Argentina. Imolação e perguntas. Artigo de Jorge Alemán

Javier Milei (Fonte: Reprodução/Youtube)

Mais Lidos

  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS
  • A nova missão do mundo católico diante da trajetória do trumpismo. Artigo de Stefano Zamagni

    LER MAIS
  • Forças progressistas buscam novo impulso global em Barcelona

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Novembro 2023

“É sabido que o neoliberalismo captura vidas para sacrificar no altar do mercado, mas, atualmente, não há um exemplo tão bem-sucedido como o argentino. Uma parte da sociedade se entregou ao jogo fatal da roleta-russa, cujo fim não representa nenhum enigma”, escreve Jorge Alemán, psicanalista e escritor, em artigo publicado por Página/12, 20-11-2023. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

É certo que existirão razões importantes e complexas para explicar como uma sociedade entrou na zona escura da autodestruição.

É verdade que a ultradireita se exibe pelo mundo, mas não deixa de ser uma surpresa sinistra que um país que havia sido impecável no tocante à sua memória histórica, que havia feito dos 30.000 um panteão sagrado e que, há décadas, é habitado por um movimento nacional e popular, tenha optado por dilapidar um tesouro simbólico tão importante em troca de um ultraneoliberal portador de um paupérrimo manual de pseudoargumentos e uma vice que levou a sério a batalha cultural em relação ao negacionismo da ditadura.

Há muitas explicações econômicas e políticas que já concorrem para interpretar o que está acontecendo.

No entanto, quando um país permite que desmorone um mundo simbólico em que muitas vidas eram tecidas até hoje, impõe-se admitir que é necessário voltar a pensar o país com novas perguntas.

Como quase se tratasse de um país desconhecido que tem uma parte da população que é difícil de entender, e com rumo escolhido absolutamente alheio às bandeiras históricas do peronismo.

É sabido que o neoliberalismo captura vidas para sacrificar no altar do mercado, mas, atualmente, não há um exemplo tão bem-sucedido como o argentino. Uma parte da sociedade se entregou ao jogo fatal da roleta-russa, cujo fim não representa nenhum enigma.

Resta esperar que surja alguma luz na triste escuridão destes dias, agora que, como nunca, as pontes que sustentam esta nação estão quebradas.

Leia mais