Solenidade de São Pedro e São Paulo (Jo 21)

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26 Junho 2011

Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.» Jesus disse: «Cuide dos meus cordeiros.» Jesus perguntou de novo a Pedro: «Simão, filho de João, você me ama?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.» Jesus disse: «Tome conta das minhas ovelhas.» Pela terceira vez Jesus perguntou a Pedro: «Simão, filho de João, você me ama?» Então Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Disse a Jesus: «Senhor, tu conheces tudo, e sabes que eu te amo.» Jesus disse: «Cuide das minhas ovelhas. Eu garanto a você: quando você era mais moço, você colocava o cinto e ia para onde queria. Quando você ficar mais velho, estenderá as suas mãos, e outro colocará o cinto em você e o levará para onde você não quer ir.» Jesus falou isso aludindo ao tipo de morte com que Pedro iria glorificar a Deus. E Jesus acrescentou: «Siga-me».

(Correspondente à Festa de São Pedro e São Paulo).

 

Discípulos e missionários

 Hoje, junto com toda a Igreja, celebramos a festa dos apóstolos Pedro e Paulo. São ambos considerados como duas grandes colunas da Igreja.

Provindo de realidades bem diferentes, Pedro pescador pobre da Galiléia, Paulo judio culto de origem romana, são os dois conquistados por Jesus Cristo e fazem de sua vida uma paixão pelo reino como seu Mestre, até dar a vida no martírio.

O evangelho de hoje nos revela o segredo destes discípulos e missionários.  João fala do encontro de Pedro com o Ressuscitado.   Podemos cada um/a de nós situar-nos no lugar deste apóstolo.

Como no primeiro encontro, este diálogo de Jesus com Pedro acontece à beira do mar de Tiberíades. Marca uma continuidade do itinerário de Pedro como seguidor do Nazareno.

No primeiro Jesus o convida pessoalmente a segui-lo e ser pescador de homens, e Pedro aceita o convite e durante três anos convive com Jesus, escuta-o, vê como ele se relaciona com as pessoas, com o Pai, vai bebendo de sua paixão pelo Reino, de sua mesma utopia.

Sofreu também Pedro, o impacto da "derrota" de seu Mestre, a crueldade da Paixão foi forte demais para o humilde pescador de Galiléia, que não tinha conseguido entender o alcance das palavras de seu Mestre (cfr. Lc 9,22).

E agora estão juntos de novo, frente a frente, depois de outra pesca milagrosa como aquela primeira vez. Diante do silêncio de Pedro, Jesus toma a iniciativa e pergunta o que importa: "Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros?".

Podemos pedir ajuda à nossa imaginação para recriar o olhar de Jesus para Pedro. Com certeza, não há nele nem sombra de recriminação, o olhar terno e misericordioso do Amigo invade Pedro e devolve-lhe a dignidade.

No dizer de Romano Guardini:

"Recibo - me continuamente de tuas mãos.
Essa é minha verdade e minha alegria.
Teus olhos me miram constantemente,
e eu vivo de teu olhar".

Por isso Pedro se sente livre para responder: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo".

A comunhão entre Jesus e seus amigos/as é a base e o motor missionário, Ele não pede outro requisito a Pedro, nem a nós, apenas que o amemos.

Um dos pontos centrais da Conferência de Aparecida é sem dúvida a centralidade do encontro pessoal com Cristo como experiência que dá sentido à vida do discípulo/a e desencadeia o seguimento e a missão.

João Batista Libânio aponta que uma das luzes da conferência é justamente afirmar a relevância da experiência cristã como encontro pessoal com Cristo.  Desta gozosa experiência brotam os desejos de segui-Lo e anunciar-lhe o Evangelho do Reino da Vida aos povos latino-americanos.

É fundamental hoje, em tempo de pós-modernidade, em que é muito valorizada a experiência e o mundo afetivo e subjetivo, resgatar o verdadeiro sentido da experiência cristã.

A Igreja cresceu na comunicação dessa experiência de encontro dos/as primeiros/as discípulos/as com o Ressuscitado. Transmitiam a alegria de experimentar que a vida de Deus era mais forte que a morte, que o amor de Deus não tinha ficado calado diante da injustiça.

Como diz João na sua primeira carta: "Porque a Vida se manifestou, nós a vimos, dela damos testemunho, e lhes anunciamos a Vida Eterna" (1Jo 1,2).

Mas, muitas vezes, nós, cristãos/ãs, comunicamos um Deus de preceitos, de normas, que pouco tem a ver com o Deus da vida, da justiça, do Amor que nos revela o Ressuscitado!

Perguntemos a Pedro depois desse encontro com Jesus Ressuscitado no mar de Tiberíades que teria ele para comunicar, para dizer de Jesus?

Ou olhemos para Paulo, que, na sua vida, depois que foi "achado" por Cristo, somente proclamou a todos os ventos que o Senhor ressuscitara e lhe aparecera no caminho de Damasco.

Animemo-nos a redescobrir a presença de Deus em nossa vida, a deixar-nos olhar novamente por Ele, como o fizeram Pedro e Paulo, só assim poderemos ser seus verdadeiros/as missionários/as.

O evangelho de hoje culmina com a frase de Jesus a Pedro, extensiva a nós: "Siga-me!". A vida do cristão/ã é estar sempre a caminho, seguindo a vida do carpinteiro de Nazaré, buscando fazer no hoje da história suas mesmas opções pelos pequenos, pela justiça, pelo Reino.

Paulo descreve o dinamismo do caminho do discípulo/a magnificamente:

Quero, assim, conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição e a comunhão em seus sofrimentos, para tornar-me semelhante a ele em sua morte, a fim de alcançar, se possível, a ressurreição dos mortos. Não que eu já tenha conquistado o prêmio ou que já tenha chegado à perfeição; apenas continuo correndo para conquistá-lo, porque eu também fui conquistado por Jesus Cristo. Irmãos, não acho que eu já tenha alcançado o prêmio, mas uma coisa eu faço: esqueço-me do que fica para trás e avanço para o que está na frente. Lanço-me em direção à meta, em vista do prêmio do alto, que Deus nos chama a receber em Jesus Cristo (Fl 3,10-14).

Hoje, Jesus olhando para cada um/a de nós volta a nos convidar: "Siga-me!", qual é nossa resposta?

 

Oração

A festa dos Apóstolos
alegra todo o mundo
até os seus extremos
com júbilo profundo.
Louvamos Pedro e Paulo,
por Cristo consagrados
colunas das Igrejas
no sangue derramado.

São duas oliveiras
diante do Senhor,
brilhantes candelabros
de esplêndido fulgor.
Do céu luzeiros claros,
desatam todo laço
de culpa, abrindo aos santos
de Deus o eterno Paço.

Ao Pai louvor e glória
nos tempos sem fronteiras.
Império a vós, o Filho,
beleza verdadeira.
Poder ao Santo Espírito,
Amor e Sumo Bem.
Louvores à Trindade
nos séculos. Amém.

(Hino da Liturgia da Horas)


Referências

GONZÁLEZ BUELTA, Benjamin. "Ver o perecer" mística de ojos abeirtos. Santander: Sal Terrae, 2006.

KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindis, 1981.

LIBÂNIO, João Batista. Aparecida significou quase uma surpresa. Revista IHU On line. Nº 224, ano VII. São Leopoldo, 2007.

V CONFERENCIA GENERAL DEL EPISCOPADO LATINOAMERICANO Y DEL CARIBE. Documento conclusivo. 

 

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