Machado se encontra com o Papa: "Ajude-nos a libertar os prisioneiros"

Foto: Vatican Media

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13 Janeiro 2026

A vencedora do Prêmio Nobel chega inesperadamente ao Vaticano em busca de apoio da Igreja antes de sua viagem a Washington.

A reportagem é de Anna Lombardi e Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 13-01-2026. 

Diante do presidente americano, o Papa americano com vasta experiência na América Latina. Diante do Salão Oval, o Palácio Apostólico. Esperada na Casa Branca na quinta-feira por Donald Trump, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi ontem receber a bênção — ou melhor, o conselho — de Leão XIV no Vaticano: por uma feliz coincidência, no mesmo dia da libertação de Alberto Trentini. Uma audiência que não deve ser encarada como algo trivial, uma "honra", como a chamou o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, que pediu ao Pontífice "que interceda por todos os venezuelanos sequestrados e desaparecidos". Ao mesmo tempo, ela reconheceu — como consta em um comunicado divulgado por seus seguidores mais fiéis — que a "luta espiritual" da qual se proclama defensora e a "derrota do mal" como seu objetivo final só serão possíveis graças ao "apoio da Igreja" e à "pressão sem precedentes do governo dos Estados Unidos": considerados os dois atores-chave na resolução da crise venezuelana.

A Santa Sé, que está jogando o delicado jogo venezuelano em coordenação com os bispos locais, prudentemente tornou pública a audiência somente após sua conclusão. E sem uma palavra de comentário. Além disso, um mês antes, Leão já havia condenado a possibilidade de intervenção militar. Embora a audiência não seja um endosso, é uma clara demonstração de preocupação com a oposição, um contraponto à demissão de Machado por Trump após a deposição de Nicolás Maduro: "Ela é uma mulher gentil, mas será muito difícil para ela ser uma líder."

O Papa e seus assessores estão trabalhando pela paz. Eles visam "acalmar a situação", como Prevost já explicou, "buscando acima de tudo o bem do povo, porque muitas vezes quem sofre nessas situações é o povo comum, não as autoridades". Além disso, o Vaticano sabia da possível saída de Maduro — segundo o Washington Post, o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, ex-núncio em Caracas, chegou a contatar o embaixador dos EUA para sinalizar a disposição da Rússia em lhe oferecer refúgio — e, para Roma, o aumento do conflito certamente não é a solução. "A Santa Sé está tentando promover uma desescalada", afirma Gianni La Bella, professor de história contemporânea da Universidade de Modena e Reggio Emilia e um dos maiores especialistas em Venezuela, "e também está tentando fomentar uma melhora nas relações de Machado com os bispos venezuelanos". Isso é especialmente verdadeiro considerando que, recentemente, o líder da oposição não poupou críticas ao episcopado em relação à questão dos presos políticos.

A ganhadora do Prêmio Nobel teria discutido o assunto com o Papa: "Expressamos nossa alegria pela libertação de seus compatriotas, Trentini e Biagio Pilieri. Para nós, porém, nossa alegria só será completa quando todos os presos políticos estiverem livres", disse Maria Claudia López, chefe da Coalizão Democrática Venezuelana na Itália e porta-voz de Machado no país, ao jornal Repubblica , em entrevista por telefone ao final de um dia descrito como "longo" e "agitado". Ela forneceu poucos detalhes sobre a audiência, que, segundo ela, foi privada: "Ela veio especialmente" e não se reuniu com a comunidade venezuelana ou outras instituições italianas, mas, além de Leone, apenas com o Cardeal Parolin. "Corina pediu ao Papa que rezasse pela realização do desejo dos 8 milhões de venezuelanos, exilados ao redor do mundo, de retornar à sua pátria." Ela descreveu o encontro como "comovente, um momento de grande acolhimento, muito desejado tanto pela ganhadora do Prêmio Nobel quanto por Sua Santidade, que ouviu atentamente as atualizações sobre a situação." Mas será que a líder da oposição disse algo ao Papa que repetirá a Trump? "Sim, que precisamos agir rapidamente: a velocidade é essencial nesta transição, o país está exausto. Iniciar e viabilizar a reconstrução é certamente uma prioridade também para os Estados Unidos."

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