O discurso de contos de fadas, o elogio à inocência que pode mudar o presente de todos

Foto: Vatican Media

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28 Mai 2024

Olhava as crianças, as crianças que vão salvar o mundo, as crianças de uma Praça de São Pedro enorme e colorida, mas falava a outros, a nós, aos adultos perdidos em busca de bússolas e espíritos guias, incapazes de parar os horrores das guerras e devolver uma esperança àqueles que realmente precisam hoje. Roberto Benigni usou palavras fortes, persuasivas e mágicas, repetiu várias vezes “abre-te Sésamo" para forçar a inércia dos políticos, como fazem as crianças quando brincam e invocam uma magia para quebrar os feitiços. Mas nenhum dos grandes tem a coragem de dizer "pare, Sésamo" disse, apesar da tecnologia, do controle remoto, do teclado do smartphone que deveria facilitar a operação. Ninguém, exceto o Papa Francisco, um adulto com coração de criança, aliás, ele também uma criança, segundo o protagonista de “A vida é bela”, o filme que tentou criar um outro mundo para esconder de um filho a inacreditável crueldade do Holocausto.

A reportagem é de Gian Giacomo Schiavi, publicada por Corriere della Sera, 27-05-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Diante do Papa sorridente, o monólogo do ator tornou-se uma mensagem universal, um discurso de conto de fadas e imaginativo para aquele mundo que, quando está à medida da criança, serve para todos. Porque as melhores pessoas nunca crescem, dizem os pedagogos: é preciso continuar a sonhar, a ter sonhos belos, como fazem as crianças.

Se nasceu um dia como esse, num mundo que não gera mais crianças, é porque elas são realmente necessárias. Porque são o sal da terra, a luz do mundo, os protagonistas do futuro. Porque são os verdadeiros amigos de Jesus, que os queria por perto, que foi um deles e como eles também desobedeceu, algumas vezes. Benigni citou o Jesus misericordioso do Sermão da Montanha, lembrou o que se lê no Evangelho de Lucas, onde “quem não receber o reino de Deus como uma criança nunca entrará nele”. Por meio de contos de fadas, sonhos, feitiços, apareceu a singularidade de cada um de nós, de cada criança que também pode tornar-se Papa, “se for uma menina, será uma grande notícia”. Então viva as crianças, viva a inocência e todos os Peter Pan que têm ao seu lado a Fada Sininho com o pó mágico para magias impossíveis. Pode-se sonhar, deve-se sonhar, é a mensagem de Benigni: tudo é possível quando se sonha. Em cada criança e em cada homem existe uma graça que torna únicos, mas há também a beleza da imperfeição que deve levar a sonhar alto e a procurar empreitadas difíceis, a melhorar a si mesmos, para melhorar o mundo.

Foi um discurso para todos, um discurso em que a comicidade se tornou uma aliança, em que o protagonista de Pinóquio lançou a ideia de uma frente ampla para uma nova grande aventura, capitaneada pelo Papa Francisco: mas não para a política, para reaprender as tabuadas da vida. É preciso pensar no futuro porque o presente não é um belo presente. As crianças podem ajudar-nos a mudá-lo lendo, estudando, imaginando, transformando o que está errado em algo que finalmente esteja certo.

Assista o discurso de Benigni, em italiano, em 1h15min43s

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