12 Setembro 2024
O único compromisso do primeiro dia de hoje na cidade-estado, quarta etapa da viagem ao Sudeste Asiático e à Oceania, foi o encontro com os irmãos no Centro de Retiros São Francisco Xavier. Padre Spadaro: “Encontro fraterno com os jesuítas que trabalham nas zonas fronteiriças. Surgiram as figuras de Matteo Ricci e do Padre Arrupe, o Papa ansioso por alcançar a sua beatificação".
A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican News, 11-09-2024.
Matteo Ricci e o Pe. Pedro Arrupe. Estas duas figuras, um farol para a Companhia de Jesus e para a Igreja universal, acompanharam o diálogo de cerca de uma hora do Papa com os jesuítas de Singapura esta tarde, 11 de setembro. O Pontífice chegou hoje ao microestado insular para a quarta e última etapa da sua 45ª viagem apostólica, depois do último encontro em Díli com os jovens de Timor-Leste. Um dia, este primeiro singapuriano, dedicado ao descanso com exceção de Timor-Leste. O encontro que Jorge Mario Bergoglio quis dedicar aos seus irmãos, o terceiro da viagem ao Sudeste Asiático e à Oceania. A primeira foi realizada em Jacarta, no dia 4 de setembro, com 200 jesuítas; a segunda, ontem, em Díli, com cerca de quarenta membros da Companhia de Jesus.
Reunião de família
Hoje, num salão do Centro de Retiros São Francisco Xavier, um centro de retiros situado numa colina a meia hora da cidade e do centro comercial de Singapura, que será a residência do Papa nesta última etapa da viagem, estavam 25 jesuítas de diferentes idades, principalmente residentes de Singapura, mas também alguns de outras regiões, como a Malásia. “Havia alguns jovens, inclusive um recém-ordenado, e outros mais velhos, alguns até doentes. O Papa foi muito terno com eles”, disse aos meios de comunicação do Vaticano o padre Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, membro da comitiva papal e presente no encontro desta tarde. “A reunião durou uma hora, como de costume. E como sempre foi um encontro muito cordial, fraterno, com jesuítas envolvidos num lugar que está na fronteira... Depois o Papa, ainda mais tarde, quis acrescentar outras coisas. Parecia que ele não queria romper com essa atmosfera tão íntima e familiar”.
Um momento do encontro
As fotos, divulgadas pelo próprio Spadaro em sua conta X, mostram Francisco sorridente e descontraído. Imediatamente o Papa, diz o religioso, deixou espaço para perguntas. E os temas foram múltiplos e desafiadores, a começar pelos desafios que aguardam a Igreja neste tempo e nestas terras. “O Papa disse claramente que a fé deve entrar nos desafios humanos e sublinhou a importância da Ásia hoje como um continente chave”, explica o Pe. Spadaro. “Portanto, os jesuítas são chamados a viver neste lugar que apresenta alguns desafios muito peculiares”.
O “desafio” da oração e o testemunho de Arrupe
O lembrete do Papa também é forte na importância da oração, mesmo que seja “um desafio”, isto é, “enfrentar sempre os desafios colocados pela sociedade com um espírito de oração no modelo do Pe. Pedro Arrupe”. Trata-se do inesquecível jesuíta de origem espanhola, superior geral da Companhia de 1965 a 1983, proclamado Servo de Deus e cuja causa de beatificação está em curso. “O Papa Francisco falou várias vezes sobre a figura deste grande padre geral e declarou que está muito próximo dele e ansioso por conseguir esta beatificação e canonização”.
Vocações e formação
Não faltaram temas pastorais durante a conversa. “O Papa discutiu sobretudo as vocações e como, por exemplo, as vocações também estão presentes, ou seja, há pessoas, jovens que querem entrar na vida religiosa, mas que às vezes têm medo da formação. O Papa recomendou, portanto, não manter baixo o nível das necessidades”, afirma o Padre Antonio Spadaro. “Neste sentido – acrescenta – foi positiva a lembrança da importância de se formar de forma elevada e adequada aos desafios do nosso tempo.”
Espaço para perguntas
Nenhuma avaliação de Francisco sobre as três visitas realizadas (Indonésia, Papua Nova Guiné, Timor-Leste) durante esta bela viagem apostólica que está chegando ao fim. “Ainda é muito cedo”, afirma o subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação. A prioridade do Papa foi dar espaço às perguntas dos vários jesuítas presentes: “Ele pedia para fazer perguntas e queria absolutamente permanecer ligado às suas necessidades e perguntas”.
O exemplo de Matteo Ricci
Na conversa, além da figura de Arrupe, surgiu também a de Matteo Ricci, o grande apóstolo jesuíta da China. Sublinha Sparado: “Ele foi outra figura de referência porque foi uma referência para os jesuítas neste lugar”.
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