“Primeiro os cuidados paliativos, só depois considerar a morte assistida”

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04 Agosto 2026

O financiamento dos cuidados paliativos e sociais deve ter precedência sobre a consideração da morte assistida em Inglaterra e no País de Gales. É esta, pelo menos, a posição que acaba de ser assumida pelo recém-nomeado primeiro ministro do País.

A reportagem é publicada por 7Margens, 02-08-2026.

Andy Burnham prestava declarações aos jornalistas após um discurso sobre a reforma da segurança social num lar de idosos judaico, em Golders Green, no norte de Londres. Segundo a BBC, o chefe do governo entende que a prioridade deve ser melhorar o apoio aos pacientes em fase terminal.

“Eu acredito – disse ele – que antes desse debate (sobre morte assistida) – e não estou a dizer que não deva haver um debate sobre essa questão em algum momento – pessoalmente, acho que algo tem de acontecer primeiro. É a correção do financiamento dos cuidados paliativos e da assistência social. Acho muito difícil introduzir esse debate mais amplo num contexto em que as pessoas não recebem esse tipo de cuidado e não têm a tranquilidade em relação a ele. É assim que eu vejo a situação, e é essa a posição que vou manter.”

Estas declarações, além do significado que têm em si mesmas, surgem num momento em que se perspetiva o regresso ao parlamento do debate sobre a morte assistida. Aquele órgão legislativo já votou por duas vezes propostas de lei sobre esta matéria e em ambas o sim ganhou com significativa maioria. Porém, na Câmara dos Lordes surgiram fortes críticas e mais de um milhar de propostas de emenda, o que levou ao arquivamento, por falta de tempo para as apreciar. Entretanto, uma deputada trabalhista anunciou recentemente uma nova iniciativa legislativa sobre morte assistida, a ser apresentada já em setembro deste ano.

Ao contrário do primeiro ministro anterior, que se mostrou favorável à morte assistida, a ‘nuance’ da posição do novo primeiro-ministro vem renovar as esperanças dos opositores do projeto.

Quem disse acolher favoravelmente a posição de Burnham foi o arcebispo de Liverpool e bispo responsável pelos Assuntos da Vida na Conferência Episcopal Católica do Reino Unido. Num comunicado afirmou: “Temos defendido consistentemente um investimento significativo em cuidados paliativos e de fim de vida como um foco apropriado para preservar a dignidade de todos no fim da vida e opusemo-nos a um projeto de lei que visava legalizar o suicídio assistido”. Nessa linha, exortou os parlamentares a votarem contra esta legislação perigosa no dia 11 de setembro e a trabalharem em conjunto para garantir que os nossos serviços de cuidados paliativos e de assistência social possam ser considerados exemplos de cuidados verdadeiramente dignos no fim da vida para todos”.

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