Infantino cede a Trump, FIFA suspende suspensão de Balogun. Bélgica: "Estamos atônitos"

Foto: Casa Branca | Flickr

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06 Julho 2026

O atacante joga na partida entre Estados Unidos e Bélgica. A Casa Branca comemora: "A justiça foi feita". Os oponentes protestam. Nainggolan: "Isso não é futebol".

A reportagem é de Emanuela Audisio, publicada por La Repubblica, 06-07-2026.

Um perdão. Talvez seja porque o diretor Paolo Sorrentino esteja seguindo os passos de Ancelotti em "Brasil na América", mas a FIFA atendeu ao pedido. Folarin Balogun, o centroavante americano (3 gols) expulso com cartão vermelho na fase de 32 avos de final contra a Bósnia, foi perdoado. E jogará nas oitavas de final contra a Bélgica hoje (às 14h). Problema resolvido para os EUA, que terão um jogador a mais. Mais um filme de Sorrentino. Agora, se você recebe um cartão vermelho (mesmo que o dele tenha parecido excessivo), ninguém pode tirar pelo menos uma suspensão de um jogo. É a regra.

E de fato, Balogun recebeu uma. Os Estados Unidos ficaram decepcionados: como assim, vocês estão nos fazendo jogar uma partida importantíssima sem o nosso melhor atacante? Vamos lá, vamos fazer uma petição para o Trump. Presidente, resolva isso. Vamos comemorar o 250º aniversário da Independência com um belo perdão. E todo mundo diz: "Pobres americanos, eles não conhecem as regras, fazem o que bem entendem." Tudo bem que a constituição deles garanta o direito à felicidade, mas esqueça a ideia de cancelar um sinal vermelho. Pura ficção científica, até Ray Bradbury, acostumado com absurdos (ele era um dos poucos em Los Angeles sem carteira de motorista), diria isso.

O sinal vermelho foi revogado

E voilà, o cartão vermelho sumiu. Balogun retorna (quase) virgem, à disposição do técnico Pochettino. Sua suspensão de um jogo é suspensa por um ano. Trump agradece: "Obrigado, FIFA, por fazer a coisa certa e remediar uma grande injustiça." Prejudicar a seleção da casa? Quando é que isso acontece? São coisas grosseiras, simplesmente não se fazem. Até o esporte tem seus costumes. E assim, na Copa do Mundo, o indulto presidencial estreia pela primeira vez.

Com a FIFA aplicando — ou melhor, revivendo — o Artigo 27 do código disciplinar, que afirma que "o órgão judicial pode decidir suspender, total ou parcialmente, a execução de uma medida disciplinar". Uma espécie de paradoxo futebolístico. A Federação Belga de Futebol reage de forma terrível. "Estamos perplexos, as regras são claras: se você for expulso com um cartão vermelho, automaticamente perde a próxima partida. Estamos avaliando todas as opções possíveis, também para proteger os direitos das outras equipes."

Há o precedente de Ronaldo, que deu uma cotovelada em O'Shea na derrota de Portugal para a Irlanda há um ano. Ele deveria ter cumprido três rodadas de suspensão, mas duas foram suspensas para não comprometer suas chances de ganhar a Copa do Mundo de 2026. Mas eram eliminatórias, não Copas do Mundo. Em resumo, ou é uma regra ou se tornou uma forma de vontade. Até Lukaku foi perdoado na liga por reagir a cânticos racistas durante o jogo entre Inter e Juve em 2023, mas havia uma razão moral. Quem decidiu a exceção para Balogun? A Casa Branca e a intervenção decisiva de Trump sobre seu ocupante, Infantino, são fortemente suspeitas. Mas não há comentários, exceto do lado americano: "Bem-vinda a decisão da FIFA."

Nainggolan: "Não é mais futebol"

Radja Nainggolan, meio-campista italiano de longa data e ex-jogador da seleção belga, critica duramente a decisão: "Dessa forma, o futebol deixa de ser futebol. É a prova de que o futebol agora se resume a dinheiro. Não estou criticando Trump por comemorar a suspensão da suspensão. É uma reação normal de um torcedor americano; eu teria feito o mesmo no lugar dele. A responsabilidade recai inteiramente sobre quem tomou a decisão."

O lado americano agora teme o ostracismo internacional: "Não somos mais o time amigo que todos apoiam, mas sim o time privilegiado e influente." E sim, não há nada de novo em sorteios que favorecem principalmente os jogadores locais. Dá vontade de dar um tapa na pessoa que te convida para jantar, não é? Não interessa a ninguém, mas também não se pode burlar as regras.

O brasileiro Garrincha foi expulso aos 83 minutos da Copa do Mundo de 1962, no Chile, pelo árbitro Yamasaki, por reagir a faltas cometidas pela seleção da casa na semifinal. Ele já tinha marcado dois gols e, ao sair do campo, uma pedra foi atirada em sua cabeça (precisando de três pontos). Ele foi readmitido porque a suspensão precisava da confirmação do árbitro e do bandeirinha, mas eles já tinham ido embora. Naquela época, as regras ainda valiam. E a misericórdia era concedida na igreja.

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