Quem é Mojtaba Jamenei, o novo líder supremo do Irã

Mojtaba Jamenei | Foto: Iranian President's Press Office/Anadolu Agency

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09 Março 2026

Seu perfil, considerado radical pelos analistas, envia um poderoso sinal de que o Irã não tem intenção de mudar de rumo no momento mais turbulento de seus 48 anos de história.

A informação é de Patrick Wintour, publicada por El Diario, 08-03-2026. 

Mojtaba Jamenei, o segundo filho do assassinado Ali Jamenei, foi escolhido para suceder seu pai como líder supremo do Irã. A decisão coloca um perfil considerado radical à frente da República Islâmica no momento mais turbulento de seus 48 anos de história e envia um forte sinal de que, por enquanto, o país não tem intenção de mudar de direção. A nomeação foi confirmada pelas agências oficiais do país.

Rígido em suas posições antiocidentais, Mojtaba Jamenei não é o candidato que Donald Trump teria desejado. Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou há alguns dias que o Irã era governado por “fanáticos religiosos lunáticos”, e é pouco provável que a nomeação de Jamenei mude essa opinião.

A escolha do líder supremo é feita pela Assembleia de Especialistas, composta por 88 membros, que neste caso selecionaram entre seis possíveis candidatos. Sua eleição é um sinal contundente, embora previsível, de que o governo não busca um acordo com os Estados Unidos.

Durante mais de uma década especulou-se sobre quem poderia suceder o líder iraniano, especulação que se intensificou após a morte de Ebrahim Raisi — presidente eleito e favorito de Jamenei — em um acidente de helicóptero.

Mojtaba Jamenei nasceu em 1969 e estudou teologia após concluir o ensino médio. Aos 17 anos participou da guerra entre Irã e Iraque, mas só no final da década de 1990 passou a ser reconhecido como uma figura pública por mérito próprio.

Após a derrota esmagadora do candidato preferido de Jamenei, Ali Akbar Nategh Nuri, nas eleições presidenciais de 1997 — quando obteve apenas 25% dos votos finais — vários grupos conservadores iranianos perceberam a necessidade de reorganizar suas estruturas, e Mojtaba Jamenei foi fundamental nesse projeto.

Ele também foi considerado pelos reformistas como uma peça-chave na repressão aos protestos de 2009, que surgiram após acusações de fraude nas eleições presidenciais, e seu nome foi entoado nas ruas como um dos responsáveis. Mostafa Tajzadeh, um destacado membro dos partidos reformistas iranianos que foi preso após as eleições, alegou que seu processo judicial e o de sua esposa, Fakhr al-Sadat Mohtashamipour, estavam sob supervisão direta de Mojtaba Jamenei.

Em 2022 recebeu o título de aiatolá, requisito essencial para sua ascensão. Naquela altura, já era uma presença constante ao lado de seu pai em reuniões políticas, além de exercer um papel influente na Corporação de Radiodifusão da República Islâmica, o meio de comunicação oficial do governo — frequentemente criticado por produzir propaganda política que muitos iranianos rejeitam em favor de canais estrangeiros via satélite. Ele também desempenhou um papel central na administração do importante império financeiro de seu pai.

Seus aliados políticos mais próximos são Ahmad Vahidi, o recém-nomeado comandante da Guarda Revolucionária; Hossein Taeb, ex-chefe da organização de inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica; e Mohammad Bagher Ghalibaf, atual presidente do Parlamento.

Os reformistas se opuseram por muito tempo à sua nomeação por causa de seu caráter hereditário. O ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi, referindo-se ao longo histórico de rumores sobre a sucessão, escreveu em 2022: “Há 13 anos escutamos notícias dessa conspiração. Se vocês realmente não estão fazendo isso, por que não negam essa intenção de uma vez por todas?”

A Assembleia de Especialistas, em resposta, denunciou a “falta de sentido dessas dúvidas” e afirmou que escolheria apenas “os mais qualificados e apropriados”.

Na semana passada, Israel atacou um edifício na cidade iraniana de Qom — um dos principais centros de poder do xiismo — onde estava prevista a reunião para a escolha do líder. Segundo meios de comunicação ligados à Guarda Revolucionária, o prédio estava vazio.

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