Nota da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT+ sobre a Declaração “Dignitas Infinita” do Dicastério para a Doutrina da Fé

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10 Abril 2024

"Ao categorizar levianamente a inclusão LGBTQIAPN+ como um fenômeno ocidental imposto de forma colonialista a outras culturas, o texto ignora o fato antropológico, documentado por muitos estudiosos mesmo antes dos dias atuais, de que culturas ao redor do mundo e ao longo da história reconheceram e celebraram identidades de gênero além das reivindicações da igreja de binarismo de gênero masculino/feminino", aponta a nota da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT+, publicada em 09-04-2024.

Eis a nota.

A Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT+ recebe com atenção a declaração “Dignitas infinita” emitida pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, a qual visa esclarecer princípios fundamentais sobre a dignidade humana e denunciar violações graves desta. Reconhecemos a importância de tal documento em trazer à luz a necessidade de respeito e proteção da dignidade de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual.

Celebramos o dom da vida de todas as pessoas transexuais, travestis e não-binárias, reconhecendo que são uma maravilhosa criação de Deus e merecem ser respeitadas em sua dignidade. A afirmação de que todas as pessoas devem ser acolhidas com respeito e protegidas de qualquer forma de discriminação é um passo significativo na promoção de uma cultura de inclusão e amor incondicional.

No entanto, lamentamos que o documento ainda não reconheça plenamente a dignidade absoluta das pessoas transexuais e não-binárias, apesar dos avanços pastorais e teológicos construídos pela base. É essencial que, nós, como Igreja, continuemos avançando no entendimento e na promoção da dignidade de todas as pessoas, sem exceção.

Em sua abordagem ao gênero, o documento se baseia na teologia desatualizada do essencialismo de gênero, que afirma que a aparência física de uma pessoa é a evidência central da identidade de gênero natural de uma pessoa. Essa perspectiva fisicalista nos limita, enquanto Igreja, frente à crescente consciência de que o gênero de uma pessoa inclui os aspectos psicológicos, sociais e espirituais naturalmente presentes em suas vidas.

Ao categorizar levianamente a inclusão LGBTQIAPN+ como um fenômeno ocidental imposto de forma colonialista a outras culturas, o texto ignora o fato antropológico, documentado por muitos estudiosos mesmo antes dos dias atuais, de que culturas ao redor do mundo e ao longo da história reconheceram e celebraram identidades de gênero além das reivindicações da igreja de binarismo de gênero masculino/feminino.

Felizmente, são muitos os cristãos leigos e leigas, padres, bispos, diáconos, religiosos e religiosas que já acolhem e celebram as pessoas LGBTQIAPN+ como dons de Deus, demonstrando que o amor divino é infinito e sem barreiras. Vale ressaltar a importante resposta do mesmo Dicastério, em novembro passado, acerca da participação aos sacramentos do Batismo e do Matrimônio por parte de pessoas transexuais e de pessoas homoafetivas. Este reconhecimento e a missão do acolhimento são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e compassiva.

Consideramos que a declaração “Dignitas infinita” representa um passo importante no debate sobre a dignidade humana, mas ressaltamos a necessidade contínua de avançar em temas sensíveis que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Instamos a todo Povo de Deus a continuar buscando uma compreensão mais profunda e inclusiva da dignidade de todas as pessoas, à luz do amor e da misericórdia de Deus.

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