13 Janeiro 2026
Há pouco mais de duzentos e vinte anos, em 15 de agosto de 1805, El Libertador Simón Bolívar (1783-1830) fez este juramento solene no Monte Sacro, em Roma, onde em 494 a.C. havia ocorrido uma revolta da plebe: “Juro diante de vós, juro pelo Deus de meus pais, juro por eles, juro pela minha honra e juro pela minha pátria, que não darei descanso ao meu braço, nem paz à minha alma, até que eu tenha rompido as correntes que nos oprimem por vontade do poder espanhol!”. Bolívar foi posteriormente presidente da Venezuela, da Grã-Colômbia (Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador) e, finalmente, da Bolívia e Peru.
A reportagem é de Fabrizio D’Esposito, publicada por il Fatto Quotidiano, 12-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Hoje, no Monte Sacro, existe um memorial que evoca aquele juramento, com um busto do Libertador encomendado há duas décadas pelos então presidentes da Itália e da Venezuela, Carlo Azeglio Ciampi e Hugo Chávez. Em 2013, o memorial foi visitado por Nicolás Maduro, e a última delegação venezuelana chegou em abril passado. Entre eles estava também o padre jesuíta Numa Molina, que celebrou o Natal passado com Maduro e que, em 6 de janeiro, três dias após a incursão do invasor trumpiano, postou um vídeo no Facebook intitulado "Retornará uma aurora cheia de esperança".
Teólogo e jornalista, o padre Molina é um defensor do bolivarismo explicitado pela República Bolivariana da Venezuela, restabelecida em 1999 por Chávez. Entrevistado diversas vezes pelo Il Manifesto, o jesuíta explicou sua escolha da seguinte forma: "O socialismo venezuelano é o que mais próximo ao Evangelho encontrei na América Latina".
Amigo de Chávez e Maduro, assim como do Papa Francisco, o padre Molina sempre defendeu em nome de Cristo os regimes de seu país, especialmente contra a Igreja venezuelana: "A Venezuela é um país muito católico. O chavismo surgiu das massas católicas, e elas se sentem abandonadas pelas hierarquias eclesiásticas que não souberam compreendê-lo. Por que — pergunta-se o povo — o padre fala mal do governo para mim se antes eu passava fome e agora não passo mais, se antes eu era analfabeto e agora sou instruído?" Em todo caso, o "sonho bolivariano" — sob a bandeira da justiça social e da teologia do povo, uma corrente autônoma da teologia da libertação — esteve no centro da viagem apostólica do Papa Francisco ao Equador, Bolívia e Peru em julho de 2015.
Francisco iniciou sua homilia durante a missa celebrada em 7 de julho no Parque do Bicentenário, em Quito, capital do Equador, assim: "Imagino aquele sussurro de Jesus na Última Ceia como um grito, nesta missa que celebramos na Praça do Bicentenário. Imaginemos juntos. O Bicentenário daquele grito de independência da América hispânica. Aquele grito nasceu da consciência da falta de liberdade, de ser oprimidos e saqueados."
Contudo, em 2024, retornando de outra viagem apostólica à Ásia e Oceania, Francisco convidou Maduro ao diálogo após a última guinada autoritária ocorrida com as eleições presidenciais daquele ano. E profetizou: "As ditaduras não servem e terminam mal."
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