Mudanças climáticas: “O dano não termina quando a água baixa ou quando a fumaça diminui”. Entrevista especial com Diego Xavier

“A recomendação principal é muito objetiva: não esperar o desastre acontecer para começar a agir”, alerta pesquisador

Fernando Frazão/Agência Brasil

Por: Luana de Oliveira e Patricia Fachin | 29 Julho 2026

O Super El Niño chegou com força ao Rio Grande do Sul, causando alagamentos e evacuações de pessoas em zonas de risco, principalmente no Vale do Taquari, onde o rio ultrapassou a marca de 21 metros no município de Lajeado. Nessas condições, os cuidados com a saúde e as medidas preventivas contra possíveis doenças são fundamentais.

Recentemente, o Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou uma nota técnica alertando para a formação de um novo El Niño em 2026, com possibilidade de permanência até o início de 2027. A publicação detalha possíveis impactos (como enchentes e incêndios florestais) regionais de Norte a Sul, trazendo informações importantes para a saúde da população. O documento reúne orientações técnicas para autoridades e gestores públicos organizadas em quatro níveis de atuação: atenção, alerta, emergência e recuperação.

Em entrevista especial, concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, o coordenador do Observatório de Clima e Saúde Diego Xavier comenta que além dessas medidas, há a necessidade da implementação de salas de situação climática caracterizadas como “espaços intersetoriais de inteligência para coordenação e decisão, ou seja: reúnem diferentes órgãos para analisar riscos em territórios e não apenas por limites administrativos”.

Sobre os dados da nota relacionados à enchente de 2023-2024, Xavier afirma que “é importante deixar claro que esses impactos não podem ser atribuídos exclusivamente ao El Niño. Eles resultaram da combinação entre o fenômeno, o aquecimento global, as condições do oceano Atlântico, outros sistemas atmosféricos e as vulnerabilidades dos territórios”. O pesquisador salienta ainda que na saúde pública é necessário “preparar urgências e hospitais para afogamentos e traumas, reforçar a vigilância de leptospirose, hepatite A e doenças diarreicas, proteger o abastecimento de água e evitar a interrupção de tratamentos e serviços essenciais”. 

Diego Xavier (Foto: Arquivo Pessoal)

Diego Xavier é pesquisador na Fundação Oswaldo Cruz no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em saúde (ICICT-FIOCRUZ-2019). É doutor em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Publica (ENSP-FIOCRUZ-2021), mestre em Epidemiologia pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-FIOCRUZ-2014) e graduado em Enfermagem pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT-2009). 

Confira a entrevista.

IHU – Por que o El Niño deve ser tratado como um fator de risco sanitário?

Diego Xavier – O primeiro ponto é separar fenômeno climático, risco e desastre. O El Niño modifica as probabilidades de chuva, seca e temperatura em diferentes regiões, mas o dano à saúde aparece quando essas alterações encontram populações expostas e territórios vulneráveis, com pouco saneamento, ocupação de áreas de risco, infraestrutura precária e serviços públicos que já operam sob pressão.

Por isso, nós o tratamos como condicionante de risco climático e sanitário, e não como causa única de todos os eventos extremos. No Sul, ele pode favorecer chuvas intensas, inundações e deslizamentos; no Norte e em parte do Nordeste, pode agravar a seca, calor, queimadas e insegurança hídrica. Cada um desses cenários produz efeitos sanitários diferentes: traumas, doenças transmitidas pela água, agravos respiratórios, desidratação, interrupção de tratamentos e sofrimento mental. Reconhecer esse risco antecipadamente permite que o SUS, a Defesa Civil, o saneamento e a assistência social se preparem antes que o evento se transforme em desastre.

IHU – Quais foram os principais impactos observados na saúde da população com o El Niño de 2023-2024?

Diego Xavier – O El Niño de 2023-2024 mostrou, de forma muito dura, os efeitos em cascata que eventos climáticos podem produzir. No Rio Grande do Sul, as inundações de 2024 afetaram, ainda no início da emergência, quase 850 mil pessoas em 341 municípios e alcançaram 110 hospitais, estes dados estão disponíveis no Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz.

Houve mortes, afogamentos, traumas, deslocamento de famílias, interrupção de serviços essenciais, exposição à água contaminada e aumento do risco de leptospirose e outras doenças infecciosas. Em outras regiões, especialmente na Amazônia, a seca, a baixa dos rios, as queimadas e a fumaça comprometeram o transporte, o abastecimento de água, o acesso aos serviços e a saúde respiratória e cardiovascular. Ao mesmo tempo, a Região das Américas viveu a maior epidemia de dengue de sua história, com mais de 13 milhões de casos em 2024.

