Irã, palavras de Mojtaba Khamenei: "As bases americanas devem ser eliminadas e o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado"

Foto: Armada Iraniana | Anadolu Ajansi

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13 Março 2026

O Líder Supremo não aparece; sua primeira mensagem foi lida na televisão. É provável que ele tenha uma lesão no pé. Fontes dizem que ele está inconsciente.

A informação é de Gabriella Colarusso, publicada por La Repubblica, 13-03-2026.

Os iranianos aguardavam para ouvir sua voz, para decifrar seu tom e nuances, mas apenas uma apresentadora vestida com um chador preto apareceu na televisão nacional para ler um texto escrito.

Cinco dias após sua nomeação, o novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, continua ausente, alimentando especulações sobre seu verdadeiro estado de saúde. Sabe-se com certeza que ele foi ferido em 28 de fevereiro, nas primeiras horas da guerra, no ataque que matou seu pai, Ali, sua esposa, sua irmã e um de seus filhos. Mas agora foi descoberto que sua mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, sobreviveu. Segundo a CNN, o líder teria sofrido ferimentos leves: uma fratura no pé e escoriações no rosto. Outras fontes afirmam que ele pode estar em estado mais grave, inclusive inconsciente.

Em seu primeiro discurso à nação, Khamenei disse ter ficado sabendo pela televisão que havia sido escolhido como o novo Líder, alimentando suspeitas de que todo o processo foi influenciado e efetivamente ditado pelo Pasadran, que conseguiu exercer influência até mesmo sobre o clero, explorando a urgência da guerra. Mojtaba havia cultivado relações sólidas com a Guarda Revolucionária ao longo dos anos e era considerado há muito tempo o candidato mais popular à sucessão. Suas palavras ecoam a retórica de guerra dos militares: nenhum passo atrás, o inimigo se arrependerá.

Ele relembra as vítimas do conflito, menciona os mais de 150 estudantes da escola Shajareh-Tayyebeh em Minab mortos por um bombardeio americano e promete "vingança pelo sangue dos mártires". Ele também relata ter "tido a honra de ver o corpo" de seu pai "após seu martírio", descrevendo-o como "uma montanha de firmeza". Uma epopeia que serve para fortalecer as fileiras da "resistência", mas também uma mensagem política: o Irã não se desviará dos pilares estratégicos fundamentais da República Islâmica, de sua ideologia.

A guerra é uma guerra pela continuação da revolução de Khomeini. "A alavanca do fechamento do Estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser usada", afirma ele, apelando à chamada "unidade das frentes", que do Líbano ao Iêmen resistem ao inimigo. Há duas noites, os Pasdaran e o Hezbollah coordenaram os seus ataques contra Israel, respondendo simultaneamente, pela primeira vez, aos ataques das Forças de Defesa de Israel. Ele ameaça a abertura de novas frentes: "A sua ativação ocorrerá se a situação de guerra persistir".

A mensagem dirige-se principalmente aos países do Golfo, que neste conflito se revelaram o maior ponto de vulnerabilidade para os americanos e de força para os Guardiões. "Devem esclarecer a sua posição em relação àqueles que atacaram a nossa amada pátria e mataram membros do nosso povo", adverte Khamenei, instando-os a "fechar essas bases o mais rapidamente possível, porque as alegações dos Estados Unidos de garantir a segurança e a paz não passam de uma mentira".

É mais um dos temas recorrentes que permeiam a retórica do regime desde a revolução islâmica de 1979: expulsar os americanos do Oriente Médio, com o objetivo, para Teerã, de garantir assim uma influência regional duradoura e consolidada.

Não sabemos se o texto foi de fato escrito por Khamenei, mas ele coincide claramente com mensagens vindas do comando militar. A liderança política foi marginalizada; os imperativos da guerra estabeleceram a supremacia dos Pasdaran. Para gerir o conflito, era necessário um líder que não impedisse a sua autonomia. "Em essência, o que estamos testemunhando pode equivaler a um golpe de Estado de fato. O regime, na prática, tornou-se a Guarda Revolucionária Islâmica e está lutando pela sua sobrevivência. Outras facções dentro do sistema agora dependem dele", escreve o analista Kamran Bokhari.

Segundo a inteligência americana, a liderança iraniana permanece essencialmente intacta; não há sinais de colapso do regime. Uma guerra prolongada poderia desgastar o aparato e abrir caminho para diferentes cenários, mas, por ora, os agentes 007 descrevem um sistema que "mantém o controle da opinião pública iraniana" e das ruas. Se a guerra terminar sem um novo equilíbrio, a perspectiva para os iranianos é a de se depararem com um sistema militarizado e mais autoritário, ávido por vingança, tanto contra inimigos externos quanto contra aqueles que considera internos.

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