Texto da homilia do Cardeal McElroy na Missa da Vigília pela Paz

Foto: Vatican News

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13 Abril 2026

"Estamos no meio de uma guerra imoral. Entramos nesta guerra não por necessidade, mas sim por escolha. Falhamos em buscar ardentemente o caminho da negociação até o fim, antes de recorrer à guerra. Não tínhamos uma intenção clara, oscilando entre a rendição incondicional, a mudança de regime, a degradação das armas convencionais e a remoção de materiais nucleares. E nos cegamos para a cascata de destruição global que provavelmente resultaria de nossos ataques – a expansão da guerra muito além do Irã, a ruptura da economia mundial e a perda de vidas. Cada uma dessas falhas políticas é igualmente uma falha moral que, segundo os princípios católicos da guerra justa, torna tanto o início desta guerra quanto qualquer continuação dela moralmente ilegítimas".

O cardeal Robert W. McElroy, arcebispo de Washington, profere a homilia durante uma Missa de Vigília pela Paz em 11 de abril de 2026 na Catedral de São Mateus Apóstolo, unindo-se ao Papa Leão XIV e aos católicos de paróquias de todo o mundo em oração pela paz naquele dia. 

E o cardeal conclui a homilia com um apelo:

"E quando sairmos desta igreja esta noite, precisamos ir além da oração. Como cidadãos e crentes nesta democracia que tanto prezamos, devemos defender a paz junto aos nossos representantes e líderes. Não basta dizer que oramos. Precisamos também agir. Pois é muito possível que as negociações fracassem devido à resistência de um ou ambos os lados, e que nosso presidente retome essa guerra imoral. Nesse momento crítico, como discípulos de Jesus Cristo chamados a ser pacificadores no mundo, devemos responder em voz alta e em uníssono: Não. Não em nosso nome. Não neste momento. Não com o nosso país."

Eis a homilia

Nas aparições do Senhor Ressuscitado aos Apóstolos, na leitura de hoje do Evangelho de João, as primeiras palavras de Jesus são sempre: "A paz esteja convosco". Pois a paz é o fruto e o dom supremo da Ressurreição: a convicção interior de que Cristo venceu a morte de uma vez por todas.

A paz da Ressurreição compreende que fomos colocados nesta Terra com uma missão e um propósito que nos chamam a enobrecer o mundo e a nos preparar para o reino de Deus. A paz da Ressurreição nos assegura que todos aqueles que amamos profundamente nesta vida e que nos precederam na morte não se foram para sempre, mas os veremos novamente face a face, e veremos, conheceremos e amaremos neles todas as qualidades que vimos, conhecemos e amamos neles aqui neste mundo.

A paz da Ressurreição revela-nos que já somos cidadãos do céu.

É na paz da Ressurreição que encontramos a única bússola essencial de que precisamos para nossas vidas nesta Terra. É uma dádiva pura.

Mas também é uma responsabilidade. Pois, como discípulos do Senhor Jesus Cristo, somos profundamente chamados a ser pacificadores no mundo em que vivemos.

Somos chamados, em primeiro lugar, a construir a paz dentro de nossos próprios corações e almas, recusando-nos a ceder aos impulsos da raiva, do julgamento e do egoísmo que podem tão facilmente distorcer nossas vidas e obscurecer a luz da Ressurreição.

Somos chamados a construir pontes e a promover a reconciliação em nossa vida familiar, superando as tensões normais que foram exacerbadas pelo isolamento social e pela sufocação tecnológica que proliferaram na era em que vivemos.

Somos chamados a ser pacificadores dentro desta nação que tanto amamos, recusando-nos a permitir que o câncer da polarização engula os sonhos mais nobres de nossos fundadores, justamente neste ano em que celebramos nosso 250º aniversário como país.

Finalmente, devemos ser construtores da paz entre as nações, rejeitando o caminho da guerra que nos conduz ao fim das civilizações e à busca da dominação em vez da verdadeira paz.

É esta última responsabilidade que mais pesa sobre nós nesta noite. Pois estamos no meio de uma guerra imoral. Entramos nesta guerra não por necessidade, mas sim por escolha. Falhamos em buscar ardentemente o caminho da negociação até o fim, antes de recorrer à guerra. Não tínhamos uma intenção clara, oscilando entre a rendição incondicional, a mudança de regime, a degradação das armas convencionais e a remoção de materiais nucleares. E nos cegamos para a cascata de destruição global que provavelmente resultaria de nossos ataques — a expansão da guerra muito além do Irã, a ruptura da economia mundial e a perda de vidas. Cada uma dessas falhas políticas é igualmente uma falha moral que, segundo os princípios católicos da guerra justa, torna tanto o início desta guerra quanto qualquer continuação dela moralmente ilegítimas.

O Papa Leão XIV deixou absolutamente claro que o único caminho que o ensinamento católico permite neste momento é a cessação permanente das hostilidades e medidas enérgicas para construir as condições para uma paz duradoura. É, como ele destaca, na conversão dos corações e das almas que se encontra o único caminho verdadeiro para uma paz justa e duradoura, uma conversão que abandona as armas e começa, antes de tudo, pela reconciliação.

Nesta noite, reunimo-nos em oração. Oramos para que o cessar-fogo se mantenha e que conduza a uma base sólida para o surgimento da paz no Oriente Médio. Temos consciência da natureza bárbara do regime iraniano e da enorme destruição que os bombardeios dos EUA e de Israel causaram ao Irã. E, por isso, oramos com ainda mais fervor. Devemos fazê-lo. Pedimos desesperadamente a nosso Deus, o Príncipe da Paz, que abra as mentes e os corações de todos aqueles que detêm o poder, para que olhem além de seus próprios interesses e enxerguem plenamente o bem-estar de todos os que estão presos neste conflito amargo e desnecessário.

E quando sairmos desta igreja esta noite, precisamos ir além da oração. Como cidadãos e crentes nesta democracia que tanto prezamos, devemos defender a paz junto aos nossos representantes e líderes. Não basta dizer que oramos. Precisamos também agir. Pois é muito possível que as negociações fracassem devido à resistência de um ou ambos os lados, e que nosso presidente retome essa guerra imoral. Nesse momento crítico, como discípulos de Jesus Cristo chamados a ser pacificadores no mundo, devemos responder em voz alta e em uníssono: Não. Não em nosso nome. Não neste momento. Não com o nosso país.

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