É importante deixar claro que esses impactos não podem ser atribuídos exclusivamente ao El Niño. Eles resultaram da combinação entre o fenômeno, o aquecimento global, as condições do oceano Atlântico, outros sistemas atmosféricos e as vulnerabilidades dos territórios. O aprendizado central é que o dano não termina quando a água baixa ou quando a fumaça diminui: permanecem a interrupção de tratamentos, o sofrimento mental, a perda de renda, o deslocamento e a pressão prolongada sobre o SUS.

IHU – Na nota técnica publicada pela UFSM e pela Fiocruz, quais são as principais recomendações para enfrentar o El Niño previsto para este ano?

Diego Xavier – A recomendação principal é muito objetiva: não esperar o desastre acontecer para começar a agir. A nota propõe a ativação preventiva de salas de situação climática e sanitária, a revisão dos planos de contingência para enchentes, secas, queimadas e arboviroses e o reforço integrado das vigilâncias meteorológica, hidrológica, ambiental, epidemiológica e assistencial.

Também recomendamos mapear antecipadamente áreas e unidades de saúde vulneráveis, rotas de evacuação, abrigos, sistemas de captação e tratamento de água, serviços de diálise, maternidades, instituições de longa permanência e outros pontos críticos. É necessário acondicionar de forma segura e ágil medicamentos, vacinas indicadas, testes, equipamentos de proteção, soros de reidratação e demais insumos, além de garantir alternativas de energia, água e transporte.

A Atenção Primária tem papel central nessa preparação. Ela deve atualizar cadastros, realizar busca ativa e identificar pessoas que não podem ficar sem cuidado, como gestantes, crianças pequenas, idosos, pessoas acamadas, pacientes em diálise, pessoas que precisam de insulina e usuários de oxigênio domiciliar, por exemplo.

IHU – O que são e como funcionariam as salas de situação climática e sanitária recomendadas pela nota?

Diego Xavier – As salas de situação são espaços intersetoriais de inteligência para coordenação e decisão, ou seja: reúnem diferentes órgãos para analisar riscos em territórios e não apenas por limites administrativos.

Elas devem funcionar permanentemente para integrar dados ambientais, meteorológicos, sanitários e assistenciais. Sua atuação ocorre em quatro fases — atenção, alerta, emergência e recuperação — e depende de dados territoriais, definição clara de responsabilidades, reuniões regulares e autoridade para agir.

IHU – Quais regiões brasileiras tendem a ser mais afetadas pelo El Niño deste ano e quais impactos são esperados para a saúde pública nos diferentes cenários do país?

Diego Xavier – Na Região Sul, a tendência típica é de chuva acima da média, especialmente na primavera, com maior probabilidade de tempestades, enxurradas, inundações e deslizamentos. Para a saúde, isso significa preparar urgências e hospitais para afogamentos e traumas, reforçar a vigilância de leptospirose, hepatite A e doenças diarreicas, proteger o abastecimento de água e evitar a interrupção de tratamentos e serviços essenciais.

No Norte, o cenário mais provável é de redução das chuvas, prolongamento da seca, calor, baixa umidade, diminuição do nível dos rios e maior risco de queimadas. Os principais impactos sanitários são escassez e contaminação da água, insegurança alimentar, isolamento de comunidades, dificuldade de acesso ao cuidado, desidratação e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares pela fumaça. No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos tendem a ser mais variáveis e dependem da atuação de frentes frias, da Zona de Convergência do Atlântico Sul e de outros sistemas.

Essas regiões precisam se preparar para extremos combinados: calor, estiagem, queimadas, tempestades localizadas e arboviroses. Nada disso deve ser lido como uma previsão determinística para cada município. Mesmo um El Niño forte não produz o impacto típico em todos os lugares; por isso, a gestão deve trabalhar com cenários, monitoramento local e gatilhos de ação.

IHU – O SUS está preparado para enfrentar os impactos do El Niño na saúde da população? Quais as recomendações para fortalecer a atuação do sistema diante dos riscos associados a esse fenômeno climático?

Diego Xavier – Não é possível responder apenas com “sim” ou “não”. O SUS possui enormes fortalezas: capilaridade territorial, Atenção Primária, vigilância epidemiológica, laboratórios, assistência farmacêutica, urgência e experiência acumulada em emergências. Mas a capacidade de preparação é muito desigual entre os territórios, e muitas redes já trabalham no limite. Uma nova emergência pode interromper serviços e gerar desassistência justamente onde a população mais depende do sistema público.

Fortalecer o SUS significa torná-lo climaticamente resiliente. Precisamos identificar unidades instaladas em áreas sujeitas a inundação ou isolamento, garantir água, energia, comunicação e rotas alternativas, manter estoques estratégicos e organizar a redistribuição de pacientes quando um serviço for atingido. Também é necessário integrar dados climáticos, ambientais, entomológicos, epidemiológicos e assistenciais em sistemas de alerta precoce.

