Do G20 para a COP29: líderes admitem trilhões para clima, mas silenciam sobre fósseis

Foto: COP29

Mais Lidos

  • Centenas de aeronaves americanas prontas para atacar. Forças russas e chinesas estão realizando exercícios com Teerã

    LER MAIS
  • Pesquisadora e autora do livro Capitalismo Gore, lançado recentemente no Brasil, analisa como a violência contra minorias políticas resulta de um embaralhamento entre patriarcado e lucratividade midiática que transforma líderes extremistas em chefes de estado

    O desafio de transcender o ódio, combustível da extrema-direita, para superar a teocracia midiática. Entrevista especial com Sayak Valencia

    LER MAIS
  • O que é o Conselho da Paz, que será inaugurado amanhã por Donald Trump, e quem participa dele?

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Novembro 2024

Especialistas em clima avaliam como positivo sinal dos líderes do G20 para “negociações bem-sucedidas em Baku”, mas apontam que faltou comprometimento com a transição energética.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 20-11-2024.

A Declaração dos Líderes do G20, divulgada na noite de 2ª feira (18/11), mandou sinais positivos para a COP29 de que as 20 nações mais ricas do planeta estão cientes do seu papel de liderança no enfrentamento às mudanças climáticas e da necessidade de aumentar o financiamento climático de bilhões para trilhões de dólares. Mas falhou em pontuar especificamente um comprometimento com a eliminação dos combustíveis fósseis.

Essa é a análise de especialistas em clima que acompanham as negociações na conferência do clima em Baku, no Azerbaijão, ouvidos pela Agência Pública. Para eles, foi positivo que os líderes tenham apontado, no documento final, um comprometimento com “negociações bem-sucedidas em Baku”. Uma referência ao principal objetivo da COP29, que é definir um novo mecanismo de financiamento climático (NCQG).

Porém, o G20 não mostrou um comprometimento efetivo dos países mais ricos com a eliminação dos combustíveis fósseis, como destacado no ano passado no Consenso dos Emirados Unidos – o documento de encerramento da COP28, em Dubai, no ano passado. O texto, que apresentou o primeiro Global Stocktake (GST) do Acordo de Paris, trouxe, pela primeira vez, uma menção a esse ponto, ao recomendar que os países façam a “transição para longe dos combustíveis fósseis”.

“Apesar do apoio geral ao trabalho em Baku, a ausência de um compromisso com a transição para longe dos combustíveis fósseis por parte dos países mais ricos e maiores emissores no comunicado final é impressionante e levanta sérias preocupações sobre como o mundo vai seguir com este resultado-chave do consenso dos Emirados Árabes Unidos alcançado no ano passado na COP28”, resumiu Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima.

E mesmo no que diz respeito à NCQG, há quem aponte que faltou clareza ao texto final do G20. “Essa imprecisão corre o risco de minar a confiança nas negociações, já que a influência do G20 é crucial para diminuir as diferenças entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento”, disse à Reuters Oscar Soria, chefe da The Common Initiative.

Em tempo

Os países da União Europeia discutiram uma nova meta global de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões em financiamento anual para ajudar os países mais pobres a lidar com as mudanças climáticas, de acordo com autoridades de dois países do bloco ouvidas pelo POLITICO. As discussões privadas oferecem insights sobre o possível ponto de partida que os países ricos poderiam aceitar como parte de um acordo sobre o fundo nas negociações em Baku. Os governos ocidentais até agora se recusaram a divulgar publicamente um valor que eles poderiam considerar aceitável para o fundo. Eles argumentam que a China, os petroestados e outros países ricos também deveriam ajudar a encher o pote e dizem que pechinchar sobre um número final é prematuro até que a lista de doadores seja definida.

Leia mais