25 Junho 2026
Enquanto isso, Magda Chambriard quer que o Brasil decida se quer impostos sobre o petróleo ou “ir para a selva e ter um ar maravilhoso".
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 25-06-2025.
Um eventual vazamento de petróleo na Foz do Amazonas poderia atingir a costa brasileira. Quem diz isso não é o Greenpeace ou o WWF, mas a própria Petrobras, que, no momento, está concluindo a perfuração do poço Morpho no bloco FZA-M-59, no litoral do Amapá.
A informação consta de um relatório apresentado pela petrolífera ao IBAMA, ao qual Nádia Pontes, da DW, teve acesso. Segundo as novas modelagens de derrame de óleo no mar apresentadas pela Petrobras, há chance de manchas de óleo atingirem Calçoene e Oiapoque, no extremo norte amapaense.
Até então, a empresa afirmava que as análises realizadas para a licença de perfuração do poço de exploração de combustíveis fósseis no Bloco 59, obtida em outubro de 2025, demonstravam que as correntes marítimas levariam um hipotético derramamento de petróleo em direção contrária à costa brasileira. Vale lembrar que em janeiro, durante a abertura do poço, houve o vazamento de 18.000 litros de fluido de perfuração.
O relatório atualizado também mostra um estrago maior além dos limites da bacia da Foz do Amazonas. No Caribe, são maiores as chances do óleo chegar a Trinidad e Tobago, Granada, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Martinica e Barbados. No continente sul-americano, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa também poderiam ser atingidos.
Em todos esses locais, a probabilidade varia conforme o período analisado: de dezembro a junho ou de julho a novembro. As simulações feitas pela Petrobras consideraram esses dois intervalos por conta das variações nas condições ambientais, como correntes, ventos e marés.
“Em ambos os períodos considerados no estudo de modelagem, as áreas de probabilidade de ocorrência de óleo se estendem para regiões além do limite da Bacia da Foz do Amazonas, com altas probabilidades, alcançando as Zonas Econômicas Exclusivas (ZEEs) de vários países da América do Sul e do Caribe”, afirma o documento.
Os riscos da exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas vêm sendo apontados e reforçados há anos, não apenas pelos impactos ambientais na região, mas pela urgência de se substituir os combustíveis fósseis para combater as mudanças climáticas. Ainda assim, a Petrobras insiste na expansão da atividade. E sua presidente, Magda Chambriard, não se cansa de desprezar a urgência da transição energética.
Na 3ª feira (23/6), Magda disse que o Brasil precisa decidir se quer gerar impostos e desenvolvimento com a produção de petróleo ou “ir para a selva e ter um ar maravilhoso”, destaca Nicola Pamplona na Folha. Segundo ela, abandonar os combustíveis fósseis “vai significar abrir mão de R$ 277 bilhões em tributos, porque foi o que nós pagamos no ano passado”.
Não satisfeita, a presidente da Petrobras ainda disse que o Plano Clima do governo brasileiro tem que considerar “a construção do futuro do Rio de Janeiro, a construção do futuro do Brasil”. “Não tem Plano Clima se não tiver sociedade, né? Então é muito fácil, olha, fecha tudo, vamos todo mundo para selva e vamos ter um ar maravilhoso”, afirmou, em evento na Federação das Indústrias do RJ (Firjan).
Não se pode esperar muito de quem repetiu a frase de Donald Trump – “Drill, baby, drill!” – ao se referir à exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas. Mas os equívocos de Magda são cada vez mais evidentes.
A presidente da Petrobras erra feio ao associar petróleo à riqueza – e o estado do Rio de Janeiro que ela cita, extremamente endividado e tomado pela violência e pela carência de serviços básicos, é um exemplo claro. E ao (fingir) ignorar que queimar petróleo, gás fóssil e carvão não apenas polui o ar, mas também muda o clima. Mudanças essas que matam cada vez mais pessoas em todo o mundo. Não há imposto que remedie isso.
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