A Atenção Primária deve conhecer as vulnerabilidades do território e manter contato com quem depende de medicação, diálise, insulina, oxigênio ou acompanhamento contínuo. Hospitais e urgências precisam prever aumentos simultâneos de traumas, infecções, crises respiratórias, descompensações cardiovasculares e dengue grave. E essa não pode ser uma agenda exclusiva da saúde: sem saneamento, habitação, drenagem, proteção ambiental, assistência social e Defesa Civil, o SUS continuará recebendo no fim da cadeia problemas produzidos por decisões tomadas em outras áreas.

IHU – Com base nos dados acompanhados pelo Observatório de Clima e Saúde, quais transformações têm sido observadas na saúde pública brasileira diante da intensificação dos eventos climáticos extremos nos últimos anos?

Diego Xavier – O que observamos não é apenas um aumento na quantidade de ocorrências, mas uma mudança de escala. A saúde pública está sendo obrigada a lidar com eventos mais frequentes, intensos, sobrepostos e prolongados. Depois de uma enchente, por exemplo, surgem lesões, doenças infecciosas, interrupções do cuidado e, mais tarde, efeitos cardiovasculares e de saúde mental. Durante uma seca com queimadas, aumenta a demanda por atendimento respiratório, mas também podem faltar água, transporte e condições de funcionamento para a própria unidade de saúde.

É importante valorizar o fato de que conseguimos enxergar parte dessa transformação porque o Brasil construiu sistemas públicos de informação em saúde de enorme qualidade e uma tradição de dados abertos que antecede até o debate contemporâneo sobre licenças de uso. Esses sistemas têm problemas e sub-registros, como qualquer base produzida em situações emergenciais, mas constituem um patrimônio do SUS. O desafio agora é integrar essas informações às bases ambientais e climáticas e transformá-las em decisão antecipada.

IHU – Que doenças estão associadas aos eventos climáticos extremos?

Diego Xavier – Não existe uma única lista, porque cada tipo de evento produz exposições diferentes. Em enchentes, temos inicialmente afogamentos, traumas, choques elétricos, hipotermia e acidentes com animais peçonhentos. Nos dias e semanas seguintes, aumentam os riscos de leptospirose, doenças diarreicas agudas, hepatite A, tétano acidental, dermatoses, conjuntivites, infecções respiratórias e surtos em abrigos. Nas secas e na escassez hídrica, aparecem desidratação, doenças diarreicas por água insegura, insegurança alimentar e agravamentos renais e cardiovasculares.

Quando a seca favorece queimadas, a exposição à fumaça agrava asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica, pneumonias, infarto e acidente vascular cerebral. Ondas de calor podem causar exaustão térmica e insolação e agravar doenças cardiovasculares, renais e respiratórias.

Também precisamos considerar dengue, chikungunya, zika e, em áreas endêmicas, malária; além de influenza, Covid-19 e outras infecções respiratórias em ambientes coletivos. E há uma dimensão frequentemente invisibilizada: luto, ansiedade, depressão, violência, sofrimento mental e Transtorno de Estresse Pós-traumático. Os eventos extremos também interrompem tratamentos e descompensam doenças crônicas; portanto, o impacto sanitário vai muito além das doenças infecciosas.

IHU – Qual é a correlação entre fenômenos climáticos extremos e a proliferação de doenças tropicais, como dengue?

Diego Xavier – A correlação existe e é bem documentada, mas ela é condicional e não automática. Temperatura, chuva e umidade influenciam a sobrevivência, a reprodução e a distribuição do Aedes aegypti, além do tempo de desenvolvimento do vírus dentro do mosquito.

Dentro de uma faixa térmica favorável, o aquecimento pode acelerar o ciclo do vetor e aumentar a competência de transmissão. Chuvas irregulares podem deixar recipientes com água parada e multiplicar criadouros. A seca também pode aumentar o risco. Quando o abastecimento se torna irregular, as famílias precisam armazenar água e, se os recipientes não estiverem protegidos, criam-se locais de reprodução. Os ovos do Aedes podem permanecer viáveis por mais de um ano em ambiente seco, o que ajuda a explicar a rápida retomada da infestação quando a água retorna. Mas o clima, sozinho, não explica uma epidemia.

É preciso haver vetor, vírus circulante e população suscetível. Urbanização desordenada, saneamento, coleta de resíduos, mobilidade, circulação simultânea de sorotipos, imunidade populacional e capacidade de controle vetorial também são decisivos. Há ainda defasagens entre a alteração climática, o crescimento do mosquito e o aumento de casos. Por isso, a informação climática deve entrar na vigilância como sinal antecipado de risco, e não como explicação única ou previsão automática.

