Teólogo critica o Papa: declarações inconsistentes sobre a guerra justa

Papa Leão XIV | Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • Entre rios e distâncias: o desafio de ser uma Igreja das margens na Amazônia. Artigo de Gabriel Vilardi

    LER MAIS
  • Proposta faz parte da receita eleitoral brasileira, diz sociólogo

    "A redução da maioridade penal será um novo elemento a reforçar o crime e a violência no Brasil". Entrevista especial com Marcos Rolim

    LER MAIS
  • O tarifaço e a hora do Brasil. Artigo de José Luís Fiori

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

17 Junho 2026

O especialista em ética social Manfred Spieker acusou o Papa Leão XIV de incoerência em suas reflexões sobre a doutrina da guerra justa. O que a encíclica Magnifica humanitas, da Aliança Internacional, diz sobre o assunto "carece de consistência e suscita diversas objeções", escreveu o ex-professor de Osnabrück na terça-feira no portal communio.de.

A reportagem é publicada por Katholisch.de, 16-06-2026.

A encíclica apela para a "superação" da doutrina da guerra justa, mas simultaneamente defende o direito à "legítima defesa, entendida no sentido mais estrito". Spieker vê precisamente nisso uma contradição. A doutrina tradicional da guerra justa serve para limitar a defesa militar. Portanto, qualquer pessoa que investigue os critérios da legítima defesa inevitavelmente retorna à antiga doutrina.

Teólogo: os argumentos não são convincentes

Spieker não se convence com os argumentos contra a doutrina da guerra justa apresentados em Magnifica humanitas. O fato de as partes beligerantes a invocarem indevidamente não a torna obsoleta, argumenta o teólogo. Da mesma forma, a rejeição moral de certas armas ou operações militares confirma a necessidade de critérios éticos como os fornecidos pela doutrina da guerra justa.

Segundo Spieker, a Magnifica humanitas reintroduz a doutrina da guerra justa em suas passagens sobre inteligência artificial na própria guerra. Ali, o documento exige que "a força armada só seja usada como último recurso em casos de legítima defesa".

Doutrina da guerra justa

Os ensinamentos da Igreja sobre a guerra e os armamentos estão resumidos no Catecismo da Igreja Católica, especificamente nos artigos 2.307 a 2.317. De acordo com o texto, cidadãos e governantes são "obrigados a trabalhar ativamente para evitar a guerra". Somente quando todas as possibilidades de resolução pacífica de conflitos forem esgotadas é que a autodefesa militar é considerada "moralmente justificável". Regras rigorosas devem ser observadas a esse respeito. Além disso, o Catecismo enfatiza a visão teológica de que o perigo da guerra está enraizado na pecaminosidade humana. Isso implica que mesmo uma "guerra justa" é um mal.

A doutrina da guerra justa baseia-se em grande parte nos ensinamentos do Padre da Igreja Agostinho (354-430). Seus princípios – como a restrição à defesa e o princípio da proporcionalidade – foram desenvolvidos ao longo dos séculos.

Leia mais