Ex-presidente da Irlanda alerta contra sinodalidade “sem sentido”

Foto: Vatican News

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18 Junho 2021

 

Os “severos limites” impostos àquilo que pode ser discutido em um sínodo devem ser esclarecidos antes do início da jornada sinodal, para que as pessoas possam decidir “se vale a pena participar dela”, disse a ex-presidente da Irlanda, Mary McAleese.

A reportagem é de Sarah Mac Donald, publicada em The Tablet, 17-06-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Apresentando a Newman Lecture deste ano, organizada pelo St Benet’s Hall, em Oxford, a professora da Universidade de Glasgow disse que uma “simples declaração de esclarecimento” do supremo autor do Direito Canônico da Igreja, o Papa Francisco, seria suficiente antes ou quando o processo sinodal for aberto.

“Sem isso, teremos mais um sínodo que não conseguirá resolver os problemas subjacentes que precisam ser enfrentados”, disse a professora McAleese, alertando que outro exercício de “evitação calculada” pode muito bem ser demais para os “fiéis frustrados e calejados”.

O discurso da professora McAleese estava intitulado “Obrigações batismais? Revisitando o contrato de batismo – um prelúdio necessário para qualquer jornada sinodal”. Nele, ela observou que o Direito Canônico afirma ter o direito de limitar e controlar os direitos dos membros da Igreja por causa das promessas pessoais feitas no batismo, “quando a maioria era bebê e incapaz de fazer tais promessas”.

Ela acrescentou: “Com a chegada dos leigos instruídos de Newman, alfabetizados em assuntos seculares e eclesiais, é uma reivindicação que é cada vez mais contestada e, a menos que seja enfrentada com honestidade, pode tornar o caminho sinodal apenas uma jornada circular sinuosa de volta ao mesmo ponto de partida, mas com cada vez menos pessoas se preocupando em aparecer”.

Ela destacou a observação do cardeal Mario Grech de que “o Papa Francisco inaugurou um novo estilo de sínodos marcados por uma verdadeira liberdade de expressão”. O Caminho Sinodal “obrigatório” alemão envolveu uma ampla participação direta de leigos e leigas e a votação sobre questões consideradas doutrinalmente contenciosas, que haviam sido destacadas como prioridades a partir de consultas com os leigos.

No entanto, isso recebeu pouca atenção do Papa Francisco, enquanto o cardeal Marc Ouellet disse aos bispos alemães que seus planos para o sínodo não eram “eclesiologicamente válidos”.

A professora McAleese, que tem doutorado em Direito Canônico, perguntou se o silêncio exigido pela obediência ao Magistério era uma evidência realista de harmonia.

“Se a jornada sinodal deve ter alguma esperança de ser uma ‘primavera eclesial’ significativa, ela precisa começar revisitando aquele contrato de batismo em relação ao qual a maioria de nós dormiu ou chorou”, disse ela.

“É preciso reconhecer que não se pode mais evitar a realidade de que as obrigações batismais estabelecidas no Direito Canônico e que impõem limites significativos à nossa liberdade de consciência, opinião, crença, religião e direito de mudar de religião foram superadas pelo entendimento contemporâneo dos nossos direitos humanos inalienáveis, conforme estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos.”

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