IHU – Alguns pesquisadores afirmam que doenças decorrentes das mudanças climáticas tendem a se intensificar nos próximos anos, à medida que alterações ambientais favorecem a sobrevivência e a expansão de vírus, bactérias e outros agentes infecciosos para regiões onde antes não encontravam condições adequadas. Quais são os principais desafios para a saúde pública diante desse cenário?

Diego Xavier – O primeiro desafio é acompanhar uma geografia de risco que está mudando. O clima não “cria” vírus ou bactérias, mas pode tornar novos territórios ambientalmente adequados para vetores e reservatórios, alterar ciclos de transmissão e ampliar o contato entre pessoas, animais e agentes infecciosos. Regiões que antes não conviviam regularmente com determinadas doenças podem passar a registrar casos, e seus profissionais e serviços podem não estar preparados para reconhecer o problema.

Precisamos, então, de vigilância epidemiológica, entomológica, ambiental e genômica integrada; laboratórios capazes de identificar rapidamente agentes e sorotipos; profissionais treinados para diagnóstico e manejo em novas áreas; e sistemas de alerta que combinem dados de clima, vetores, notificações e capacidade assistencial. Também será necessário manter financiamento e equipes de forma contínua, porque a vigilância não pode funcionar apenas quando a epidemia já está instalada.

O desafio estrutural permanece sendo reduzir as vulnerabilidades que transformam risco em doença: falta de saneamento, moradia inadequada, insegurança hídrica e alimentar, degradação ambiental e acesso desigual aos serviços. Não podemos enfrentar as epidemias do século XXI mantendo vulnerabilidades urbanas e sociais do século passado. A adaptação precisa proteger primeiro os territórios e grupos mais expostos, ou a crise climática aprofundará desigualdades que já são muito grandes.

IHU – Segundo informações da nota técnica da UFSM e da Fiocruz, a Região das Américas registrou em 2024 a maior epidemia de dengue da história, com mais de 13 milhões de casos, em um contexto marcado por eventos climáticos extremos. Diante desse cenário, quais impactos sobre a saúde da população podem ser esperados em decorrência do El Niño previsto para este ano?

Diego Xavier – Os mais de 13 milhões de casos registrados em 2024 devem ser vistos como um alerta sobre a capacidade de combinação entre clima favorável, expansão do vetor, circulação de vários sorotipos, população suscetível e vulnerabilidade urbana. Esse número não significa que o El Niño produzirá automaticamente outra epidemia da mesma dimensão, mas mostra o tamanho da pressão que pode surgir quando esses fatores se alinham.

É importante atualizar o cenário: o fenômeno que, no momento da nota, ainda era previsto já está estabelecido e tende a se fortalecer ao longo de 2026. Se houver calor persistente, irregularidade de chuvas e problemas no abastecimento de água, diferentes territórios poderão apresentar condições favoráveis à proliferação do mosquito. Ao mesmo tempo, enchentes, secas e queimadas podem pressionar os mesmos serviços com traumas, leptospirose, doenças diarreicas, crises respiratórias e descompensações cardiovasculares.

O maior risco, portanto, é a sobreposição de emergências: uma rede atendendo dengue e, simultaneamente, respondendo a uma inundação, à fumaça ou à interrupção de água e energia. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e comunidades com menor acesso aos serviços tendem a sofrer os maiores impactos. A resposta adequada é antecipar estoques, hidratação e classificação de risco, integrar vigilância climática, entomológica e epidemiológica e agir sobre os criadouros durante todo o ano.

IHU – Deseja acrescentar algo?

Diego Xavier – É importante acrescentar que a comunicação de risco é o primeiro nível de proteção. Não basta emitir um boletim dizendo que vai chover ou que a temperatura aumentou. É preciso traduzir o alerta em orientação concreta: quando sair de uma área de risco, como evitar água contaminada, quando procurar atendimento, como armazenar água com segurança, como reduzir criadouros do Aedes e como se proteger da fumaça e do calor.

Essa comunicação precisa chegar por agentes comunitários, rádios locais, escolas e lideranças, inclusive onde o acesso digital é limitado. Também precisamos evitar duas armadilhas: o alarmismo e a falsa segurança. O El Niño aumenta probabilidades, mas não explica tudo e não produz o mesmo efeito em todos os lugares. Ao mesmo tempo, o clima não pode servir de desculpa para a inação. Se sabemos que o risco aumentou, cresce também a responsabilidade de planejar drenagem, proteger encostas, garantir saneamento, preparar abrigos e fortalecer o SUS. Nós já temos conhecimento, instituições, sistemas de informação e experiência acumulada.

O que falta é transformar previsão em decisão no tempo certo. Eventos extremos tornam-se desastres quando encontram desigualdade, infraestrutura insuficiente e ausência de preparação. Portanto, enfrentar o El Niño é também enfrentar a desigualdade e proteger primeiro quem historicamente sofre mais e demora mais para se recuperar.

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