O novo domingo. Comentário de José Antonio Pagola

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06 Junho 2026

O domingo já não é o que era há alguns anos. Em pouco tempo, transformou-se no "fim de semana", que começa na sexta-feira à tarde e durante o qual a maioria das pessoas pode viver de forma diferente, escapando das obrigações do trabalho, dos horários impostos e das rotinas diárias.

A reflexão é elaborada pelo teólogo espanhol José Antonio Pagola, publicada por Religión Digital, 01-06-2026. 

Eis o comentário.

Nem todos vivenciamos o fim de semana da mesma maneira. Para alguns, é uma verdadeira bênção: têm a iniciativa, os meios e os amigos para aproveitar esses dias. Para outros, é um período cruel, pois sentem a solidão, a doença ou a velhice com mais intensidade; o domingo só desperta tristeza e nostalgia. Outros ainda temem o domingo, não sabem o que fazer com ele, estão entediados; se não houvesse futebol, seria insuportável.

Teólogos e liturgistas se perguntam hoje como será o domingo cristão no futuro. Será reduzido a uma celebração isolada da missa, desconectada dos fins de semana das pessoas? Pelo contrário, "não será possível", questiona Xabier Basurko, "integrar dinamicamente os valores humanos do fim de semana ao misticismo do domingo?" O liturgista basco nos oferece algumas pistas.

O domingo cristão pode ser o ponto central do fim de semana, ajudando os fiéis a vivenciarem melhor a sua liberdade como filhos de Deus, sem imposições ou motivações utilitaristas. A Eucaristia pode ajudar a restaurar a paz e reacender a força interior. No fim de semana, podemos ser um pouco mais nós mesmos.

Por outro lado, o sábado poderia ser reintegrado como uma celebração da criação; dessa forma, o domingo poderia continuar com a celebração da salvação. Essa é a visão de alguns liturgistas. A fé nos ajudaria, então, a vivenciar o fim de semana como uma celebração do Criador e um encontro com a natureza, não por meio do trabalho, mas sim por meio do prazer e da contemplação.

Por fim, a celebração da assembleia eucarística pode dar um significado mais profundo àquela outra dimensão do fim de semana: a comunicação sincera e gratificante com amigos e familiares, ou o encontro com outras pessoas e outras culturas. O fim de semana pode ser uma experiência de encontro e comunhão entre irmãos e irmãs. Será que o domingo cristão se tornará o "fermento e o sal" do fim de semana na cultura atual? Em todo caso, podemos nos perguntar: nós, cristãos, sabemos extrair da Eucaristia dominical o ânimo e a alegria para viver cada novo domingo?

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