Nossa Senhora de Medjugorje e as “nuvens” sobre os videntes. Artigo de Luigi Sandri

Foto: János Korom | Wikimedia Commons

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25 Setembro 2024

"E ele apela para os fatos: muitas vezes quem vai rezar em Medjugorje volta para casa melhor, determinado a viver a sua fé em termos concretos. Mas, acrescentamos, não se pode negar outro fato: agências de viagens e hotéis fazem negócios em nome de Nossa Senhora de Medjugorje", escreve Luigi Sandri, jornalista italiano, em artigo publicado por L'Adige, 23-09-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

As aparições de Nossa Senhora e de outros santos são possíveis? A doutrina católica responde “sim”, em princípio, mas, normalmente, com relação a um evento concreto, talvez considerado milagroso por alguns, a normativa deixa a responsabilidade do primeiro juízo (na maioria das vezes problemático) para o bispo do local do “evento”. Depois, se necessário, passa a causa para Roma, que se reserva uma avaliação mais ampla. E foi isso que aconteceu agora com o atormentado caso de Medjugorje.

De fato, na quinta-feira passada, o Vaticano publicou uma nota, intitulada “Nossa Senhora da Paz”, segundo a qual tanto as aparições quanto os videntes de Medjugorje são “supostos”; pode-se acreditar ou não acreditar neles; no entanto, especifica, é comprovada a renovação da vida cristã de muitos peregrinos (um milhão por ano) que vão para o vilarejo na Bósnia-Herzegovina, onde tudo começou em 1981. O documento, assinado pelo Cardeal Victor Manuel Fernandez, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, parece salomônico: evita absolutamente afirmar a verdade e a veracidade das “supostas” aparições; especifica que elas não são matéria de fé; e, ao mesmo tempo, constata o reflorescimento da vida cristã de tantas pessoas que foram rezar no pequeno vilarejo situado nas montanhas da antiga Iugoslávia.

Estará agora encerrado o debate intracatólico “a favor” e “contra” Medjugorje? Parece improvável.

No início do caso, que ia favorecendo cada vez mais a religiosidade popular, D. Pavao Zanic, bispo de Mostar-Dubno, à qual o vilarejo pertencia, encontrou-se com os seis videntes (rapazes e moças): no início, pareceu lhes dar crédito, reconhecendo sua sinceridade; mas, com o passar do tempo, mudou de opinião e expressou em Roma fortes dúvidas sobre as aparições.

Totalmente cético em relação às “supostas” aparições também foi seu sucessor, D. Ratko Peric, que liderou a diocese de 1993 a 2020. E os papas?

João Paulo II pareceu acreditar nos fatos de Medjugorje e, quando foi a Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 1997, expressou sua intenção de visitar o local; mas pressões eclesiásticas o dissuadiram.

E Francisco? Depois de admitir algum ceticismo significativo, encarregou Fernandez de gerir a última etapa com a sua nota: ela contorna a questão básica (“Nossa Senhora realmente apareceu em Medjugorje?”) deixando a eventual resposta para um futuro papa; admite que há “nuvens” sobre os videntes e/ou alguns frades e padres que os “geriram”. E ele apela para os fatos: muitas vezes quem vai rezar em Medjugorje volta para casa melhor, determinado a viver a sua fé em termos concretos.

Mas, acrescentamos, não se pode negar outro fato: agências de viagens e hotéis fazem negócios em nome de Nossa Senhora de Medjugorje; não poucas pessoas vão lá na esperança de ver eventos milagrosos; ou ignorando o fato de que, para ser coerentes com o Evangelho, poderiam perceber que Jesus está bem perto de sua porta, onde um pobre pede ajuda.

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