"O petróleo e o gás destruíram o planeta. O dilúvio está chegando". Entrevista com Stephen Markley

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18 Agosto 2026

O escritor americano, autor do romance distópico sobre os danos ambientais: "A energia sustentável nos salvará, mas não resta muito tempo."

“Para vencer a batalha contra as mudanças climáticas, não basta combater a poluição da atmosfera terrestre; também precisamos lidar com a poluição da informação, que está destruindo o jornalismo verdadeiro, inundando-nos com propaganda e notícias falsas.” Este é o alerta de Stephen Markley, jornalista e escritor americano que passou dez anos escrevendo "The Flood", o romance distópico sobre um futuro próximo que se tornou um best-seller mundial, publicado na Itália pela Einaudi em 2024 e baseado em pesquisas rigorosas sobre o rumo do nosso planeta: uma ficção científica ou fantasia política que descreve uma situação cada vez mais realista, incluindo incêndios florestais, inundações e furacões. Conversamos com ele por telefone, de seu estado natal, Ohio.

A entrevista é de Enrico Franceschini, publicada por La Repubblica, 18-08-2026.

Eis a entrevista.

Bom dia, Stephen, como está o tempo aí na sua casa hoje?

Nada mal, uma chuvinha, o primeiro alívio depois de um longo período de calor e umidade assustadores.

Foi um verão longo e quente…

Passei a maior parte do tempo na Europa e vi em primeira mão as ondas de calor na Itália e na França.

Conversamos há um ano e meio, quando Los Angeles estava em chamas. Agora a Europa está em chamas.  Você viu as fotos dos parques e jardins de Londres todos amarelos?

Sim, eu vi, e não me surpreende, porque é o mundo sobre o qual tenho pregado há muito tempo. O que aconteceu neste verão é uma amostra do que nos espera nos próximos anos. Precisamos entender que 2026 não será um verão ruim; poderá ser o melhor verão que já tivemos, porque cada verão subsequente será pior.

Em janeiro de 2025, você previu que, com o retorno de Donald Trump, um negacionista ferrenho das mudanças climáticas, à Casa Branca, os esforços da comunidade mundial para conter o aumento das temperaturas globais encontrariam novos obstáculos: isso aconteceu?

Trump e o Partido Republicano têm sido obviamente péssimos em relação às mudanças climáticas, fazendo tudo o que podem para piorar a situação. Mas, ao mesmo tempo, suas ações não frearam a transição global para energia sustentável, baterias solares e turbinas eólicas: basta pensar que os Estados Unidos estão testemunhando um grande impulso em direção à energia renovável. Os apelos dos ambientalistas foram atendidos, talvez porque a energia sustentável custe menos e funcione melhor.

Em um artigo publicado no jornal Repubblica, o escritor italiano Antonio Scurati descreveu este mês de agosto como um apocalipse. Ainda há tempo para evitá-lo?

Embora a situação seja muito séria, ainda temos motivos para não desesperar. Inevitavelmente, teremos mais más notícias sobre o clima. Mas cada décimo de grau de calor que conseguirmos reduzir fará diferença para bilhões de vidas humanas. Cada pequeno passo à frente que dermos será sentido pelas gerações futuras. E, pela primeira vez desde que as mudanças climáticas se tornaram um problema, a economia está do nosso lado, porque os benefícios econômicos da energia sustentável são cada vez mais evidentes.

É como uma guerra contra uma espécie alienígena que ameaça a Terra?

Sim, mas infelizmente, essa espécie alienígena somos nós, então é ainda mais difícil combatê-la. E é difícil porque as indústrias de combustíveis fósseis, petróleo e gás nos desinformaram por décadas sobre as consequências devastadoras, verdadeiramente apocalípticas, de seus combustíveis para o planeta. Agora eles querem que acreditemos que podemos nos adaptar às mudanças climáticas, conviver com elas, mas a violência da mudança é tão extrema que não seremos mais capazes de funcionar como sociedade, como planeta, a menos que a detenhamos revertendo nosso rumo.

Será possível que, diante do que está acontecendo, ainda existam pessoas que não acreditam no efeito estufa?

Isso é possível porque, além dos combustíveis fósseis que poluem a atmosfera da Terra, outro envenenamento está em curso: o da informação. O tecnocapitalismo atual degradou o bom jornalismo, notícias falsas e lixo substituíram os fatos e a realidade, e as redes sociais disseminam mentiras como se fossem verdades. Portanto, se os defensores do meio ambiente quiserem vencer essa batalha, devem lutar não apenas contra o efeito estufa na atmosfera terrestre, mas também contra o impacto da desinformação na mídia.

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