Ambientalistas reforçam críticas à exploração de petróleo na Foz do Amazonas

Foto: Greenpeace

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18 Agosto 2026

Enquanto a Petrobras gastará R$ 3,3 bi em poços e políticos comemoram, entidades lembram riscos ambientais e urgência da transição energética.

A informação é publicada por ClimaInfo, 18-06-2026.

“Antes de qualquer celebração, o que se sabe é que há indícios de petróleo, bem como há um histórico recente de falha operacional no próprio poço; há um afastamento de compromissos climáticos. É risco sendo vendido como conquista. Não queremos petróleo na Amazônia.”

A fala da coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade destacada pelo SBT News resume a reação de organizações ambientalistas e da sociedade civil ao anúncio do encontro de indícios de hidrocarbonetos no poço Morpho, que a Petrobras está perfurando no bloco FZA-M-59 na Foz do Amazonas. O comunicado da empresa foi comemorado por políticos e pela indústria de petróleo e gás. Mas, além de ainda ser uma incógnita – a própria presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou que não se pode dizer que é comercial -, a suposta descoberta traz novamente à tona os imensos riscos ambientais da atividade petrolífera na região. Sem falar no agravamento das mudanças climáticas que esse petróleo – se houver e for extraído – provocará quando for queimado.

“É preciso separar descoberta de viabilidade. A existência de petróleo não significa que sua exploração seja ambientalmente aceitável ou compatível com os compromissos climáticos do país. O Brasil precisa discutir que modelo de desenvolvimento pretende construir, em vez de transformar cada nova descoberta em argumento para prolongar a era dos combustíveis fósseis”, reforçou Juliano Bueno, do Instituto Arayara.

A Petrobras anunciou investimentos de R$ 3,3 bilhões na perfuração de quatro poços no Bloco 59 (Morpho e outras três perfurações), informam Folha e CNN Brasil. Para o especialista em transição energética do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, essa cifra, juntamente com todos os recursos necessários para viabilizar a produção de combustíveis fósseis na região (se houver descoberta comercial, vale lembrar), poderia ser utilizada de forma mais eficiente no avanço das fontes renováveis. Ainda mais diante de projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a demanda mundial por petróleo atingirá seu pico até 2030 – dois a três anos antes do possível início da extração de óleo na costa do Amapá, segundo as previsões de Magda Chambriard.

“Nossa análise de custo-benefício feita com a metodologia do próprio governo federal mostra que aplicar cerca de R$ 32 bilhões, que é o que custaria desenvolver um grande FPSO (navio-plataforma) na Foz do Amazonas, esse mesmo investimento em eletrificação renovável geraria um retorno positivo de R$ 25 bilhões para a sociedade”, detalhou Fujii.

Além disso, o especialista aponta incertezas na metodologia do licenciamento ambiental, que falhou em estimar os possíveis impactos de um vazamento de petróleo. “A modelagem de dispersão apresentada pela Petrobras utilizou dados hidrodinâmicos de 2013, embora já existam dados mais recentes de 2024.”

Inicialmente, a petrolífera apresentou estudos no processo de licenciamento que descartavam a possibilidade de um vazamento de petróleo no Bloco 59 chegar à costa do Amapá e do Pará, que, junto com o Maranhão, abriga o maior manguezal do Brasil e o 2º maior do mundo. No entanto, recentemente a DW Brasil mostrou um novo relatório da Petrobras admitindo que o petróleo vazado pode atingir o litoral do país.

Talvez por isso a empresa tenha decidido monitorar a porção norte do Parque Nacional do Cabo Orange, uma Unidade de Conservação no extremo norte do Amapá, informa a Folha. Os 590 km de litoral por onde se estende o Cabo Orange são um gigante berçário de peixes, uma área de mangue e floresta que garante a alimentação e a reprodução dos animais e a sobrevivência de milhares de pescadores. Na região também estão territórios tradicionais onde vivem 12 mil indígenas de quatro etnias, cuja subsistência depende do ciclo das marés e da qualidade ambiental para a pesca, a caça e os roçados.

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