27 Mai 2026
Uma pesquisa sobre transição de energias sujas para limpas, realizada por equipes do Aurora Lab e da More in Common e obtida com exclusividade pela Agência Brasil, mostra que 85% dos brasileiros já notaram os impactos das mudanças climáticas. E 46% julgam esse impacto intenso.
A informação é publicada por ClimaInfo, 27-05-2026.
Os entrevistados reclamaram principalmente de ter que arcar com um custo de vida maior (53%); problemas de saúde física (45%); obstáculos ao acesso a seu local de trabalho (40%); adoecimento mental (32%); perda de renda (17%); e perda de emprego (10%), listam O Cafezinho e Diário Online.
O levantamento mostra que 74% dos entrevistados concordam que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam mudar para enfrentar a crise climática. Quanto à transição energética, 45% acreditam que a troca da energia fóssil por fontes renováveis reduzirá as desigualdades sociais, informa a Carta Capital. A maioria (67%) também crê que essas mudanças vão gerar mais vagas de trabalho.
Mesmo na era da disseminação de notícias falsas e desinformação, a pesquisa mostra que 69% dos brasileiros acreditam que universidades e cientistas são a fonte de informação com mais credibilidade. E 65% disseram se informar sobre clima via redes sociais.
Para 67% dos entrevistados, o governo deve ser a principal figura a garantir a proteção dos trabalhadores contra as mudanças climáticas. Bem atrás estão os empregadores (7%) e grupos auto-organizados, como os de direitos socioambientais (menos de 6%).
A preocupação com a proteção das pessoas é procedente. Segundo um estudo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), cerca de 2 mil municípios brasileiros estão expostos a risco de deslizamento e inundações, mas a maioria não conta com instrumentos mínimos para se proteger, informa o Jornal GGN.
O levantamento mostra que 75% dessas cidades possuem menos da metade dos planos e mapeamentos obrigatórios de gestão de risco, e 91% ainda não têm o plano de obras necessário para reduzir as ameaças. Apenas 63% dos municípios prioritários contam com mapeamento de riscos para inundações – índice que cai para 45% quando o assunto é deslizamento. Instrumentos mais complexos, como planos de implantação de obras para redução de riscos, existem em menos de 9% das cidades. Além disso, há cidades que sequer tem defesa civil municipal. O Nordeste é a região do país com o maior número de prefeituras despreparadas.
Bilhões de reais estão disponíveis para financiar ações climáticas no país, mas o arcabouço fiscal impede que esses recursos cheguem de forma efetiva aos territórios mais vulneráveis à crise do clima. Por isso, a Frente Parlamentar Ambientalista promoveu um debate sobre o tema na semana passada.
“Este ano, o Fundo Clima tem cerca de R$ 27 bilhões para empréstimos. Se somarmos com o Eco Invest, chegamos a R$ 42 bilhões. Mas quase a totalidade desses recursos é voltada para crédito. Quem não tem capacidade de empréstimo simplesmente não consegue acessar”, afirmou a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima (OC), Suely Araújo.
Durante o evento, o OC lançou a “Cartilha sobre Financiamento Climático – Do orçamento à implementação”, elaborada para explicar como funciona o financiamento climático no Brasil e quais são os principais desafios para sua efetividade.
Também participando do seminário, a assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Alessandra Cardoso, ressaltou que o país precisa estruturar um modelo de financiamento climático capaz de sustentar a implementação do novo Plano Clima.
Em tempo 1
Um projeto de lei sobre a saúde mental de pessoas atingidas por desastres ambientais e eventos climáticos extremos está em análise na Câmara dos Deputados. De autoria dos deputados Pompeo de Mattos (PDT) e Fernanda Melchionna (PSOL), ambos do Rio Grande do Sul, o PL nº 6151/25 cria a Política Nacional de Saúde Mental Climática. A política deverá ser integrada às áreas de saúde, assistência social, educação e defesa civil. As ações também deverão integrar planos de prevenção, resposta e reconstrução pós-desastres. O PL ainda cria o Sistema Nacional de Saúde Mental Climática e os Centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades.
Em tempo 2
O Mangue Jornalismo mostra como o plano para enfrentar mudanças climáticas do governo de Sergipe segue com ausência de dados e sem verba definida. Enquanto reconhece riscos de aumento persistente das temperaturas, secas severas, chuvas extremas, erosão costeira e elevação do nível do mar, o plano também identifica que nem todo o território sergipano possui cobertura de estações meteorológicas. Além disso, o financiamento das ações previstas também permanece indefinido. Especialistas ainda apontam obstáculos políticos e sociais para a implementação efetiva do plano. “A conjuntura política e o perfil dos dirigentes do Poder Executivo e dos integrantes do parlamento estadual são muito desfavoráveis. O conservadorismo impera, bem como a relação de compadrio entre os poderes e os senhores do mercado é estreita”, afirma o coordenador do Fórum de Defesa da Grande Aracaju (FDGA), Joseilton Nery Rocha.
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