Angola. Os Bispos ao governo: Fome - é preciso declarar o “estado de emergência”

Foto: Stefanie Glinski | FAO

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14 Março 2022

 

“Nós, Bispos, há tempo estamos avisando que o Sul da Angola vive em condições de extrema fragilidade: não chove há muito tempo, há uma grave carestia, o gado não consegue encontrar pasto e as pessoas e os agricultores não trabalham e vivem na indigência. Não é a primeira vez que pedimos ao Executivo que declare estado de emergência que lhe permita levar ajuda à população e permitir que ela se levante novamente. Os nossos meios já são agora insuficientes, a Cáritas nacional e as organizações de assistência não conseguem ajudar e a situação desperta sérias preocupações.” Quem fala com a Agência Fides é Mons. Stanislaw Chindekasse, Bispo do Dundo, vice-presidente da Conferência Episcopal de Angola.

 

A reportagem é publicada por Agência Fides, 12-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O Bispo explica à Agência Fides os motivos que levaram os Bispos a se dirigir diretamente ao governo angolano para pedir uma “declaração do estado de emergência” e uma ação rápida para enfrentar os graves problemas que afetam particularmente a zona meridional do país. As áreas do Sul sofrem há anos uma gravíssima crise que levou dezenas de milhares de pessoas a fugir para a vizinha Namíbia para tentar remediar uma condição de verdadeira fome.

 

“Renovamos este pedido ao governo central - informa - mas não recebemos uma resposta oficial. Pelo contrário, vários jornalistas e formadores de opinião se voltaram contra a Igreja, acusando-a de se intrometer em assuntos que não lhe dizem respeito. Mas como podem nos pedir para não tratar dos problemas das pessoas? É difícil negar que o que dizemos é verdade. Além disso, quase toda a população está conosco e aprova a posição da Igreja, porque ela está em contato direto com o povo e conhece seu sofrimento.”

 

No meio tempo, entre o descontentamento generalizado que afeta todas as regiões do país, não apenas o Sul, Angola prepara-se para as eleições que se realizarão no próximo mês de agosto. “Como Bispos - conclui Mons. Stanislaw Chindekasse - escrevemos uma carta a todos os cidadãos para participar da votação e expressar sua opinião. Ao mesmo tempo, pedimos que o processo seja transparente. E esperamos que a eleição seja um momento positivo para toda a população”.

 

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