25 Março 2026
Gênero e sexualidade são pontos de discórdia entre as igrejas, afirma o presidente do Grupo de Trabalho das Igrejas Cristãs. Ao mesmo tempo, a vontade de manter o diálogo e representar posições comuns permanece forte.
A reportagem é publicada por Katholisch, 24-03-2026.
Segundo Christopher Easthill, presidente do Conselho de Igrejas Cristãs (ACK), o tratamento dado às pessoas queer é o principal ponto de discórdia entre as igrejas. "A principal linha divisória é, de fato, a questão LGBTQI+", disse Easthill à revista "Eulemagazin". A sigla em inglês LGBTQI+ refere-se principalmente a pessoas não heterossexuais que se identificam como lésbicas, gays ou queer.
Apesar da estreita cooperação entre as igrejas na Alemanha, existem diferenças significativas em questões éticas. "É claro que há tópicos sobre os quais temos opiniões divergentes: a forma como lidamos com sexo e gênero, a questão do reconhecimento de pessoas LGBTQI+", disse Easthill. Questões sobre o início da vida e o aborto também estão entre elas.
As tensões dentro da comunidade anglicana são particularmente visíveis, explicou o sacerdote anglicano. Mesmo na Alemanha, existem congregações que, devido a posições conservadoras, não cooperam ativamente com outras – "e têm feito isso há muitos anos". Ao mesmo tempo, segundo Easthill, os conflitos são relativamente moderados. Não há discussões acaloradas. Em vez disso, as igrejas se concentram no diálogo: "Tentamos manter o diálogo uns com os outros, respeitando as tradições e posições de cada um".
Aviso contra a instrumentalização
Easthill alertou contra a exploração política dessas diferenças. A separação imposta externamente entre igrejas liberais e conservadoras é uma construção ideológica; na realidade, as igrejas ortodoxas, as igrejas livres e as principais igrejas cooperam, em grande parte, de forma harmoniosa.
Ao mesmo tempo, o debate LGBTQI+ tem uma função especial. A questão serve "às várias facções dentro das igrejas como um ponto de identificação, como uma causa em torno da qual podem se unir – e que, portanto, também podem usar para seus próprios interesses de poder". Easthill, no entanto, não descarta mudanças a longo prazo. Desenvolvimentos como a ordenação de mulheres mostram que as posições dentro das igrejas podem mudar com o tempo – desde que o diálogo continue.
A ACK é o órgão ecumênico mais importante da Alemanha. É composta por cerca de 20 igrejas e comunidades. Outras têm status de convidadas e cinco têm status de observadoras. Seu objetivo é superar as divisões dentro do cristianismo.
Leia mais
- Leão XIV precisa se encontrar e escutar mais os LGBT+. Artigo de João Melo
- Entre a doutrina e a vida: o Papa Leão XIV e os católicos LGBTQ. Artigo de Mario Trifunovic
- Papa Leão XIV encontra casal gay proeminente — e conversa sobre Wordle
- Católicos LGBTQ+ diante da doutrina de Leão XIV. Artigo de Franco Garelli
- O Jubileu LGBTQ+ "Vamos restaurar a dignidade negada a todos"
- A revolução silenciosa do Jubileu da comunidade LGBTQ: "Esperamos um novo começo para a Igreja"
- A peregrinação do Jubileu LGBTQ+: muito barulho por nada. Artigo de Luigi Testa
- Católicos LGBTQ+ na Agenda do Jubileu: "Algo está mudando na Igreja"
- Jesuíta Martin: Papa Leão XIV pela abertura em relação aos católicos LGBTQ
- A sucessão do Papa e os LGBT+. Artigo de Luís Corrêa Lima
- Jubileu 2025. Um evento jubilar dedicado à comunidade LGBT+: a ação do Papa Francisco
- Ouvi delegados do Sínodo se opondo a questões LGBTQ. Aqui estão minhas respostas. Artigo de James Martin
- “Eu me acostumei a ser odiado”, diz o defensor dos católicos LGBT James Martin
- "Espero que Leão XIV não reverta as reformas feitas por Francisco", afirma Padre Franz Harant, diretor da Rainbow Pastoral Áustria
- Um sinal de esperança de Leão XIV para os LGBT. Artigo de João Melo
- “Não é uma questão”: o silêncio que adoece – uma resposta à fala do cardeal Fridolin Ambongo. Artigo de João Melo
- A realidade é superior à ideia de família que a Igreja possui. Artigo de João Melo
- Vocação, castidade e discernimento: um olhar sobre jovens LGBTs na vida consagrada. Artigo de João Melo