Em 2020, o Papa Francisco escreveu “Fratelli Tutti”. Em 2021, ele a vivenciou

Foto: Tomaz Silva | ABr

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11 Dezembro 2021


Desde um posto de vacinação no salão de audiências do Vaticano, a uma visita à antiga cidade de Ur no Iraque e depois a um campo de refugiados em Lesbos na Grécia, o Papa Francisco demonstrou durante 2021 o que ele quer dizer com olhar para todas as pessoas como irmãos e irmãs.

 

A reportagem é de Cindy Wooden, publicada por Catholic News Service, 09-12-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

O Papa Francisco publicou sua encíclica social, “Fratelli Tutti, sobre Fraternidade e Amizade Social”, em outubro de 2020, então passou a explicá-la e aplicá-la em 2021 em encontros com migrantes e refugiados, ao hospedar líderes religiosos fazendo um apelo aos governos para agirem contra a mudança climática e na apresentação de sua visão de um processo sinodal que ouve e conta com as orações de todos os católicos.

Em março, com representantes de comunidades muçulmanas, cristãs, yazidis e outras comunidades religiosas no Iraque, o Papa Francisco fez uma peregrinação a Ur, um sítio arqueológico em uma planície desértica a cerca de 16 km da moderna Nassíria.

Lá, no local de nascimento do patriarca Abraão, a primeira pessoa a acreditar no único Deus e pai de todos, o Papa chamou todos os crentes para demonstrar sua fé tratando uns aos outros como irmãos e irmãs que são.

“Deste lugar onde nasceu a fé, da terra de nosso pai Abraão, vamos afirmar que Deus é misericordioso e que a maior blasfêmia é profanar seu nome odiando nossos irmãos e irmãs”, disse o papa.

E encontrando-se no Chipre e na Grécia com refugiados e requerentes de asilo, ele apelou a uma ação individual, políticas nacionais e cooperação internacional que iria reconhecer cada um deles como um membro da família humana que merece uma mão amiga.

“Deus nos ama como seus filhos; ele quer que sejamos irmãos e irmãs”, disse o Papa em 5 de dezembro no acampamento na costa do Mediterrâneo, na ilha grega de Lesbos. “Ele se ofende quando desprezamos os homens e mulheres criados à sua imagem, deixando-os à mercê das ondas, no mar da indiferença”.

Como em 2020, as atividades do Papa Francisco ao longo do ano foram modificadas ou impactadas pela pandemia de covid-19 em curso, os cuidados necessários para retardar sua propagação e a defesa de um maior acesso às vacinas para todos.

Em um anúncio de serviço público em agosto, o Papa Francisco havia dito: “Ser vacinado com vacinas autorizadas pelas autoridades competentes é um ato de amor. E contribuir para garantir que a maioria das pessoas sejam vacinadas é um ato de amor – amor por si mesmo, amor pela família e amigos, amor por todas as pessoas”.

Em janeiro e fevereiro, o Papa Francisco e o Papa emérito Bento XVI receberam suas duas doses da vacina Pfizer; e ambos receberam suas doses de reforço em outubro.

Primeiro no átrio da sala de audiência e depois na Ala Carlos Magno sob a colunata na Praça São Pedro, o Vaticano vacinou não apenas seus residentes e funcionários, mas também os residentes de abrigos de propriedade do Vaticano para os sem-teto e muitas pessoas que procuram regularmente chuveiros, barbeiros, médicos e comida no Vaticano.

Mas uma preocupação de saúde diferente levou o Papa ao hospital Gemelli de Roma por 10 dias em julho para uma cirurgia de cólon. O Vaticano disse que o Papa programou sua operação para tratar “uma estenose diverticular sintomática do cólon”.

Ele foi submetido a uma cirurgia de três horas que incluiu uma hemicolectomia esquerda, que é a remoção da parte descendente do cólon, uma cirurgia que pode ser recomendada para tratar a diverticulite, quando bolsas salientes no revestimento do intestino ou cólon inflamam ou infeccionam.

O único evento agendado que o Papa Francisco pulou durante sua recuperação foi uma missa em 25 de julho para marcar o primeiro Dia Mundial dos Avós e Idosos. Ele teve alta do hospital em 14 de julho.

Mas as restrições à pandemia causaram mais estragos na programação papal, forçando o adiamento de grandes eventos ou um limite de comparecimento. Em 2021, o Papa Francisco não celebrou nenhuma missa para a canonização de novos santos, e ele não realizou nenhum consistório para criar novos cardeais.

Ainda, em uma das maiores celebrações do ano – um dia de reflexão em 9 de outubro e uma missa em 10 de outubro para lançar o processo que levará à assembleia do Sínodo dos Bispos em 2023 – incluiu muitas pessoas importantes participando virtualmente devido às restrições de viagem da pandemia.

Vacinado e frequentemente usando máscara, o Papa Francisco fez algumas viagens por conta própria, visitando o Iraque em março, a Hungria e a Eslováquia em setembro, e o Chipre e a Grécia em dezembro, apenas duas semanas antes de seu 85º aniversário em 17 de dezembro.

Ele também recebeu uma visita do presidente dos EUA, Joe Biden, no final de outubro. O Vaticano, citando as restrições da covid-19, não permitiu que repórteres entrassem no Palácio Apostólico para a visita, então o registro público da reunião consistia em uma breve declaração oficial do Vaticano e comentários improvisados do presidente.

A reunião teve uma duração incomum de 90 minutos, incluindo 75 minutos de conversas privadas entre o Papa e o presidente.

Oficialmente, as mudanças climáticas, a pandemia, a migração, a paz e os direitos humanos – incluindo a liberdade religiosa – foram os principais tópicos.

Questionado se o aborto foi um dos tópicos de seu encontro com o Papa, Biden disse aos repórteres: “Nós apenas falamos sobre o fato de que ele estava feliz por eu ser um bom católico e deveria continuar recebendo a comunhão”. O Vaticano não fez comentários sobre os comentários do presidente.

Embora o Papa Francisco não tenha publicado encíclicas ou exortações apostólicas em 2021, ele promulgou dois documentos que ganharam manchetes em todo o mundo: “Traditionis Custodes” (Guardiões da Tradição), restaurando os limites da celebração da Missa pré-Vaticano II; e a revisão do “Livro VI: Sanções Penais na Igreja” do Código de Direito Canônico, particularmente para incorporar as mudanças feitas nos últimos 15 anos para proteger as crianças, promover a investigação de alegações de abuso sexual clerical e punir os infratores.

O Papa também deu atenção especial às suas “irmãs” no Senhor, emendando a lei canônica para permitir que mulheres e homens fossem formalmente instalados nos ministérios do leitorado e do acolitado; nomeando a irmã xaveriana Nathalie Becquart como uma das duas subsecretárias do Sínodo dos Bispos; e nomeando a irmã Raffaella Petrini, Franciscana da Eucaristia, para ser a primeira secretária-geral do escritório que governa o Estado da Cidade do Vaticano.

 

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