06 Janeiro 2026
No entorno do mandatário dizem que ele esperava que a opositora o recusasse. “Se tivesse dito ‘não posso aceitá-lo porque ele pertence a Donald Trump’, hoje seria a presidenta da Venezuela”, dizem na Casa Branca.
A informação é publicada por Página|12, 06-01-2025.
Segundo revelaram fontes próximas à Casa Branca, a decisão da líder opositora venezuelana María Corina Machado de aceitar o Prêmio Nobel da Paz gerou profundo mal-estar no presidente Donald Trump, que almejava o galardão, e seria o motivo pelo qual atualmente não é ela quem lidera a transição na Venezuela após a invasão norte-americana.
Apesar de Machado ter agradecido a Trump e dedicado a ele o prestigioso prêmio, o fato de não ter rejeitado o reconhecimento resultou em um “pecado imperdoável” que o mandatário não esqueceu, disseram ao Washington Post duas fontes próximas à Casa Branca.
“Se tivesse recusado e dito: ‘Não posso aceitá-lo porque ele pertence a Donald Trump’, hoje seria a presidenta da Venezuela”, explicou uma das fontes, que prestou depoimento sob anonimato.
Embora Trump não tenha reconhecido isso publicamente, seu distanciamento da líder venezuelana ficou claro neste fim de semana.
No sábado, durante a coletiva de imprensa em que deu detalhes da operação de captura de Nicolás Maduro em Caracas, Trump retirou seu aval ao afirmar que “seria muito difícil” para Machado presidir agora a nação sul-americana porque “não conta com apoio nem respeito dentro do país”.
O comentário de Trump surpreendeu os aliados de Machado, segundo reconheceu ao Washington Post uma pessoa próxima à equipe da opositora, que deixou a Venezuela em segredo após meses na clandestinidade.
Neste domingo, além disso, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reiterou a decisão de Washington de descartar a líder opositora como sucessora de Maduro. Em seu lugar, o governo norte-americano iniciou um diálogo com a vice-presidenta e atual presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez.
“María Corina Machado é fantástica, mas a realidade imediata que enfrentamos é que, infelizmente, a grande maioria da oposição já não está presente na Venezuela. Temos questões de curto prazo que precisam ser tratadas de imediato”, disse Rubio, acrescentando que a número dois de Maduro é “alguém com quem se pode trabalhar”.
O apoio a Rodríguez, no entanto, é condicionado, já que Trump a advertiu de que, se não agir como ele deseja, poderá enfrentar um destino “pior que o de Maduro” e reiterou que estão prontos para uma “segunda onda de ataques”, maior do que a operação para capturar e retirar de Caracas o presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores.
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