“O Papa é censurado sobre a guerra”. Entrevista com Marco Tarquinio

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29 Agosto 2022

 

“Entendo cada vez mais o Papa quando fala que em respeito à sua saúde mental não olha as mídias sociais." Para Marco Tarquinio, diretor do Avvenire, as repercussões do dia seguinte ao apelo de Francisco parecem de outro mundo. O Papa voltou a falar de paz para Kiev seis meses após o início do conflito: o fez durante uma audiência geral na qual disse que a guerra é "loucura e ninguém na guerra pode dizer 'não, eu não sou louco'".

 

Ele depois recordou "a pobre jovem que morreu numa explosão por causa de uma bomba em Moscou". A menção a Darya Dugina, filha do ideólogo imperialista Aleksandr Dugin, enfureceu Kiev. Andrii Yurash, embaixador ucraniano na Santa Sé, questionou como uma ideóloga do Kremlin possa ser considerada inocente. Donald Tusk - ex-presidente do Conselho Europeu - escreveu no Twitter: "Provavelmente São Francisco está com o coração partido pelo Papa ter escolhido seu nome."

 

A entrevista com Marco Tarquinio é editada por Michela A.G. Iaccarino, publicada por Il Fatto Quotidiano, 26-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Não é a primeira vez que Francisco acaba na mira das críticas desde o início do conflito: talvez poucos outros pontífices na história tenham sido tão criticados.

 

João Paulo II, quando falava da Guerra do Golfo, em 2003, sofria uma censura de chumbo, especialmente nos EUA: nem uma única linha do que dizia era publicada. Essa insolência, no entanto, é nova. Geralmente finge-se não ouvir o que Francisco fala, depois atacam todos aqueles que falam de resistência não-violenta ou desobediência civil.

 

O último apelo à paz do Papa encontrou pouco espaço nas páginas da nossa imprensa.

 

Não estou surpreso, quase nunca é divulgado, existe uma tendência à subestimação, se não mesmo à censura. Não há nada que eu possa acrescentar sobre a guerra, ele já disse todas as palavras: é loucura, calamidade, pesadelo, derrota para todos, barbárie. O Papa pede que este massacre pare.

 

Há evidências ao contrário: o conflito vai durar muito tempo.

 

A carnificina está acontecendo há seis meses, com uma taxa de envenenamento por armas que jogamos na fornalha para fazê-la durar o maior tempo possível. Esta é a tragédia. Coisas estão acontecendo, mas o preço é demasiado alto: para chegar à mesa de negociações, é preciso aumentar a quantidade de mortes de civis e militares. A guerra de desgaste está acabando com a geração ucraniana.

 

Também parte daquela russa.

 

Os russos estão matando os filhos dos pobres: os filhos da classe média e dos ricos não são obrigados a ir para o front a menos que seja declarado o recrutamento obrigatório. Nós estamos do lado dos mais fracos, sempre.

 

No encontro de Rimini, a Ucrânia parece ser um tema esquecido.

 

Conversaram sobre isso, convidaram o diretor da Repubblica Molinari, a quem estimo profundamente. Sobre o conflito, porém, tem posições diferentes das minhas.

 

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