Kirill, o fidelíssimo ao Kremlin que virou as costas ao Papa

Vladimir Putin e o Patriarca Kirill (Foto: www.kremlin.ru | Wikimedia Commons)

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10 Março 2022

 

Rússia, com suas palavras tão alinhadas pela intervenção militar, o patriarca fechou a porta para as negociações empreendidas pelo Vaticano.

 

A reportagem é de Giuliano Foschini, publicada por La Repubblica, 09-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Seis anos se passaram, era fevereiro de 2016, e no meio não há apenas palavras. Mas outro mundo. "Lamentamos o confronto na Ucrânia", "construam a paz", dizia o Patriarca Ortodoxo Kirill, abraçado ao Papa Francisco, em um encontro histórico que aconteceu no aeroporto de Cuba. O mesmo que 48 horas atrás durante seu sermão na Catedral de Cristo Salvador em Moscou, trovejou com expressões incríveis sobre o conflito na Ucrânia.

 

Falando do presente, mas também do passado: "Durante oito anos houve tentativas de destruir o que existe no Donbass", disse ele. “Hoje existe um teste de lealdade a este governo, uma espécie de passagem para aquele mundo 'feliz', o mundo do consumo excessivo, o mundo da 'liberdade' visível: vocês sabem o que é este teste? É muito simples e ao mesmo tempo terrível: é uma parada gay”.

 

As palavras logo correram o mundo, criando uma onda de indignação. E atingiram os fiéis. E inquietaram aqueles que, ainda agora, pensavam que alguma paz ainda poderia ser construída no eixo da Igreja: neste 2022, entre junho e julho, estava previsto outro encontro histórico, entre Kirill e o Papa Francisco. Talvez em Moscou. Talvez em Bari, o lugar por excelência da união das duas Igrejas, por ser é a casa de São Nicolau: o símbolo é a estátua doada à cidade em 2003 por Putin, como lembra a placa dependurada em frente à Basílica.

 

Pensava-se nos primeiros dias do conflito que uma possibilidade poderia ser acelerar a data do encontro, como se a fé pudesse gerar bom senso. Não por acaso, o Papa se encontrou com o embaixador russo em 18 de fevereiro, com a crise na Ucrânia já em curso, sem usar tons ásperos, justamente para deixar uma porta aberta à conciliação. Depois veio o sermão de Kirill que parece ter fechado definitivamente as portas.

 

Também porque nos últimos meses outro importante religioso ortodoxo vem aparecendo muitas vezes ao lado de Putin, o metropolita Hilarion, presidente do Departamento de Relações Eclesiásticas. Que em fevereiro, das mãos do presidente, recebeu uma das maiores honrarias: a Ordem de Alexandre Nevsky. Precisamente naquela ocasião Hilarion fez uma referência explícita à Ucrânia que, lida hoje com o conhecimento dos fatos, não parece ter sido de forma alguma casual: “Tratamos - disse - não apenas de assuntos exteriores, mas também de relações inter-religiosas em nossa pátria. E nos últimos anos nos sentimos cada vez mais como uma espécie de departamento de defesa, porque temos que defender as fronteiras sagradas de nossa Igreja”. Era o início de fevereiro e a guerra já havia começado.

 

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