O El Niño chegou e deverá ganhar força até o fim do ano

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12 Junho 2026

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, sigla em Inglês) confirmou, na 5ª feira (11/6), o início do El Niño. A previsão é de que o fenômeno climático se intensifique até o final do ano, com uma estimativa de 63% de chance de se tornar muito forte entre novembro e janeiro. No mês passado, a possibilidade de um “Super El Niño” apresentada pela NOAA era de 37%, informa a Folha.

A informação é publicada por ClimaInfo, 12-06-2026.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e ocorre com frequência a cada dois a sete anos, com duração média de 12 meses e impacto direto no aumento da temperatura global, segundo o g1. E, devido às mudanças climáticas, seus efeitos vêm se intensificando.

A força do fenômeno depende da elevação da temperatura do Pacífico. Se o aumento for de 0,5°C a 1°C, o El Niño é classificado como fraco; de 1°C a 1,5°C, moderado; de 1,5°C a 2°C, forte; e acima de 2°C, muito forte.

Na semana passada, o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) divulgou que o fenômeno de 2026/2027 pode ser histórico. O ECMWF projetou anomalias no Pacífico superiores a 2°C persistindo e intensificando entre julho e, pelo menos, novembro; chegando a 3°C acima da média no final do ano, mas com chance de valores acima de 4°C – algo nunca visto anteriormente.

Segundo uma nota técnica do INPE, o El Niño deste ano pode reduzir o volume de chuvas na Amazônia, aumentando o risco de incêndios e elevando as temperaturas no Sudeste e no Centro-Oeste. Por isso, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou dos estados da Amazônia Legal e do Pantanal e também da União planos e preparativos para enfrentar o fogo.

Já na Região Sul, há maior chance de aumento das chuvas, ampliando o risco de enchentes e deslizamentos de terra. Assim, o coordenador-geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), meteorologista Marcelo Seluchi, reforça que as cidades precisam detalhar elementos como rotas de fuga e definir previamente espaços que servirão de abrigos em caso de emergência.

“O ideal é que tudo isso seja treinado, simulado. É difícil fazer um plano de contingência para uma cidade como Porto Alegre? É muito difícil, mas tem que ser feito”, adverte na Folha.

Com a previsão de muitas ondas de calor e umidade baixa de agosto a outubro, Seluchi aponta a necessidade da criação de protocolos de calor, incluindo a suspensão de atividades ao ar livre, quando estas apresentarem perigo para a saúde. O especialista lista como estratégia a definição de locais públicos para resfriamento, com ar-condicionado e água à disposição da população.

O aumento das temperaturas também afeta a economia global. Especialistas calculam perdas bilionárias, desaceleração do crescimento econômico e impacto negativo na produção agrícola.

Estadão, Globo Rural, Zero Hora, Correio do Povo, O Tempo, UOL, Globo, Metsul, Veja e Reuters também noticiaram a chegada oficial do El Niño.

Em tempo

Em cerimônia no Palácio do Planalto voltada à agenda ambiental, o presidente Lula afirmou, na 4ª feira (10/6), que o Brasil está preparado para enfrentar os possíveis impactos do El Niño. Segundo Lula, o governo se antecipou aos riscos de queimadas e desastres climáticos previstos para os próximos meses, informam InfoMoney e Poder 360. Diante da previsão de um El Niño de moderado a intenso neste ano, especialistas do grupo de trabalho do governo federal aumentaram a frequência de encontros, antes realizados a cada 45 dias, para reuniões semanais.

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