11 Abril 2026
Vigília de oração pela paz na Basílica de São Pedro: "Violações contínuas do direito internacional. Ouçamos as vozes das crianças em zonas de conflito. A oração é uma barreira contra as ilusões de onipotência que se tornam cada vez mais imprevisíveis e agressivas."
A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 11-04-2026.
A "loucura da guerra" continua, as violações do direito internacional são "contínuas" e crianças são vítimas de "ações das quais alguns adultos se orgulham". A situação é tão grave que o Papa Leão XIV decidiu convocar uma vigília extraordinária na Basílica de São Pedro, porque a oração, explicou ele, é "uma barreira contra a ilusão de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressiva".
Humilde e contundente
A guerra de Donald Trump e Benjamin Netanyahu no Irã e no Líbano provocou uma reação do primeiro Papa americano da história. Suas primeiras palavras, proferidas na galeria da Basílica de São Pedro na noite do Conclave, foram "paz", mas o agravamento da situação internacional o levou a fazer declarações cada vez mais explícitas e dramáticas. Isso se torna ainda mais evidente porque, como ele também lembrou ontem, "até mesmo o santo Nome de Deus, o Deus da vida, está sendo arrastado para os discursos da morte", uma clara referência às tentativas de autoridades da Casa Branca, bem como de setores messiânicos do governo israelense, de justificar a guerra com argumentos religiosos. Seu tom ameno e seus argumentos teológicos, paradoxalmente, tornam suas posições particularmente contundentes.
Apelo aos governantes
“Queridos irmãos e irmãs”, disse ontem o Pontífice nascido em Chicago, que ao longo da Semana Santa intensificou seus apelos à Casa Branca, “certamente os líderes das nações têm responsabilidades incontornáveis. Clamamos a eles: parem! Este é o tempo da paz! Sentem-se às mesas de diálogo e mediação, não às mesas onde se planeja o rearme e se delibera a morte!” Não menos grande, continuou o Papa, é “a responsabilidade de todos nós, homens e mulheres de tantos países diferentes: uma imensa multidão que repudia a guerra, com ações, não apenas com palavras. A oração nos compromete a converter o que resta da violência em nossos corações e mentes: convertamo-nos a um Reino de paz que se constrói dia a dia, em lares, escolas, bairros, comunidades civis e religiosas, substituindo a polêmica e a resignação pela amizade e pela cultura do encontro. Voltemos a acreditar no amor”, disse o Papa, “na moderação, na boa política.” Entre os cardeais presentes estava o arcebispo de Teerã, Dominique Mathieu, que teve de evacuar devido ao bombardeio.
Mais fiéis do que o esperado
O "santo rosário para invocar o dom da paz" começou com a ladainha de oração — "a paz abre espaço para si mesma, palavra por palavra, como uma rocha erodida gota a gota" — e o Pontífice agostiniano concluiu depositando flores aos pés da estátua da Virgem Maria que se encontra diante do altar de São Pedro. A vigília ocorreu dentro da basílica, mas havia muito mais fiéis do que o esperado, que acompanharam a oração na praça através de telões gigantes: "Hoje queremos dizer ao mundo inteiro que é possível construir a paz", disse o Papa ao cumprimentá-los no adro da igreja, "é possível conviver com todos os povos, de todas as religiões e de todas as raças".
Nem espada nem drone
Em seu discurso, o Papa, que parte na segunda-feira para uma viagem de doze dias à África, misturou palavras bíblicas com referências contemporâneas. "Pensamentos, palavras e ações", disse ele, "quebram a corrente demoníaca do mal e se colocam a serviço do Reino de Deus: um Reino no qual não há espada, nem drone, nem vingança, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão. Aqui", enfatizou Prévost, "temos uma barreira contra esse delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo ao nosso redor. O equilíbrio da família humana está gravemente desestabilizado."
Crianças sob as bombas
À medida que as notícias de bombardeios contra civis no Irã, na Faixa de Gaza e no Líbano chegam rapidamente ao Vaticano, Leão XIV disse aos fiéis: "Recebo muitas cartas de crianças em zonas de conflito: ao lê-las, percebe-se, com a verdade da inocência, todo o horror e a desumanidade de ações das quais alguns adultos se orgulham. Ouçamos as vozes das crianças!"
Correndo o risco de mal-entendidos e desprezo
O Papa sabe que suas palavras provocarão hostilidade: em janeiro, o então Núncio Apostólico nos Estados Unidos, Cardeal Christophe Pierre, foi convocado ao Pentágono depois que Leão XIV denunciou que "a guerra voltou à moda". A Igreja, disse ele ontem, "avança sem hesitação, mesmo quando", enfatizou, "a rejeição da lógica da guerra pode lhe custar incompreensão e desprezo". Que a "loucura da guerra", disse o Papa em sua oração final, "termine, e que a Terra seja cuidada e cultivada por aqueles que ainda sabem gerar, proteger e amar a vida".
Assim como Wojtyla com o Iraque
Leão citou as intervenções de seus antecessores em momentos dramáticos, desde Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial até Francisco. Particularmente significativo foi o apelo feito por João Paulo II quando os Estados Unidos de George W. Bush atacaram o Iraque em 2003: "Faço meu o seu apelo, tão oportuno, nesta noite", concluiu Leão. Hoje, ele enfrenta outra guerra americana.