  • “Quanto sangue palestino deve fluir para lavar a sua culpa pelo Holocausto?”, questiona Varoufakis

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Zooliteratura. A virada animal e vegetal contra o antropocentrismo

Edição: 552

Leia mais

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

05 Mai 2022

 

Lamentamos, porque é deplorável que o Papa, um mês e meio depois da conversa com o Patriarcado de Moscou, tenha escolhido o tom errado para relatar alguns conteúdos. Essa frase é relançada por alguns sites russos que falam da resposta de Kirill às palavras do Papa ontem na entrevista ao Corriere della Sera. As críticas de Kirill foram publicadas com um Comunicado da Igreja Ortodoxa no site do Patriarcado.

 

A reportagem é publicada por Il sismografo, 04-05-2022. A tradução de Luisa Rabolini.

 

O comentário assinado pelo Departamento de Relações Exteriores, liderado pelo Metropolita Hilarion diz: "É deplorável que um mês e meio após a conversa com o Patriarca Kirill, o Papa Francisco tenha escolhido o tom errado para transmitir o conteúdo dessa conversa. É improvável que tais declarações possam contribuir para o estabelecimento de um diálogo construtivo entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Russa, o que é particularmente necessário neste momento.

 

Aqui está o que o Patriarca disse concretamente durante sua conversa com o Papa Francisco em 16 de março: "Agradeço pela oportunidade de organizar esta conversa. Quando nos encontramos em Cuba em 2016, eu lhe disse que nos encontramos na hora certa e no lugar certo. E embora agora nossa conversa aconteça via meios de comunicação remotos, estou convencido de que estamos conversando novamente no momento certo. Com sua permissão, gostaria de compartilhar com você minha visão da situação difícil que vivemos atualmente. Claro, vivemos em campos de informação diferentes: os meios de comunicação ocidentais quase não falaram de alguns fatos para os quais gostaria de chamar a vossa atenção”.

 

O Patriarca Kirill observou que o conflito começou em 2014 com os eventos do Maidan em Kiev, que levaram a uma mudança de poder na Ucrânia. Em particular, ele chamou a atenção do interlocutor para os eventos em Odessa e suas consequências: “Uma manifestação pacífica de moradores de língua russa ocorreu nesta cidade, que pretendiam defender seu direito de usar sua língua e cultura materna. Essa reunião pacífica foi atacada por membros de alguns grupos nazistas que começaram a bater nos manifestantes com paus. As pessoas começaram a buscar refúgio no prédio vizinho da Casa dos Sindicatos. E naquele momento algo terrível aconteceu: o prédio foi trancado e depois incendiado. As pessoas tentavam escapar pulando do segundo ou terceiro andar e, obviamente, se matavam. Aqueles que se aproximavam das janelas, com medo de pular, eram fuzilados de baixo. Acompanhamos tudo isso na televisão quase ao vivo. Essa horrível ‘lição’ de Odessa influenciou a decisão do povo do sudeste da Ucrânia de defender seus direitos".

 

Além disso, o Patriarca Kirill lembrou que, no final da era soviética, a Rússia recebeu garantia de que a OTAN não se moveria um centímetro para leste. No entanto, essa promessa foi quebrada e até mesmo algumas das ex-repúblicas soviéticas do Báltico aderiram à OTAN. Como resultado, uma situação muito perigosa se desenvolveu: as fronteiras da OTAN estão localizadas a 130 quilômetros de São Petersburgo, o tempo de voo dos mísseis é de apenas poucos minutos. Se a Ucrânia fosse admitida na OTAN, o tempo de voo para Moscou também seria de poucos minutos. A Rússia não podia e não pode permitir que isso aconteça.

 

Concluindo, o Patriarca ressaltou: “É claro que esta situação me fere profundamente. Meu rebanho está em ambos os lados do conflito, são em maioria pessoas ortodoxas. Parte também pertence ao Seu rebanho. Portanto, eu gostaria, abstraindo o componente geopolítico, de levantar a questão de como nós e nossas Igrejas podemos influenciar o estado das coisas? Como podemos contribuir para a pacificação com um único objetivo: alcançar o fortalecimento da paz e da justiça? É muito importante nas condições atuais evitar uma maior escalada”.

 

A resposta do Papa Francisco foi resumida corretamente pela Sala de Imprensa do Vaticano na mensagem de 16 de março: "Agradecendo ao Patriarca de todas as Rússias pelo encontro", motivado pelo desejo de indicar, como pastores de seu povo, um caminho para a paz, o Papa concordou com o Patriarca que “a Igreja não deve usar a linguagem da política, mas a linguagem de Jesus”. "Somos pastores do mesmo Povo Santo que crê em Deus, na Santíssima Trindade, na Santa Mãe de Deus: para isso devemos nos unir no esforço de ajudar a paz, ajudar os que sofrem, buscar caminhos de paz, para parar o fogo".

 

Conforme referido na mesma mensagem, "as partes destacaram a excepcional importância do processo de negociação em curso". 

 

Leia mais

 

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Patriarcado de Moscou critica o Papa Francisco: usa tons errados - Instituto Humanitas Unisinos - IHU