Kristof, vencedor do Prêmio Pulitzer: "Violência sexual sistemática contra prisioneiros palestinos." A indignação de Israel

Foto: Unplash

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13 Mai 2026

O governo critica duramente o colunista do New York Times: "Uma das piores calúnias de sangue", referindo-se à crença generalizada desde a Idade Média de que os judeus consumiam sangue de crianças. A investigação sobre os estupros cometidos pelo Hamas em 7 de outubro foi concluída: "Foi uma estratégia calculada".

A reportagem é de Francesca Caferri, publicada por La Repubblica, 12-05-2026.

Duas investigações, o mesmo tema, um conflito político. É o que está acontecendo agora aqui em Israel: de um lado, Nicholas Kristof, colunista do New York Times especializado em questões humanitárias, que ontem publicou um longo e detalhado artigo explicando como a violência sexual contra detentos palestinos se tornou uma arma nas prisões israelenses. Do outro, o grupo de especialistas que, durante dois anos e meio, investigou a violência sexual cometida por membros do Hamas em 7 de outubro de 2023 e que hoje publicou suas conclusões: naquele dia, estupro e abuso ocorreram sistematicamente e estavam entre as armas usadas pelo Hamas contra civis.

A divulgação dos documentos foi provavelmente uma mera coincidência — o relatório sobre o estupro deveria ter sido divulgado para coincidir com a criação do Tribunal de Crimes Especiais em 7 de outubro, aprovado na noite anterior pelo Knesset — , mas isso tornou as reações ao artigo de Kristof ainda mais ferozes: "Uma das piores 'calúnias de sangue' já publicadas na imprensa moderna", diz um comunicado do governo israelense, referindo-se à crença difundida desde a Idade Média de que os judeus consumiam sangue de crianças durante a Páscoa judaica.

Kristof, com base em uma série de depoimentos (tanto anônimos quanto públicos, de homens e mulheres) coletados na Cisjordânia, argumentou sobre a existência de um "padrão de violência sexual generalizada por parte de Israel" contra detentos palestinos: a violência, mesmo que não autorizada, é tolerada por líderes policiais, particularmente funcionários prisionais, a ponto de ter se tornado "procedimento operacional padrão". Um relatório da ONU de algumas semanas atrás também afirmou que o estupro era "estrutural e sistemático" nas prisões israelenses.

O relatório da Comissão Civil, de 7 de outubro, argumenta, no entanto, que militantes do Hamas estupraram, agrediram sexualmente e torturaram suas vítimas "para maximizar a dor e o sofrimento". "A descoberta mais importante é que as agressões sexuais de 7 de outubro e aquelas perpetradas contra reféns em cativeiro foram uma estratégia calculada", disse Cochav Elkayam-Levy, autora do estudo, à CNN. O relatório inclui depoimentos de mais de mil sobreviventes que sofreram violência sexual durante o ataque, sequestro ou cativeiro em Gaza.

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