Quando o envolvimento dos leigos não tem peso na balança da justiça do clero. Artigo de Joachim Frank

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15 Abril 2026

Nas missas crismais recentes, a importância especial dos sacerdotes tem sido frequentemente enfatizada. Joachim Frank critica o fato de que isso, simultaneamente, desvalorizou o compromisso de muitos leigos.

O artigo é de Joachim Frank, publicado por Katholisch, 14-04-2026.

Joachim Frank é correspondente-chefe da DuMont e membro do conselho editorial do Kölner Stadt-Anzeiger. É presidente da Sociedade de Jornalistas Católicos da Alemanha (GKP).

Eis o artigo.

Para a Missa Crismal, que antecede a Páscoa, os padres (ou seus representantes) das paróquias de uma diocese vêm à catedral para recolher os óleos sagrados para o batismo, a confirmação e a unção dos enfermos. Raramente o bispo tem tantos membros do clero diante de si. Alguns aproveitam a ocasião para uma espécie de discurso motivacional. O tema: Por que nós, padres, somos tão especiais.

Este ano, declarações como "não importa quantas mulheres e homens ativos se recusem a se tornar padres" causaram polêmica, e que as missas dominicais levam à perda de "nossa identidade católica". Supostas tentativas de se tornar independente do padre foram consideradas "não mais católicas", razão pela qual os próprios padres deveriam "combater isso desde o início".

Naquela noite, enquanto essas citações circulavam, recebi um telefonema desesperado de uma amiga. Há anos, ela e os paroquianos de sua igreja lideram a missa de domingo, para a qual não se encontra mais nenhum padre, simplesmente porque não há nenhum. Ela e inúmeras outras pessoas estão sendo informadas pela mais alta autoridade de que seu trabalho é anticatólico — e que não têm qualquer peso aos olhos do clero. Isso não é apenas desmotivador. Acima de tudo, consolida uma visão da Igreja centrada no padre e, simultaneamente, expressa o medo de perder a relevância.

Defender a natureza insubstituível da ordenação segue a lógica de mercado da escassez: quanto mais rara uma mercadoria, mais cara ela se torna. Dada a escassez generalizada de sacerdotes, o valor de mercado de cada um aumenta imensuravelmente.

É revelador que, nesse processo, justamente o bem que, segundo os pronunciamentos episcopais e a doutrina da Igreja, é o mais importante de todos seja negligenciado: a Eucaristia. Aqueles que pensam a partir da perspectiva do ministério ordenado prefeririam cancelar as celebrações eucarísticas se faltassem homens ordenados com o poder de consagrar a Eucaristia. Aqueles que pensam a partir da perspectiva da Eucaristia e das paróquias que "morrem de fome sem o pão da vida" equipariam, preparariam e ordenariam um número suficiente de homens e mulheres com precisamente esse poder para sustentar a Igreja.

Não seria preciso muito, apenas uma mudança de perspectiva que levasse a sério o fato de que a Eucaristia – conforme ensinado pelo Concílio Vaticano II – é a "fonte e o ápice" de toda a vida cristã. Será que isso é pedir demais?

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