Arcebispo nomeado de Viena: quem sai da Igreja não são ovelhas perdidas

Foto: Vatican News

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18 Novembro 2025

Também na Áustria, a saída de fiéis da Igreja é um tema importante. O futuro arcebispo de Viena pede um olhar mais diferenciado – e está convencido de que a Igreja não precisa ser “descolada”.

A informação é publicada por katolisch.de, 17-11-2025. 

O arcebispo nomeado de Viena, Josef Grünwidl, considera inadequado falar de pessoas que deixaram a Igreja como “ovelhas perdidas”. “Sinto, é claro, por cada homem e mulher individualmente, mas muitas vezes a saída da Igreja não significa que essas pessoas automaticamente se afastem da fé ou de Deus”, disse Grünwidl em entrevista ao jornal Kronen Zeitung (edição de domingo). Segundo ele, essas pessoas permanecem batizadas; muitas continuam ligadas a Deus pela oração e mantêm seu modo de vida cristão.

Em 2024, quase 72 mil pessoas deixaram a Igreja Católica na Áustria. Grünwidl destacou que a Igreja se esforça, em cada processo de saída, para conversar sobre os motivos, e alguns aceitam essa oferta. Ao ser questionado se tornaria a Igreja “descolada”, o arcebispo designado respondeu: “Acredito que não precisamos tornar a Igreja descolada, porque ela já é.” Ele deseja contribuir para que a Igreja não perca importância na sociedade, mesmo que se torne numericamente menor. Grünwidl ressaltou que “todos são bem-vindos entre nós, independentemente de alguém ser católico ou não”.

No exercício do cargo de arcebispo de Viena, Grünwidl quer trazer sua longa experiência como pároco em muitas comunidades. Essa abordagem pastoral é muito importante para ele também em sua nova função: “Encontrar as pessoas, ouvi-las bem e tentar encontrar boas soluções para elas, oferecendo ajuda a partir da fé. Não só pelas redes sociais, mas realmente cara a cara.”

Nada de suspeitas generalizadas contra o Islã

O fato de que os muçulmanos na Áustria, com pouco mais de 700 mil membros, formam uma comunidade religiosa em crescimento deve, segundo Grünwidl, ser motivo de autorreflexão para a população austríaca majoritariamente cristã: “Quão importante é o cristianismo para nós? Batizo meus filhos? Assumo minha Igreja? A fé é um valor que também defendo?”

Ao mesmo tempo, Grünwidl alertou contra suspeitas ou julgamentos generalizados em relação ao Islã. Há, como em todas as outras comunidades religiosas, grupos extremistas ou até violentos. Por isso, é importante distinguir entre Islã e islamismo, ou Islã político. Grünwidl afirmou estar convencido de “que há em nosso país muitos muçulmanos bem integrados, que se esforçam para contribuir de maneira positiva no mundo ocidental e em um país democrático”. A integração fica mais difícil, “quando se exclui ou rotula os outros desde o início”.

Grünwidl, de 62 anos, foi nomeado arcebispo de Viena em 17 de outubro pelo Papa Leão XIV. Antes disso, após a renúncia do cardeal Christoph Schönborn, ele já administrava provisoriamente a arquidiocese como Administrador Apostólico. Sua ordenação episcopal deve ocorrer em 24 de janeiro do próximo ano, na Catedral de Santo Estêvão, em Viena. Schönborn está previsto como consagrante principal.

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