Rússia-Ucrânia: o mundo deve impor a negociação. Artigo de Matteo Zuppi

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12 Mai 2022

 

"Isto é o que é necessário hoje: não belas intenções, mas escolhas conscientes que enfrentem o presente e preparem um futuro de paz", escreve o cardeal Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, em artigo publicado por Jesus, maio de 2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A trágica guerra entre a Rússia e a Ucrânia não escapa do bipolarismo like/no like que a web impõe, iludindo que está contando mas, na verdade simplificando perigosamente porque ignora o entrelaçamento de erros e razões e a complexidade da história. O contrário, obviamente, não é a suspeita que escorrega na irracionalidade e nas fake news. Quem foge do bipolarismo competitivo assume a posição que deve orientar as escolhas, sem ambiguidade, mas com inteligência: a paz. Somente escolhendo a paz se encontram as soluções e os compromissos indispensáveis para alcançá-la. Porque cada segundo de guerra é uma conta que as vítimas pagam, diretas (os milhares de civis, deliberadamente considerados alvos) e indiretas (os idosos que não têm proteção ou os doentes que precisam interromper os tratamentos).

 

A paz deve ser "feita", a qualquer preço. Claro que há agressor e agredido, e “fazer” a paz não significa colocar todos no mesmo plano. A Rússia perdeu todas as razões ao iniciar um conflito que o Papa Francisco foi o primeiro a revelar o que realmente é: não é "apenas uma operação militar especial, mas uma guerra, que semeia morte, destruição e miséria".

 

A posição é, portanto, clara: condenação da guerra em curso e de quem a iniciou. Mas o que é preciso agora, junto com o direito de se defender, é trabalhar com determinação para "lançar as bases de um diálogo cada vez mais alargado", impondo a negociação. É preciso envolver interlocutores comprometidos em identificar a solução e garantir sua implementação.

 

Somente buscando a paz se coloca um limite à lógica da guerra! O realismo a escolher é o desarmamento, e financiar organizações internacionais capazes de limitar os nacionalismos, para aumentar o concerto das nações que cuidam da "casa comum". O fato é que, como diz a encíclica Fratelli Tutti, “não há mais espaço para diplomacias vazias, para dissimulações, discursos duplos, ocultações, boas maneiras que escondem a realidade”. O processo de paz "é um trabalho paciente de busca da verdade e da justiça, que honra a memória das vítimas e que abre, passo a passo, a uma esperança comum, mais forte que a vingança".

 

Isto é o que é necessário hoje: não belas intenções, mas escolhas conscientes que enfrentem o presente e preparem um futuro de paz.

 

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