Teerã: "Trégua somente se os ataques cessarem." Mistério em torno de Mojtaba Khamenei

Mojtaba Khamenei (roupa azul) | Foto: Anadolu Ajansi

Mais Lidos

  • Desafios da “pornografia pastoral” na cultura digital. Artigo de Eliseu Wisniewski

    LER MAIS
  • Com​ mais 55% da vegetação nativa da região convertida, o professor é contundente:

    Ecodomínio Cerrado: muito além de uma savana, um ‘hotspot’ em colapso. Entrevista especial com Cássio Cardoso Pereira

    LER MAIS
  • Aos mercadores da morte. Carta de Dom Mimmo Battaglia, cardeal arcebispo de Nápoles

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Março 2026

A multidão na praça aguarda em vão o discurso do Líder. Autoridades estrangeiras afirmam ter sido procuradas para negociações pela China, França e Rússia. Os Pasdaran dizem que o Estreito de Ormuz está aberto para aqueles que perseguem americanos e israelenses.

A reportagem é de Gabriella Colarusso, publicada por La Repubblica, 10-03-2026.

O triângulo de mediação está em movimento, enquanto os mercados continuam a negociar acima de US$ 100 o barril de petróleo. São eles: a Rússia de Putin, a China de Xi e a França de Macron. Estão em contato com Teerã, que por sua vez está em contato com Trump. O objetivo é acalmar os mercados de ações e iniciar uma desescalada que leve a um cessar-fogo. "Alguns países entraram em contato conosco, incluindo Rússia, China e França, a respeito de um cessar-fogo", confirmou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Gharibabadi, na televisão estatal, especificando que a primeira condição de Teerã para uma possível trégua seria o fim de novas agressões contra o país. Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores, Araghchi, esclarece que as negociações com os Estados Unidos não estão em pauta por enquanto, e enquanto ele fala Israel lança novos ataques pesados ​​contra Teerã.

A vitória almejada pela República Islâmica é forçar os Estados Unidos a um acordo negociado, mantendo o sistema vigente e conseguindo substituir um Khamenei por outro — um tapa simbólico na cara da tentativa de Trump e Netanyahu de orquestrar uma mudança de regime politicamente orquestrada de cima para baixo. A estratégia para alcançar esse objetivo é bloquear as artérias vitais da economia regional. Kamal Kharazi, assessor do Guia, explica isso claramente à CNN. A guerra só terminará infligindo "dor econômica" aos países. Os pasdarianos estão oferecendo "passagem segura" pelo Estreito de Ormuz a países árabes e europeus que expulsem os embaixadores israelense e americano. Essa manobra ocorre enquanto todos em Teerã o aguardam: Mojtaba Khamenei, com milhares reunidos na Praça Enghelab para jurar lealdade a ele. Mas, em seu primeiro dia como presidente da Terceira República Islâmica, o herdeiro não aparece.

O site iraniano Didar News anunciou um discurso dele, e o Iran International — canal ligado à oposição monarquista — reiterou o rumor. Ao anoitecer, tudo permanecia em silêncio. Isso foi o suficiente para alimentar o mistério em torno de uma figura já enigmática, sobre a qual se sabe muito pouco. Teorias da conspiração e especulações proliferam, com alguns chegando a afirmar que ele está em estado crítico. Segundo o Canal 12, ele ficou gravemente ferido no ataque que matou seu pai, sua mãe, sua esposa e um de seus três filhos.

Em público, toda a cúpula do establishment declara seu apoio e lealdade. "A preciosa eleição do Aiatolá Sayyed Mojtaba Hosseini Khamenei é uma manifestação da vontade do povo de governar", escreve o presidente Pezeshkian. Sua nomeação gerou "desespero nos EUA e em Israel", insiste Ali Larijani. Nos bastidores, as divisões permanecem sem solução. Segundo Amwaj, a eleição de Mojtaba ocorreu contra a vontade de seu pai, "expressa em um testamento escrito", que não exigia sucessão hereditária. O quórum para votação na Assembleia de Peritos "foi atingido por pouco". As disputas internas, no entanto, importam apenas até certo ponto, assim como as ameaças de Trump de destituí-lo, porque os Pasdaran (membros do governo) ganharam vantagem sobre os outros ramos do sistema em Teerã.

No Irã em guerra, o que governa é uma doutrina, não um líder: a defesa em mosaico concebida por Khamenei e pela liderança militar após a invasão americana do Iraque para permitir que o sistema sobreviva mesmo em caso de crise de poder central. Ela funciona independentemente de Mojtaba estar ferido ou vivo e bem.

Os 31 comandos militares descentralizados nas diversas províncias do Irã não necessitam de sua autorização para operações militares. Tanto é assim que, enquanto o Irã aguarda um sinal de Khamenei, o comandante das forças aeroespaciais da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, levanta a voz e declara que, a partir de agora, Teerã não lançará mais mísseis com ogivas pesando menos de uma tonelada.

O establishment sabe que a pressão econômica sobre o Golfo e o bloqueio do Estreito de Ormuz estão prejudicando os americanos. E os sinais vindos de Washington parecem, por ora, comprovar essa percepção.

Leia mais