Sobre o diaconato para as mulheres: o bom uso da tradição. Artigo de Severino Dianich

Foto: Mateus Campos Felipe | Unsplash

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15 Mai 2024

"Basta pensar que nas primeiras gerações o padre não podia celebrar por si só a Eucaristia, o que depois, pelo menos até o Segundo Concílio de Niceia, a ordinatio absoluta fosse considerada inválida, que para Trento, pelo menos segundo muitos dos Padres, o episcopado não era uma instituição divina, que a pregação não aparece no decreto doutrinal porque viria da jurisdição e não do sacramento, que o episcopado não é um grau da Ordem, enquanto o é o subdiaconato, que o Vaticano II sic et simpliciter aboliu um grau da Ordem, precisamente, o subdiácono, e assim por diante", escreve o teólogo e padre italiano Severino Dianich, cofundador e ex-presidente da Associação Teológica Italiana e professor da Faculdade Teológica de Florença, em artigo publicado por Settimana News, 12-05-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Prezados Andrea e Massimo,

Gostei muito da sua discussão, sempre fecunda, quando a intenção é pura.

Na verdade, é São Paulo quem poderia objetar, mas o discurso de Legrand parece-me incontestável: as mesmas razões pelas quais na sociedade do seu tempo era bom que na assembleia cristã não fosse dada palavra à mulher, são as razões pelas quais hoje é um dever dá-la.

O que está em jogo é o que deve contar mais do que qualquer outra coisa para a Igreja: abrir os caminhos para a evangelização.

Quanto à tradição, talvez não haja outro argumento sobre o qual tenha se mostrado tão móvel como no caso da doutrina da Ordem.

Basta pensar que nas primeiras gerações o padre não podia celebrar por si só a Eucaristia, o que depois, pelo menos até o Segundo Concílio de Niceia, a ordinatio absoluta fosse considerada inválida, que para Trento, pelo menos segundo muitos dos Padres, o episcopado não era uma instituição divina, que a pregação não aparece no decreto doutrinal porque viria da jurisdição e não do sacramento, que o episcopado não é um grau da Ordem, enquanto o é o subdiaconato, que o Vaticano II sic et simpliciter aboliu um grau da Ordem, precisamente, o subdiácono, e assim por diante.

Apelar para um argumento tão inconsistente, como é a tradição, para dizer não aos fiéis que pedem algo razoável, bom e útil à Igreja, só porque são mulheres, é uma injustiça.

Acredito que, como teólogos, devemos apoiar fortemente pelo menos a admissão das mulheres ao diaconato. Muito obrigado pela sua contribuição.

Saudações a vocês dois,

Padre Severino.

Imagem: Praising © Mary Southard www.ministryofthearts.org/ Used with permission | Arte: IHU

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