Sete passos para uma energia limpa: Guterres desafia o mundo a abandonar combustíveis fósseis

Foto: GI/Canva

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25 Junho 2026

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou um plano em sete passos para acelerar a transição para energias limpas, desafiando o mundo a romper definitivamente com a dependência dos combustíveis fósseis. O desafio foi lançado esta segunda-feira, 22 de junho, durante uma intervenção no âmbito da Semana de Ação Climática de Londres, em que o responsável das Nações Unidas defendeu que a humanidade vive um “momento de verdade” perante a crise climática e energética, mas também uma “oportunidade de ouro” para construir um futuro mais justo e sustentável.

A informação é publicada por 7 Margens, 23-06-2026.

Num discurso em que descreveu a situação atual como uma “história de duas crises”, Guterres afirmou que as alterações climáticas e a insegurança energética são problemas profundamente interligados. Em ambos os casos, sustentou, a causa principal continua a ser a dependência mundial dos combustíveis fósseis.

O secretário-geral alertou então para a aproximação de pontos de não retorno ecológicos. Entre os riscos apontados incluem-se o colapso dos recifes de coral, o acelerado degelo das camadas de gelo da Gronelândia e da Antártida Ocidental e a consequente subida do nível do mar, capaz de deslocar milhões de pessoas. Referiu ainda a possibilidade de partes da floresta amazônica se transformarem em savana.

Guterres recordou também que os últimos onze anos foram os mais quentes de que há registo e criticou o contraste entre os impactos crescentes da crise climática e os lucros das grandes empresas petrolíferas. Segundo os dados apresentados, as oito maiores empresas do setor obtiveram lucros extraordinários de 6,5 mil milhões de dólares apenas no primeiro trimestre deste ano.

“O preço da inovação não pode permanecer escondido”

Uma das passagens mais marcantes da intervenção foi dedicada à inteligência artificial. Pela primeira vez, o secretário-geral exigiu maior transparência por parte das grandes empresas tecnológicas sobre os custos ambientais desta tecnologia. Até 2030, advertiu, os sistemas de inteligência artificial poderão consumir mais eletricidade do que a maioria dos países e utilizar água suficiente para abastecer 1,3 mil milhões de pessoas na África Subsaariana durante um ano.

“O preço da inovação não pode permanecer escondido”, defendeu, acrescentando que os benefícios da inteligência artificial não podem ser alcançados à custa das populações mais vulneráveis.

Reconhecendo que a transição energética está a ganhar força, Guterres assinalou também que, no último ano, a capacidade instalada de energias renováveis permitiu evitar cerca de 480 mil milhões de dólares em custos relacionados com combustíveis fósseis, enquanto os investimentos em energia limpa atraíram quase o dobro dos recursos destinados às fontes energéticas poluentes.

No entanto, denunciou as desigualdades persistentes no acesso a esse investimento. África, que concentra 60% dos melhores recursos solares do planeta e 30% dos minerais críticos para a transição energética, recebe apenas 2% do investimento global em energia limpa. E mais de 600 milhões de pessoas no continente continuam sem acesso à eletricidade.

O plano, ponto por ponto

Para responder a estes desafios, o secretário-geral apresentou então uma estratégia em sete pontos. O primeiro passa por manter vivo o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius e reduzir drasticamente as emissões de metano; o segundo prevê a taxação dos lucros extraordinários das empresas petrolíferas e a modernização das infraestruturas elétricas; a terceira medida centra-se na redução da pegada ecológica da inteligência artificial; o quarto passo propõe uma transição justa que envolva produtores, consumidores, trabalhadores e indústrias; e o quinto visa reforçar a adaptação climática das comunidades mais vulneráveis através de sistemas de alerta precoce, seguros e planeamento resiliente.

Quanto às duas últimas propostas, apontam para uma reforma do sistema financeiro internacional, mobilizando mais recursos para os países em desenvolvimento, e para o combate à desinformação climática através da defesa da ciência, do jornalismo ambiental e do acesso público a informação fiável.

A Semana de Ação Climática de Londres, considerada um dos principais fóruns internacionais sobre ação climática, decorre até 28 de junho, acolhendo ao todo mais de 750 debates e iniciativas que reúnem responsáveis políticos, representantes do setor financeiro, organizações da sociedade civil e especialistas de todo o mundo.

Na sua intervenção, o português procurou transformar o diagnóstico de uma crise global numa proposta de ação concreta. E a mensagem central foi clara: enfrentar as alterações climáticas exige abandonar um modelo energético que considera esgotado e acelerar uma transição capaz de conjugar sustentabilidade, justiça social e cuidado da Casa Comum.

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