O bunker de Viganò: o ex-núncio quer fundar um seminário “anti-Francisco”

Foto: Paul Haring | CNS

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • A Espiritualidade do Advento. Artigo de Alvim Aran

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

15 Dezembro 2023

  • À imagem e semelhança de seu "venerável arcebispo Lefebvre", o ex-núncio nos Estados Unidos anunciou a criação de um colégio e seminário, uma estrutura de vida clerical compartilhada para clérigos e religiosos que foram alvo das purgas bergoglianas.

  • O Collegium Traditionis, como anunciado, visa acolher clérigos e religiosos que foram privados de sua paróquia ou expulsos de sua comunidade devido à sua incompatibilidade com a abordagem doutrinária, moral e espiritual da Igreja bergogliana.

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 13-12-2023. 

À imagem e semelhança de seu "venerável arcebispo Lefebvre" – embora com um toque italiano, não é à toa que o sonho fundador de Carlo Maria Viganò deveria se materializar em Viterbo –, o ex-núncio nos Estados Unidos anunciou através do site de sua associação, Exsurge Domine, a criação de um colégio e seminário, "uma estrutura de vida clerical compartilhada para clérigos e religiosos que foram alvo das purgas bergoglianas", conforme aponta o arcebispo italiano.

"Hoje, na Igreja, há centenas, milhares de clérigos, padres, religiosos e leigos a quem uma autoridade tirânica e corrupta nega o sacrossanto direito de serem fiéis a Nosso Senhor, como foram nossos irmãos na Fé durante dois mil anos", indica Viganò para justificar as razões para esta fundação que aprofunda o caminho cismático, ao estilo do arcebispo francês.

"Não tolera a Tradição", continua Viganò sem citar quem é esse intolerante, mas enumerando quem seriam os alvos dessa "autoridade tirânica": "Os rígidos, os atrasados devem ser considerados afetados por um transtorno patológico e devem ser expulsos da Igreja. Pouco importa se ficarem na rua, sem meios de subsistência e sem moradia", lamenta.

Daí a razão pela qual ele considera que, agora, este centro "é tanto mais necessário em um momento em que os seminários, distorcidos em disciplina e formação doutrinária, são receptáculos de corrupção e escolas de heresia para os poucos que ainda se atrevem a se aventurar lá. Portanto, precisamos de uma formação sólida e intransigente para o sacerdócio, que seja economicamente autossuficiente para não temer represálias do Vaticano".

Os perseguidos por Bergoglio

O Collegium Traditionis, como anunciado, "destina-se a acolher clérigos e religiosos que foram privados de sua paróquia ou expulsos de sua comunidade devido à sua incompatibilidade com a abordagem doutrinária, moral e espiritual da Igreja bergogliana. Exsurge Domine dará a eles a possibilidade de uma vida comunitária, seguindo o modelo tridentino das colegiadas".

Além disso, o Collegium "também estará aberto à formação clerical, para receber jovens que desejem responder ao chamado do Senhor para se dedicar inteiramente à sua glória e à santificação das almas", para o que será realizada "uma necessária seleção de candidatos para dar a todos a oportunidade de assimilar a abordagem tradicional de uma comunidade eclesiástica inspirada nos ditames da reforma desejada por São Carlos Borromeu em aplicação dos decretos do Concílio de Trento".

A deriva do diplomata

O Collegium Traditionis já está sendo construído em uma extensa propriedade na província italiana de Viterbo. "As obras já estão avançadas, tanto no que diz respeito à renovação e restauração dos edifícios existentes quanto à construção de novos edifícios". Agora, será preciso aguardar para ver o resultado vocacional e se o próprio Viganò dará o passo para a ordenação dos padres que ele imagina.

Ao serviço da diplomacia vaticana há 50 anos, Viganò, que foi núncio nos Estados Unidos de 2011 a 2016, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos do Papa Francisco e esteve envolvido em vazamentos destinados a minar o pontificado do primeiro Papa latino-americano, a quem acusa de encobrir Theodore McCarrick, o ex-cardeal pedófilo.

Da mesma forma, Viganò protagonizou declarações escandalosas em sua deriva em direção a posições mais radicais, com teorias conspiratórias sobre o coronavírus, alinhando-se politicamente ao ex-presidente Donald Trump e incentivando a islamofobia em suas redes sociais.

Leia mais