Amazônia enfrenta novo El Niño sem se recuperar de efeitos da seca de 2023-24

Foto: Margi Moss/Projeto Brasil das Águas

Mais Lidos

  • A palavra que define Deus como Trindade foi criada por um africano. Entrevista com Myriam Gautho

    LER MAIS
  • Cardeal poeta que vem à Flip é fã de Rosalía e dialoga com obras de Pasolini e Patti Smith para pensar a fé

    LER MAIS
  • Fernando Pessoa e o exercício de ver. Artigo de Faustino Teixeira

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

21 Julho 2026

Estudo aponta que o bioma não conseguirá se recuperar da seca do último El Niño nem após sete anos.

 A informação é publicada por ClimaInfo, 20-07-2026. 

A chegada do “Super El Niño” é motivo de preocupação para os cientistas que estudam a Amazônia. A recorrência cada vez maior e de grande intensidade desses eventos está colocando a maior floresta tropical do planeta sob forte estresse climático, deixando-a incapaz de se recuperar plenamente dos fenômenos extremos dos últimos anos.

Um estudo publicado na revista PNAS destacado pela Folha estima que cerca de 53% das áreas intactas da Amazônia afetadas pela seca observada no último El Niño, entre 2023 e 2024, não devem se recuperar mesmo após sete anos do evento climático extremo. Esse é o tempo máximo que a floresta tem levado para se recuperar de episódios do tipo nos últimos 30 anos.

A análise foi realizada com base na observação de imagens de satélite desse período, com atenção aos dados de umidade e de biomassa das plantas. Segundo a pesquisa, a seca de 2023/24 causou uma perda severa de umidade do dossel das árvores, uma queda da biomassa acima da média desde 1992, além de uma redução drástica nos níveis de água dos principais rios amazônicos. Junto com a seca, os incêndios florestais observados no último El Niño também contribuíram para deixar a floresta ainda mais seca.

Em 2025, a ocorrência do La Niña permitiu um grande volume de chuvas na Amazônia, que recuperou seu nível de superfície de água anterior às secas, segundo dados do MapBiomas. No entanto, o aumento do nível dos rios não significa que a floresta retornou aos padrões anteriores de funcionalidade, que passam também por variáveis como o patamar de evapotranspiração e a troca de carbono realizada por sua vegetação. A recorrência de eventos extremos compromete exatamente essas condições de longo prazo para a recuperação, tornando a floresta cada vez mais vulnerável a períodos de seca.

“A tendência é que a floresta vá perdendo biomassa ao longo do tempo, reduzindo sua produtividade, perdendo a capacidade de reciclar a água e de manter as características microclimáticas originais”, explicou Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Aragão, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Revista Amazônia, O Liberal e Onda Digital, entre outros, também abordaram o estudo.

Em tempo

Depois de sofrerem com os incêndios amazônicos no último El Niño, as autoridades brasileiras se desdobram para não serem surpreendidas pelo fogo. O orçamento federal para o manejo do fogo neste ano passou para R$ 1 bilhão, o que representa quase 30% de aumento em relação a 2025, o que permitiu a contratação de mais 4,4 mil brigadistas para combater as chamas. Ainda assim, o governo federal demonstra preocupação. “Não estou tranquilo. Estou muito alerta”, afirmou João Paulo Sotero, diretor de políticas de controle do desmatamento e queimadas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ao Mongabay.

Leia mais