Recuo das geleiras ameaça comida e água para 2 bilhões de pessoas

Foto: Karsten Winegeart | Unsplash

Mais Lidos

  • Zohran Mamdani está reescrevendo as regras políticas em torno do apoio a Israel. Artigo de Kenneth Roth

    LER MAIS
  • Os algoritmos ampliam a desigualdade: as redes sociais determinam a polarização política

    LER MAIS
  • “Os discursos dos feminismos ecoterritoriais questionam uma estrutura de poder na qual não se quer tocar”. Entrevista com Yayo Herrero

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

24 Março 2025

Derretimento das geleiras e diminuição da queda de neve nas regiões montanhosas devem afetar dois terços da agricultura irrigada no mundo, mostra a UNESCO.

A informação é publicada por ClimaInfo, 23-03-2025.

Um em cada quatro habitantes do planeta pode ter seu suprimento de água e de alimentos afetado pelo derretimento das geleiras mundo afora. São 2 bilhões de pessoas ameaçadas, já que as atuais taxas de perda da massa glacial atingiram um nível sem precedentes e terão consequências imprevisíveis.

O alerta foi feito pela UNESCO no relatório “World Water Development Report 2025 – Mountains and Glaciers: Water towers”, lançado na 6ª feira (21/3) – marcando o 1º Dia Mundial das Geleiras. O documento aponta que dois terços de toda a agricultura irrigada no mundo provavelmente serão afetados de alguma forma pelo recuo das geleiras e pela diminuição da queda de neve nas regiões montanhosas, causadas ​​pelas mudanças climáticas, destaca o Guardian.

As geleiras ao redor do mundo estão desaparecendo mais rápido do que nunca, com os últimos três anos marcados pela maior perda de massa glacial já registrada, informa a Reuters. As 9.000 gigatoneladas de gelo perdidas desde 1975, relata a CNBC, são equivalentes a “um bloco de gelo do tamanho da área da Alemanha com espessura de 25 metros”, explicou Michael Zemp, diretor do Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras.

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem em regiões montanhosas e, daquelas que moram em países em desenvolvimento, até metade já está passando por insegurança alimentar. É provável que esse cenário piore, pois a produção de alimentos nessas regiões depende das águas das montanhas, do derretimento da neve e das geleiras, de acordo com o relatório.

Mas o degelo recorde também ameaça os países ricos. Nos Estados Unidos, a bacia do Rio Colorado está em seca desde 2000, e temperaturas mais altas significam que mais precipitação cai na forma de chuva, que escorre mais rapidamente do que a neve das montanhas, agravando a estiagem.

A dramática perda de gelo em todo o mundo deverá acelerar à medida que as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, elevam as temperaturas globais. Isso provavelmente agravará os problemas econômicos, ambientais e sociais em todo o mundo, à medida que os níveis do mar sobem e as principais fontes de água diminuem.

“Preservar as geleiras não é apenas uma necessidade ambiental, econômica e social. É uma questão de sobrevivência”, advertiu a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo. Segundo a OMM, em cinco dos últimos seis anos houve um recuo recorde dos glaciares, e em 2024, pelo 3º ano consecutivo, as 19 regiões glaciares registraram perda líquida de massa, destaca a Folha.

Leia mais