Soberanistas, identitários e anti-imigração: a frente lefebvriana que contesta o Papa

Papa Leão XIV | Foto: Vatican Media

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08 Julho 2026

A vingança dos soberanistas sob a forma fictícia de revolta doutrinal contra o Papa. "Muitos alimentaram as chamas da rebelião ideológica dos lefebvrianos", conta o bispo Domenico Mogavero. O que alimenta o fogo cismático é também o irredutível rancor soberanista contra a Igreja hospital de campanha dos "filhos de migrantes" Francisco e Leão.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por La Stampa, 03-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

O prelado e canonista acrescenta: "O vice-presidente fundamentalista EUA, JD Vance, chegou a dar lições de teologia ao Papa Prevost, enquanto Trump o acusava de favorecer o programa nuclear do Irã". No dia da notificação do Vaticano da excomunhão dos ultratradicionalistas, amplia-se na Cúria a informação sobre os canais de abastecimento da galáxia lefebvriana, nunca como hoje rica em vocações e recursos materiais.

"Em tempos de ICE, remigração e barreiras defensivas, não perdoam Leão por defender a dignidade humana para além de qualquer muro: a vida é sagrada, não as fronteiras", continua Mogavero. "No entanto, a geopolítica papal da misericórdia irrita xenófobos como Viktor Orbán tanto quanto a arrogância belicista de Trump e Netanyahu. 'O inimigo do meu inimigo é meu amigo', diz um antigo ditado da diplomacia. Minar a unidade da Igreja gratificas os baixos instintos supremacistas."

O que dá sustentação à ampla frente soberanista e identitária que critica o Vaticano "globalista" e "pró-imigração", também são as generosas contribuições da burguesia latifundiária franco-alemã das regiões rurais hostis à globalização.

Uma realidade sociocultural que se sente sitiada pelos percentuais de imigrantes árabe-muçulmanos, que chegam a 40% nas áreas urbanas. "Na França, são os nostálgicos da Action Française, da monarquia e do gaullismo dos anos 1950; na Alemanha, são os nacionalistas, especialmente bávaros, que atacavam Angela Merkel pelo acolhimento de um milhão de sírios", observa o padre Di Giacomo, canonista e analista de assuntos eclesiais.

"Eles estão em busca de raízes e enviam seus filhos para institutos lefebvrianos. Alinham-se com todas as direitas que, dos colonos na Terra Santa aos integralistas evangélicos dos EUA, arvoram-se a paladinos também dos cristãos mortos na Nigéria ou dos coptas exterminados na Etiópia. São os mesmos grupos que denunciam a invasão islâmica do Ocidente secularizado, pró-LGBT e woke."

Por trás da bofetada lefebvriana ao Papa, encontram-se vultosas quantias de dinheiro, crescentes ingressos nos seminários enquanto despencam em outros lugares, franjas supremacistas, aversão ao pluralismo religioso e católicos antimodernistas como Vance, que não querem migrantes e uniões entre pessoas do mesmo sexo e criticam Roma pelas várias "concessões mundialistas".

Em Écône, chegou-se, assim, a um "ato de desunião doutrinal", a ponto de os sacramentos agora administrados pelos seguidores do Superior Geral, Pe. Davide Pagliarani, serem considerados nulos. Os "falcões" Alfonso de Galarreta e Christian Bouchacourt, levaram a melhor sobre as "pombas" Bernard Fellay e Franz Schmidberger, favoráveis à plena comunhão.

Consequentemente, a questão a ser resolvida não é tanto doutrinal, mas sim eclesiológica e disciplinar. "Permaneceram firmemente dentro da Igreja Católica algumas estruturas teologicamente muito mais conservadoras do que os lefebvrianos; basta olhar para os grupos presentes na Comissão Pontifícia Ecclesia Dei para perceber o que está realmente em jogo", observa o Pe. Di Giacomo. "O problema não é doutrinal, mas diz respeito à ruptura da sucessão apostólica.

Em Leuven, na Bélgica, vi sacerdotes e acadêmicos rigidamente conservadores criticando duramente pretensiosos membros do Vaticano encarregados de dialogar com a Fraternidade, que hoje está nas mãos do grupo mais fanático e menos culto." A prova disso, acrescenta o Pe. Di Giacomo, "reside na farsa de quarta-feira, invalidada pela falta de autorização papal para a ordenação episcopal".

Foi um rito transmitido mundialmente, mas "distorcido a partir da imposição das mãos e da oração de consagração. Trata-se de elementos substanciais da ordenação que, em vez disso, foram preenchidos com um ritualismo mofado típico das cortes barrocas. O rito católico é muito mais fiel às fontes da Tradição". Trata-se de um desafio aberto ao Papa, envolvendo mandatários, simpatizantes e cúmplices. Sinais decifrados onde a forma é conteúdo.

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