Mary McAleese, ex-presidente da Irlanda, fala do desespero na exclusão de leigos nas tomadas de decisão da Igreja Católica

Foto: Jim Sanford | Wikimedia Commons

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13 Setembro 2021

 

Autoridade baseada em “promessas batismais fictícias feitas por bebês sem consciência”, diz a ex-presidente da Irlanda, Mary McAleese.

A reportagem é de Patsy McGarry, publicada por Irish Times, 11-09-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A Igreja Católica está em uma encruzilhada na sua história “e se falhar na escolha do caminho certo tem o risco de um duradouro congelamento”, disse a ex-presidente Mary McAleese.

“Muitos de nós estamos cada vez mais desesperados com a incapacidade de nossa Igreja de colocar um holofote crítico sobre si mesma, porém, enquanto isso, coloca um holofote crítico sobre o resto do mundo”, disse ela, referindo-se a “seu clericalismo controlador, sua misoginia arrogante, sua homofobia maligna, os abusos sexuais e físicos, institucional e clerical, contra crianças, seus encobrimentos episcopais que protegiam criminosos e ignoravam vítimas, sua falta de transparência financeira e accountability”.

Houve também “sua implacável defesa do direito à vida do nascituro, enquanto ignorava hipocritamente o fato de que a própria Igreja, cuja missão principal é a salvação, ensina que não pode garantir o direito à vida eterna para os 80 milhões de bebês não-batizados que morrem anualmente por aborto natural, aborto provocado e natimortos”.

Soma-se a isso “o desperdício social e financeiro causado pelo enorme portfólio de propriedades insustentáveis, subutilizadas e não utilizadas da Igreja, a maior proprietária não governamental de propriedade privada do mundo”, disse ela.

 

Fórum inclusivo

 

Os leigos católicos “gostariam de discutir livremente essas coisas e contribuir para a sua resolução em um fórum inclusivo permanente oficial dentro da Igreja para o bem da Igreja. Esse fórum não existe”, disse ela.

A noção do Papa Francisco de tal fórum ou sínodo “que antes parecia ter capturado o zeitgeist que favorecia a estrutura de debate da Igreja, agora parece inclinado a evitá-lo na pior das hipóteses, micro-administrá-lo até a irrelevância na melhor das hipóteses”.

No discurso de abertura na sexta-feira ao Sínodo Root and Branch, liderado por leigos católicos, em Bristol, McAleese descreveu como uma “realidade chocante” que a participação leiga na Igreja tinha sido “constantemente congelada e o poder episcopal consolidado ainda mais fortemente durante os séculos XX e XXI, os mesmos séculos que viram o surgimento de um laicato educado em massa e que supostamente veria um amplo abraço conciliar dos carismas leigos”.

Apesar da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, a Igreja continuou a ensinar “que o magistério [autoridade docente da Igreja] tem o direito incontestável de restringir seus direitos e os meus como membros da Igreja. Diz que pode fazê-lo legitimamente por causa de promessas pessoais que fizemos no Batismo que nos impôs obrigações de membros da Igreja obrigatórias para toda a vida”.

Chegou a hora de “fazer o caso de que as promessas batismais fictícias feitas por bebês sem consciência, como é o caso de 84% dos membros da Igreja batizados quando crianças, e até mesmo promessas reais feitas por catecúmenos adultos não podem mais ser invocadas para justificar a privação de membros da Igreja de seus direitos humanos inalienáveis”, disse ela.

As consequências do batismo feitas pelo homem encontradas no direito canônico foram “anexadas” ao sacramento “para obrigar o registro como membros vitalícios da Igreja Católica e para impor uma aceitação definitiva das extensas obrigações dos membros, que a grande maioria de nós carece da capacidade de avaliar até que seja tarde demais”, disse ela.

 

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